Pigmeu faz história no revezamento da tocha olímpica

Pigmeu faz história no revezamento da tocha olímpica

Por | Edição do dia 31 de maio de 2016
Categoria: Esportes


Guilherme Jucá, conhecido como Pigmeu, 37 anos, entrou para a história dos Jogos Olímpicos. Além da sua trajetória marcada por superação na vida e também no esporte, ele foi uma das 110 pessoas que conduziram a tocha olímpica pelas ruas de Maceió, no último dia 29. Jucá é portador polineuropatia amiloidótica familiar (PAF), que pode levar à morte dez anos após os primeiros sintomas.

Foto: Pei Fon.

Foto: Pei Fon.

O jovem já participou de diversas modalidades esportivas, como futebol, judô, basquete, tênis de mesa, atletismo, BMX, hóquei sobre patins, handebol, kart e motocross, Jucá passou a investir no kitesurf (uma mistura de windsurf, wakeboard e surf, na qual o atleta desliza sobre a água em uma pranchinha, puxado pelo kite, uma espécie de pipa).

Seus planos de vida, contudo, foram duramente interrompidos em 2005, quando ele recebeu o diagnóstico da polineuropatia amiloidótica familiar. Em pouco tempo, Jucá, com 14 kg de massa muscular a menos, foi perdendo a força nas pernas e nos braços, bem como os movimentos dos dedos dos pés. Foi quando ele se viu obrigado a deixar o esporte e buscar tratamento. À época, mudou-se para Fortaleza, no Ceará, para passar por um transplante de fígado, em 2006, única opção disponível naquele momento no Brasil para impedir a progressão da doença.

De volta a Maceió, Jucá começou a alimentar suas esperanças de voltar ao kitesurf. Mas, apesar das muitas sessões de fisioterapia, continuava muito fraco e até mesmo caminhar parecia difícil demais. “Nesta época, o windsurf estava a todo vapor em Maceió. Sempre que eu passava pela praia, ficava olhando aquelas pessoas e pensando que, se conseguisse velejar de Wind, poderia voltar para o kitesurf”, conta. Foi quando, em 2008, se encheu de coragem e foi em busca de uma escola de windsurfe.

“A primeira aula foi um desastre total.  Mas, mesmo sem conseguir nem sequer ficar em pé na prancha, que é o básico nesse esporte, eu estava feliz”, lembra Jucá.  Nem mesmo o comentário pessimista de um dos funcionários da escola conseguiu abalar sua força de vontade. “Ele disse: ‘esse cara não se ligou que ele não tem condições de fazer isso’. Passei direto e fui fazer a aula”, conta. Levou 30 dias para fazer o que um aluno regular faz em 10 e, pouco tempo depois, já colecionava prêmios windsurf, competindo de igual para igual com esportistas sem nenhuma limitação física.

A primeira conquista foi o 3º lugar na no desafio Alagoas x Bahia na categoria Fórmula Windsurf Sport em Maceió, em 2011. No ano seguinte foi campeão, vencendo todas as baterias. Participou ainda de uma etapa do Campeonato Brasileiro e chegou a disputar um Sul-Americano de Fórmula Experience. Desde 2013, seu novo desafio tem sido recuperar a performance no kitesurf, que voltou a praticar. “E tem mais: já entrei em contato com a Federação Brasileira de Vela para concorrer durante nos Jogos Paraolímpicos de 2020.Quem sabe um dia não trago uma medalha para o Brasil?”, desafia.

 

Da redação com Samira Aguiar
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