Boa Noite!, Terça-Feira - 17 de Setembro de 2019

 

Pesquisa aponta relação de diabetes tipo 2 com câncer

Assessoria / 10:50 - 10/06/2019

Estudo foi desenvolvido pelo Grupo Interdisciplinar de Epidemiologia Molecular e Terapêutica Experimental do Campus Arapiraca


A pesquisa intitulada Correlação entre genes relacionados ao sistema renina-angiotensina, diabetes tipo 2 e câncer, desenvolvida no Laboratório de Histopatologia do Complexo de Ciências Médicas do Campus Arapiraca, rendeu a publicação de um artigo na renomada revista Molecular and Celular Endocrinoly. O periódico possui fator de impacto 3.8 e faz parte do grupo da Elsevier, que integra publicações relacionadas aos efeitos bioquímicos e genéticos, sinalização celular e mecanismos regulatórios. O artigo é de autoria do professor Carlos Alberto de Carvalho Fraga, docente do curso de Medicina e coordenador do laboratório, junto com a professora Luciana Xavier Pereira, integrante da equipe.

“O artigo é uma análise computacional e molecular, associa angiotensina, diabetes e câncer. Nossos resultados sugerem que a diminuição da expressão de genes do sistema renina angiotensina potencializa processos associados a carcinogêneas, corroborando com estudos prévios que demonstraram que os Inibidores da Enzima Conversora da Angiotensina (IECA) estão associados ao desenvolvimento de câncer de pulmão”, detalha Carlos Fraga. Segundo o professor, estudos apontaram que o uso de IECA (inibidores) no tratamento da hipertensão foi relacionado com maior risco de desenvolvimento do câncer de pulmão em relação aos bloqueadores de receptores da angiotensina (BRA).

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                               Professor Carlos Fraga com membros da pesquisa (Foto: Cortesia)

Ele complementa que a pesquisa demonstrou que a expressão dos genes do sistema renina angiotensina-aldosterona está alterada no diabetes e nos diferentes tipos de câncer analisados. O citado sistema tem sido reconhecido como um importante regulador da pressão arterial e da homeostase eletrolítica renal. Associa-se a etiopatogenia do diabetes do tipo 2 e os cânceres de bexiga, mama, cólon, fígado, pâncreas e reto.

“A abordagem revelou que os biomarcadores do sistema renina-angiotensina podem ser associados com a iniciação do câncer e com a sua progressão, incluindo metabólitos como novos candidatos a biomarcadores e potenciais alvos terapêuticos. Detectamos regulação negativa e regulação positiva em genes diferencialmente expressos (GDE) no sangue, ilhas pancreáticas, fígado e músculo esquelético de pacientes normais e diabéticos”, frisou.

Carlos explica, ainda, que houve a combinação dos GDEs (genes expressos) com 211 genes relacionados ao sistema de renina-angiotensina e genes superexpressos foram associados às vias de câncer em amostras de ilhotas pancreáticas, sangue e músculo esquelético. “Ao que parece, mudanças no mRNA contribuem para mudanças fenotípicas associadas à carcinogênese e posterior invasão neoplásica. Nossa análise mostrou que os genes CTSG e EDNRB são regulados negativamente em amostras de diabetes tipo 2 e câncer. No entanto, em amostras de tecido tumoral, a proteína EDNRB foi aumentada e associada ao impacto negativo na sobrevida dos pacientes”, frisou.

O pesquisador reforça que o estudo apresenta dados valiosos para posterior análise experimental e clínica, uma vez que as biomoléculas propostas têm significativo potencial para triagem ou para fins terapêuticos em diabetes tipo 2 e vias associadas ao câncer.

“O estudo possibilita um maior entendimento acerca de marcadores moleculares e vias ainda desconhecidas, cujos resultados têm uma grande importância clínica. Alguns medicamentos tanto de uso clássico como os mais recentes no mercado podem ter efeitos associados à etiologia de diversas doenças, dentre elas, o diabetes e o câncer. O exemplo mais recente é a associação dos medicamentos IECA (inibidores da enzina) com o desenvolvimento do câncer de pulmão” diz o pesquisador com formação nas áreas de histologia e embriologia.

Carlos adianta que muito se tem discutido acerca dessa associação, mas poucos estudos demonstram as possíveis vias: “Demonstramos que a diminuição da expressão dos genes do SRA se relacionam às vias de câncer em associação com o diabetes do tipo 2”.

Abrangência

O estudo científico contou com a parceria de pesquisadores da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf) e da Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes), Minas Gerais. Além de docentes, a pesquisa teve a participação de alunos dos cursos de Medicina e Enfermagem integrantes do Grupo Interdisciplinar de Epidemiologia Molecular e Terapêutica Experimental daquele campus do interior.

Segundo Carlos Fraga, embora estudos tenham fornecido evidências significativas sobre o papel do sistema renina-angiotensina na mediação do risco de câncer no diabetes mellitus tipo 2, conclusões sobre mecanismos moleculares centrais subjacentes a essa doença permanecem sem respostas definitivas porque essa informação requer uma abordagem multiômica, ou seja, que envolve genoma, proteoma, transcriptoma, epigenoma e microbioma.

“O presente estudo impacta de forma positiva para o Campus Arapiraca, em especial para os cursos de Medicina e Enfermagem”, ressalta Fraga, e aproveita para dizer: “Com a entrega do novo prédio, o Complexo de Ciências Médicas, surgem novas oportunidades para os pesquisadores de ambos os cursos”, afirma ,vislumbrando boas perspectivas para o prosseguimento e realização de estudos em prol da ciência e da formação acadêmica.


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