Parece que o jogo virou…

Mesmo assim, público feminino tem que enfrentar velhos problemas como preconceito e assédio

Parece que o jogo virou…

Mesmo assim, público feminino tem que enfrentar velhos problemas como preconceito e assédio

Por | Edição do dia 10 de outubro de 2016
Categoria: Comportamento, Notícias | Tags: ,,,


A quantidade de mulheres gamers no Brasil vem crescendo e em 2015 o número quase se equiparou aos homens. Esse ano conseguiu superá-los: elas passaram a representar 52,6% do público que joga no país, segundo a Pesquisa Game Brasil 2016, que traça o perfil do jogador brasileiro.

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Isso não é tanta surpresa para a estudante universitária Alessandra Aleluia, que já está nesse mundo há muito tempo. Ela joga desde 2004 e se considera viciada em games. “Agora é que parei um pouco, com a faculdade tomando meu tempo inteiro, mas antes eu jogava umas 6 horas por dia. Isso de segunda a quinta. Na sexta, sábado e domingo era o dia todo”, conta.

Izabela de Freitas é outra gamemaníaca, que alterna seu tempo entre jogar, ir para a faculdade e estudar. “Jogo todos os dias. Vejo muitas mulheres iguais a mim, acredito que os homens estão aprendendo a dividir o espaço com a gente”, revela.

Um dado curioso na pesquisa, realizada pela agência brasileira Sioux, foi a forte relação entre pais, filhos e jogos. Não existem mais barreiras entre eles e muitas vezes o jogo é até compartilhado. “Meus pais jogam também, acho que herdei o vício deles. Eles são bem nerds, gostam de séries, assistem anime e jogam. Estamos planejando fazer cosplay juntos”, afirma Alessandra.

A pesquisa ouviu 2.848 pessoas, com idades entre 14 e 84 anos e traçou o perfil do gamer brasileiro, apontando os seguintes dados:

  • A maioria dos gamers tem 25 a 34 anos (34,8%);
  • Apenas 11% se considera um gamer, os outros 95% jogam para “passar o tempo”;
  • Os games mais procurados são os de estratégia (54,7%), seguido de Aventura (49%) e Ação (42,3%);
  • A plataforma preferida tem sido o smartphone, mas 78,6% dos brasileiros afirmam jogar em mais de uma plataforma;
  • Quase 90% dos entrevistados costuma jogar no trânsito (ônibus, metrô ou carro) e 74,5% jogam durante o horário de trabalho.

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Preconceito, um velho inimigo

Para Mayara Magda, jogadora desde 2005, as histórias dos jogos colocam as mulheres com um padrão geralmente sexy ou frágil, justamente para atrair o público masculino. “São poucos os personagens homens nesse estilo, mas os femininos só realçam a sexualidade e fazem com que o preconceito e assédio continuem”, explica.

Izabela também afirma sofrer preconceito por gostar de jogos online. “Já me perguntaram várias vezes se sou lésbica e já fui chamada de burra enquanto jogava. Quando não consigo avançar de nível, sempre tiram brincadeiras. Na cabeça deles, só homens podem fazer isso, até porque eu mesma sempre escutei que jogo era coisa de homem”, diz.

“Nos desmerecem pelo simples fato de sermos meninas”, desabafa Larissa Higurashi, que reconhece o aumento do número de mulheres jogando, mas ainda vê muito preconceito.

Em boa parte dos jogos online do tipo MOBA (Multiplayer Online Battle Arena) é indispensável ajuda do time para completar as missões, ou seja, as jogadoras dependem de outros competidores para avançar no game, e se identificar como mulher pode representar uma barreira na hora de crescer dentro do jogo.

Algumas jogadoras evitam usar nicks (apelidos) e expressões que as identifiquem como mulher para evitar assédios e xingamentos. “O tipo de tratamento já muda quando você diz obrigada, por isso evito e digo valeu, assim não revela nada. O nick que eu uso também é neutro, então ninguém sabe se sou homem ou mulher”, relata Alessandra, que já foi ofendida em jogos dessa modalidade.

Assim como nos jogos, elas enfrentam uma batalha atrás da outra para poder apenas desfrutar de seu hobby favorito e, como não podia deixar de ser, já colecionam algumas vitórias. O crescimento do público feminino tem feito com que produtoras de jogos repensem a visão do que seria uma personagem feminina. Personagens que lideram clãs, como em World of Warcraft, constroem um imaginário de que a mulher é poderosa e deve ser respeitada.

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