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Pesquisadores pretendem reduzir maus-tratos sofridos por animais de carga

Assessoria / 11:45 - 24/09/2018

Extensão da Ufal deve criar fórmula para calcular carga que animais podem levar


Pelas ruas de Maceió e de cidades do interior de Alagoas não é difícil encontrar cavalos ou burros puxando carroças com grandes cargas, que exigem um esforço para além de suas capacidades. Atentos a essa realidade que prejudica a sobrevivência dos equinos, pesquisadores do Grupo de Pesquisa e Extensão em Equídeos da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), desde 2013, vêm se dedicando a criar uma fórmula simplificada que poderá ser utilizada para calcular a capacidade de carga que esses animais podem carregar.

Este ano, parte dos estudos foi publicada na revista internacional Journal of Equine Veterinary Science, Elsevier, sob a coordenação do professor Tobyas Maia de A. Mariz, do curso de Zootecnia do Campus Arapiraca.

carroça 2

“Inicialmente, buscamos desenvolver uma fórmula que fosse útil para validação de quanto um animal pode puxar de peso, a partir de sua estrutura”, explica um dos autores do estudo, professor do curso de Medicina Veterinária, Pierre Escodro. “Daí, fomos buscar apoio na Física, nas Leis de Newton, que gerou esse artigo internacional. O propósito é criarmos ferramentas ou softwares que possam ser utilizados pelos órgãos municipais de fiscalização, no sentido de banir maus-tratos aos animais”, destaca.

Ele esclarece que o segundo momento da pesquisa, já aprovado pelo Comitê de Ética no Uso de Animais (Ceua/Ufal), sob número 38/2018, será validar in vivo a fórmula. “No artigo, fizemos de maneira demonstrativa. Estamos buscando apoio financeiro, pois será um estudo amplo e oneroso. Só podemos avaliar se um animal está carregando mais do que suporta através de testes físicos, como atletas em atividade”, afirma. “Testamos de forma ilustrativa em equídeos de Arapiraca. A segunda fase busca realmente acompanhar de forma laboratorial o exercício, a fisiologia, os parâmetros e marcadores biológicos”, adianta.

Aplicabilidade no comércio com proteção

Sobre os benefícios que o estudo pode proporcionar, professor Pierre diz que as legislações no país, ao abordar a carga que o animal pode carregar, não levam em conta sua fisiologia. “A pesquisa permitirá que uma parcela de população de economia informal, que usa os equídeos de tração urbana, continue trabalhando sem promover maus-tratos. Só em Maceió deve existir cerca de três mil carroceiros”, destaca. “O trabalho pode ser utilizado mundialmente também para equinos de tração urbana em centros de carga. Em Havana, por exemplo, o cavalo ainda é utilizado como transporte de pessoas”, conta.

Ao considerar a grande demanda de serviços que ainda usa a tração animal, o professor acredita que “o estudo proporcionará mecanismos de controle dos maus-tratos, legislações nacionais mais efetivas e aproximação do poder público para essas comunidades, buscando não proibir a atividade de subsistência de milhares de pessoas. O objetivo deve ser, a longo prazo, evitar a atividade entre jovens”, diz.

A pesquisa, que tem como título Desenvolvimento e validação in vivo de fórmula de capacidade de carga para equinos de tração, é transdisciplinar e conta com a participação dos professores Tobyas Maia de Albuquerque Mariz e Carolyny Batista Lima, de Zootecnica; Emerson de Lima e Samuel Albuquerque, do curso de Física, todos do Campus Arapiraca; da mestra em Zootecnia pela Ufal, Jéssyka Emmanuelly Silva dos Santos; e da mestranda em Medicina Veterinária da Ufal, Andrezza Aragão.

“Também integra mais pesquisadores da Veterinária, Administração, Direito, Farmácia e Zootecnia da nossa Universidade. Além do Mestrado Profissional em Propriedade Intelectual e Transferência de Tecnologia para Inovação [Profnit]”, acrescenta Pierre.

Grupequi

Há nove anos, professores e estudantes do Grupo de Pesquisa e Extensão em Equídeos (Grupequi), do curso de Medicina Veterinária, da Unidade de Ensino da Ufal em Viçosa, realizam atividades por meio do projeto Pró-Carroceiros. Uma vivência prática que tem resultado em pesquisas, a exemplo da que busca padronizar a capacidade de carga de equinos de carroça.

“São trabalhos em comunidades vulneráveis que tem por subsistência o equino, porém sem orientação e quase sempre de maneira inconsciente maltratando os animais”, explica o professor Pierre Escodro. “Tais atividades também estão inclusas no Projeto Proccaext [Programa Círculos Comunitários de Atividades Extensionistas] Pró-Carroceiros, que vem realizando trabalhos contínuos no Trapiche e Reginaldo”, destaca.

No Trapiche da Barra, bairro de Maceió, os integrantes do Grupequi atendem os animais em mutirões. “Ano que vem, a ONG Pata Voluntária organizará o fomento de atividades quinzenais para maior aproximação e trabalho preventivo”, explica. “Já no Vale do Reginaldo, também na capital, em parceria com a ONG Guilherme Brandão, estamos com atividades quinzenais de cuidados e prevenção, cadastrando animais para o Projeto Carroceiro Guardião do bairro”, destaca. O objetivo, segundo o professor, é construir baias para 30 carroceiros que cuidem bem dos animais e se enquadrem nas orientações do Projeto Pró-carroceiros Proccaext Ufal.

“Também já realizamos mutirão de pequenos animais e consultorias financeiras. Em ambos os bairros, tivemos parceria com empresas privadas que nos doaram vacinas contra tétano, encefalomielite, influenza, herpes vírus e raiva, fazendo o projeto atuar diretamente na saúde pública. Tratamentos de ozonioterapia e acupuntura vêm sendo utilizados nessas comunidades e em animais de Viçosa”, conta.


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