“O home office pode potencializar transtornos psicológicos”, afirma psicólogo

Por Thiago Luiz - Estagiário* | Edição do dia 23 de agosto de 2020
Categoria: Especiais | Tags: ,,


Foto: Reprodução / Internet

Com a nova realidade criada pela pandemia da Covid-19, boa parte dos trabalhadores precisaram mudar suas rotinas, mudando o tipo de trabalho para o home office. Essa alteração no cotidiano gera impactos psicológicos para muita gente. Aumento da jornada de serviços, aprender a conciliar a convivência familiar com a profissional é um desafio. E saber administrar toda essa “pressão”, é algo que poucas pessoas conseguem. Os que não conseguem, podem ter comportamentos ansiosos e/ou depressivos intensificados, de acordo com o psicólogo Carlos Gonçalves.

O especialista afirma que a adaptação à nova maneira de trabalho se tornou mais difícil porque foi imposta de uma maneira repentina. Não houve uma preparação mental. Além de precisar se adequar a um ambiente que antes era usado para descanso, tem ainda a ausência dos colegas de trabalho, que causa a sensação de isolamento e até a sensação de solidão.

Segundo o psicólogo, pequenas ações podem fazer a diferença. Ele disse que o nosso psicológico estava acostumado a uma rotina. Tomar banho, trocar de roupa, pegar condução até a empresa. Com o teletrabalho, grande parte das pessoas costuma acordar e trabalhar ainda de pijama, e não fornece a informação ao nosso corpo que está de fato começando o expediente: “É muito importante que se coloque uma rotina para que o cérebro está pronto para as atividades”.

Buscando ouvir pessoas que estejam atuando nessa forma de serviço, O Dia Mais conversou com dois estudantes de jornalismo que trabalham em veículos de comunicação e continuam trabalhando de casa.

Victor Lima disse que tem sido um desafio encarar a nova realidade: “A cultura das empresas é de sempre querer tirar o máximo do seu trabalhador. Eu percebo, conversando com amigos, que todo mundo está sendo muito exigido por diversos fatores. Tem sido extremamente estressante, porque, além da carga de trabalho maior, tem tensões familiares, tem a própria saúde mental da pessoa que não anda no melhor momento”.

De acordo com ele, a jornada de trabalho aumentou muito. Nos últimos dias, Victor disse que chegou a trabalhar por 10 horas seguidas, algo que presencialmente dificilmente aconteceria. “E essa é uma luta que tem sido constante, porque, quando o chefe não vê a sua produção, ainda que haja confiança, eu acredito que ele sempre fica mais atento, acompanha mais de perto do que nunca, até por ele mesmo estar sendo mais demandado que o normal”.

Para Debora Rodrigues, a maior dificuldade é saber dividir e administrar o tempo durante o dia: “Não consigo assimilar que apesar de estar em casa, estou trabalhando. Paro muito as atividades e acabo prolongando meu serviço”.

Por ter demorado a se adaptar, ela disse que acabou se cobrando mais e desenvolvendo comportamentos de ansiedade, como a perda do sono por pensar no que faria no dia seguinte de trabalho.

Sobre o volume de trabalho, a estudante afirmou que sentiu o aumento, principalmente porque as pessoas não entendem que, embora esteja trabalhando em casa, a carga horária não deveria mudar.

E se a adaptação ao Home Office foi delicada, a mudança nas rotinas causadas pela volta ao trabalho presencial também pode gerar impactos psicológicos. De acordo com o psicólogo Carlos Gonçalves, a saída é tentar enfrentar todas essas mudanças de uma forma positiva: “Tentar fazer da experiência a mais agradável possível, apesar de todas essas circunstâncias que estamos vivendo, é o que vai fazer a diferença. É importante perceber nossa mente, nosso corpo, dialogar com eles e que ser resiliente na capacidade tanto que teve para se adequar ao teletrabalho, como agora para a volta aos trabalhos presenciais”, finalizou o especialista.

 

*Sob supervisão.

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