Patrimônio imaterial de Alagoas, Caldinho do Vieira fecha as portas depois de 47 anos

Motivo do fechamento é o afundamento do solo da região do Pinheiro; Proprietário espera por uma indenização para possível reabertura em outro bairro

Patrimônio imaterial de Alagoas, Caldinho do Vieira fecha as portas depois de 47 anos

Motivo do fechamento é o afundamento do solo da região do Pinheiro; Proprietário espera por uma indenização para possível reabertura em outro bairro

Por Thatyana Ferreira - estagiária sob supervisão | Edição do dia 17 de março de 2021
Categoria: Maceió, Notícias | Tags: ,


José Vieira, fundador do Caldinho do Vieira e dono da receita que fez e permanece fazendo sucesso em Maceió (Foto: Reprodução)

Um bar tradicional do bairro do Pinheiro encerrou seus trabalhos depois de 47 anos de funcionamento. Os motivos para o fechamento do Caldinho do Vieira, referência na região, são o afundamento no solo do bairro. O proprietário espera por uma indenização que possa ajudar na reabertura do bar em outro bairro. José Vieira e seus familiares esperam por essa indenização desde 2020, mas até hoje não conseguiram fazer um acordo com a Braskem, responsável pela saída de milhares de famílias dos bairros atingidos pelos impactos da mineração.

“Em março ou abril do ano passado recebemos a notificação de que aquela rua em que ficava o caldinho entrou no mapa e que teríamos um prazo para desocupar, porque o bairro todo já está quase desocupado. A gente tentando com a empresa, vendo a questão da indenização, porque como o prédio é próprio e meu pai já é uma pessoa idosa, eles falaram que a gente aguardasse mais um pouco, antes do fechamento total na localidade“, explica Sheila Vieira, filha do proprietário do estabelecimento, sobre a decisão de fechar o local.

O Caldinho do Vieira praticamente se desenvolveu junto com o Pinheiro, se tornando famoso por causa de uma receita tradicional, a do caldinho de feijão que foi trazida para Maceió por seu Vieira da cidade de Pão Açúcar, receita essa que possibilitou o crescimento e o sucesso do bar na região e permitiu que em 2021 o bar fosse declarado como patrimônio imaterial do estado de Alagoas.

“O nome caldinho do Vieira foi meu pai que colocou. Meu pai foi um pioneiro. Moramos há 60 anos no bairro, meu pai foi um dos poucos a começar um negócio enquanto ali tudo era mato. A família dele, muito antes, uns 70 anos atrás, já servia a receita, ele deu uma incrementada, mas a receita original é de uma tia minha, que tinha restaurante em Pão de Açúcar, é uma história de família. Aqui em Maceió foi ele que começou do zero”, relembra Sheila.

Caldinho do Vieira funcionando antes da pandemia e dos problemas causados pelo afundamento no solo (Foto: Reprodução)

Ainda de acordo com a filha de José Vieira, seu pai pretende reabrir o Caldinho e permanecer construindo a história do bar, mas nada foi definido ainda, em relação ao modo de funcionamento, se terá um ponto físico ou será delivery. Tudo depende da indenização da Braskem. “Temos a esperança de que a empresa tenha sensibilidade e não nos pague apenas o ponto, porque a gente não está vendendo. Esperamos uma boa indenização para continuar a história”, afirma.

Além da família de José Vieira, mais cinco famílias dependem do funcionamento do bar e com o fechamento essas cinco famílias também ficarão sem renda.“A gente não está demitindo, estamos fechando por uma ocasião que não foi decisão nossa, mas por uma tragédia provocada”, explica a filha de seu José.

Alexandre Sampaio, o presidente da Associação dos Empreendedores do Pinheiro, também lamentou o fechamento do estabelecimento. “O fechamento do caldinho do Vieira e todo o drama vivenciado é o símbolo do que acontece com outras 3.500 empresas do bairro do Pinheiro, Mutange, Bom Parto, Bebedouro e agora do Farol. São empresas que amargaram o prejuízo do esvaziamento do bairro, depois amargaram a omissão do MPF que fez acordo sem definir com clareza prazo e critérios para que as empresas sejam indenizadas deixando isso a cargo da Braskem. E a Braskem simplesmente não está pagando”, critica o empresário.

Já a Braskem informou em nota que o programa de compensação sofreu alterações para atender as demandas da população atingida com o afundamento do solo. Confira um trecho da nota oficial divulgada pela empresa no qual ela explica as mudanças:

“O Programa de Compensação conta agora com uma equipe exclusiva para atender comerciantes e empresários das áreas de desocupação, ouvindo uma demanda da comunidade. Essa equipe especializada tira dúvidas e dá suporte no levantamento de informações e documentos necessários para a mudança, além de conduzir os cálculos de compensação financeira dos comércios e negócios.  O comerciante pode pedir um adiantamento dessa compensação financeira para cobrir despesas extras referentes à mudança de local, inclusive eventuais custos com as verbas rescisórias. O valor também pode ser definido de acordo com o porte de cada empresa. Se os valores adiantados forem utilizados com despesas relativas à realocação ou paralisação das atividades, não haverá desconto da indenização.”

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