Órgãos ainda não descobriram origem de pacotes

Análises do IMA mostram que material é derivado do petróleo e já deveria estar no mar há algum tempo

Órgãos ainda não descobriram origem de pacotes

Análises do IMA mostram que material é derivado do petróleo e já deveria estar no mar há algum tempo

Por | Edição do dia 23 de novembro de 2018
Categoria: Meio Ambiente, Notícias | Tags: ,,,


As caixas “misteriosas” que aparecem desde início de outubro, continuam sendo avistadas na faixa litorânea de Alagoas e grande parte do Nordeste. Só no litoral alagoano foram encontradas mais de 80 “caixas’’. Em todo o Nordeste já passam de 160. Os materiais foram encontrados desde o Ceará até a Bahia.

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Os órgãos que estão investigando a origem do material ainda não afirmam de onde eles vieram, qual sua origem. Mas, o mistério pode está próximo do fim. Segundo a perícia feita pelo laboratório do Instituto do Meio Ambiente de Alagoas (IMA), os pacotes misteriosos se tratam de fardos de borrachas.

Segundo o gerente de laboratório do IMA/AL, Manuel Messias, foram recortadas amostras e realizada a queima localizada. “Não se trata de látex e sim de uma borracha sintética, derivada de petróleo. A base é o hidrocarboneto. Aparentemente, parece que era borracha compactada e já pronta para uso”.

Ricardo César, coordenador de Gerenciamento Costeiro do IMA, explica que o material parecia couro e tem elasticidade. “É uma borracha prensada, com grande elasticidade. No entanto, apesar da descoberta do produto, não temos como identificar sua origem. O material provavelmente estava pronto para ser usado em alguma indústria. O que notamos foi a presença de Lepa sp – um organismo de alto mar. Por isso, acreditamos que o material veio arrastado para a costa”.

César acredita que pode ter acontecido de uma embarcação ter naufragado há muito tempo e tenha sofrido uma deterioração no casco e o material tenha escapado. ‘’Porque do lado externo dos fardos possui ferrugem e blocos de ferro, dando a ideia de que estavam dentro de um contêiner em alto-mar’’.

Meio ambiente

Cada caixa pesa em média 100 quilos, no entanto tem uma densidade que a faz flutuar. Apesar de não apresentarem perigo aparente à população, o produto é altamente inflamável.

“O maior risco é para o meio ambiente, já que o plástico é um organismo difícil de ser decomposto na natureza, em torno de 100 anos. Sabemos que hoje a preocupação global é a redução de plásticos no mar”, avalia César.

Ibama aguarda laudos oficiais para saber mais sobre produto

O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) segue aguardando as análises da PF e do IMA/AL.

 

“Até o momento nem a PF e nem o Instituto, nos passou algum laudo oficial sobre o produto. Estamos aguardando os laudos oficiais. Temos que descobrir a origem e de que forma esses materiais foram lançados no mar/oceano. A partir disso, iremos avaliar as sanções a serem aplicadas – pode ser multa e comunicação de crime dependendo do contexto da ocorrência desse material”, informa Rivaldo Couto, chefe da Divisão Técnica do Ibama em Alagoas.

O IMA/AL também não tem nenhuma informação referente às ações da PF.

Polícia Federal

A reportagem entrou em contato com a PF em Alagoas,  e a assessoria de comunicação  informou que o laudo sobre as caixas “misteriosas” ainda não  está  concluído. Ele está  sendo feito pela Superintendência da Paraíba e ainda não tem  previsão de conclusão do caso.

Em entrevista para o portal Diário do Nordeste, o delegado Agnaldo Mendonça que está responsável pela investigação do caso em Alagoas, disse que a expectativa é identificar a origem do material. “A expectativa é identificar por meio de uma perícia a origem do material. A princípio vamos identificar do que se trata depois, se houver possibilidade de identificar de onde saiu esse material, e em que condições ele veio parar na costa aqui do litoral de Alagoas, seria o ideal”, disse o delegado Agnaldo Mendonça.

Biota

Várias caixas foram encontradas pelo Instituto Biota de Conservação. Mas, eles não estão fazendo o monitoramento desses pacotes. “Não estamos mais fornecendo informações sobre esses pacotes. Na verdade, apenas demos apoio inicial para os órgãos responsáveis e competentes pelo recolhimento e análise desses objetos. O Biota voltou a atuar com o que é de nossa competência que é a fauna marinha”, esclarece Bruna Teixeira.

Marinha

A Marinha do Brasil, por intermédio Capitania dos Portos de Alagoas (CPAL), informa que vem acompanhando as investigações junto aos demais órgãos envolvidos, tendo recebido o laudo técnico da Gerência de Laboratório de Estudos Ambientais (GELAB), cuja análise concluiu que o material apresenta aspectos físicos característicos de borracha sintética, no entanto, não existe informação sobre sua origem.

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