Neste Dia das Mães as comemorações serão por vídeo chamadas em Alagoas

Devido o isolamento social, mães e filhos devem se contentar com o contato virtual

Neste Dia das Mães as comemorações serão por vídeo chamadas em Alagoas

Devido o isolamento social, mães e filhos devem se contentar com o contato virtual

Por Erika Messias - Estagiária | Edição do dia 10 de maio de 2020
Categoria: Especiais | Tags: ,,,,


A tecnologia será o meio de comunicação mais usado nessa pandemia (Foto: Internet)

A tecnologia será o meio de comunicação mais usado nessa pandemia (Foto: Internet)

O tradicional almoço, a reunião com filhos e netos, aquela aglomeração da felicidade que toda mãe gosta, vão ter que ser adiados neste ano. As famílias em isolamento social devido ao novo coronavírus (Covid-19) estão experimentando novas maneiras de manter a ligação do amor incondicional e não tem prova de proteção maior do que usar celulares e outros equipamentos eletrônicos para matar um pouco da saudade. Em 2020, o Dia das Mães não terá abraços para alguns, mas o afeto virtual será o presente mais valioso entre os alagoanos que estão distantes.

A recepcionista Micaele dos Santos Farias, de 24 anos, é uma dessas filhas, que pela primeira vez, não poderá sentir o toque de uma das pessoas mais importantes de sua vida. Morando em São Paulo há 8 anos, a alagoana já estava com passagens de avião compradas e data reservada para chegar em Arapiraca e matar um pouco da saudade, mas a quarentena mudou os planos.

O domingo seria mais especial para a família de Micaele, pois além de ser o Dia das Mães, é também o aniversário de 46 anos da dona Marleide Farias. Sendo uma filha que adora fazer surpresas, a alagoana combinou com os irmãos mais novos e o pai – que estavam organizando uma festa – para reunir outros familiares e realizar uma verdadeira comemoração com a casa cheia.

Micaela e sua mãe durante uma festa de batizado (Foto: Arquivo pessoal)

“Fiquei um pouco triste quando percebi que não iria voltar para a minha terra, rever meus irmãos e minha mãe. Tudo tinha sido planejada, ela até ficou chateada porque eu tinha dito que não viajaria – só para deixar a surpresa ser melhor –, mas agora com a quarentena e o risco de contaminação, acho que por hora é melhor continuar fazendo ligação de vídeo”, disse.

Logo que começaram as notícias sobre o vírus – apenas com o primeiro caso suspeito em São Paulo – Micaele até pensou em mudar as passagens e ao invés de ir para Arapiraca convencer a mãe de viajar para visita-la. No entanto, os dias foram passando e quando anunciaram o isolamento social, ela teve que desistir da ideia e recuperou o dinheiro das passagens junto a companhia aérea.

O reencontro entre mãe e filha seria marcado por mais alegria, porque uma avó reveria a neta de 6 anos e o genro, que iriam conhecer a terra natal da esposa pela primeira vez.

”Liguei para o pessoal da companhia e pedi para mudar os destinos da viajem, mas disseram que os voos estavam sendo cancelados. Meu pai me ligou falando que não tinha condições de vir com a minha mãe e eu acabei chorando por ter que cancelar toda a comemoração com a minha família, já faz três anos que não abraço ninguém”, confessou a alagoana.

Outra filha que também deve comemorar por vídeo-chamada, é a comerciante Chayanne dos Santos, de 27 anos, prima de Micaele. Ao contrário de sua parente, ela mora em Maceió e tradicionalmente organizava um verdadeiro banquete no Sítio Nicolau, povoado de Girau do Ponciano, Agreste alagoano. Ela conta que mesmo sem poder realizar a comemoração está contente em saber que a mãe está bem de saúde e sempre que podem conversam por horas ao telefone.

Esse é o primeiro ano em que a comerciante e dona Francisca – que tem apenas Chayanne como filha – irão ficar separadas, porém as duas sentem que a ligação maternal segue firme e não será um vírus que vai mudar o sentimento. Chayanne é casada há dois anos e ainda não tem filhos, porém, acredita que a data deve ser felicitada todos os dias, já que ser mãe é para ela uma dádiva divina.

Dona Francisca e a filha Chayanne irão comemorar com amor virtual (Foto: Arquivo pessoal)

“Não acho triste ficar sem organizar nosso almoço tradicional, até porque não ficamos um dia sem ligar uma para a outra e talvez essa situação de pandemia sirva para fortalecer os laços entre muitos filhos e mães que vivem separados, eu mesma já me sinto ligada de todas as formas de amor com a minha e ela é meu maior presente nessa data”, declara.

Mas o isolamento não deve impedir a entrega de presentes e a festa particular delas, pois Chayanne combinou de preparar um almoço simples junto com o marido e dona Francisca afirmou para a filha que iria fazer a mesma coisa, assim, durante uma vídeo-chamada, elas poderão manter os costumes de forma mais tecnológica.

“O celular facilitou muito e ainda bem que minha mãe aprendeu a usar o dela em tempo rápido, acho que será um domingo de alegria para minha pequena família. Ficar em casa é nossa melhor opção e rezo todos os dias para que as outras pessoas que não moram com suas mães, mesmo que com muita saudade, obedeçam as regras até que tudo volte ao normal”, fala a filha de dona Francisca dos Santos.

A saúde mental é importante nesse dia das Mães

Com o isolamento social, nem todas as famílias estão por perto ou podem frequentar o mesmo ambiente, justamente pelo fato de ser proibido deixar seu local de quarentena. Os questionamentos sobre a sensação de se sentir sozinho e de que, nesse momento, todos os sentimentos estão aflorados pelo medo da contaminação, podem afetar a saúde mental.

Especialista faz orientações para manter a saúde mental (Foto: Arquivo pessoal)

    Especialista faz orientações para manter a saúde mental (Foto: Arquivo pessoal)

As redes sociais se tornaram um palco virtual para muitos anônimos e famosos perguntarem aos seus seguidores sobre como lidar com o isolamento sem desenvolver ansiedade ou até mesmo depressão. A tristeza por não poder abraçar e receber o carinho especial que só o Dia das Mães proporciona também pode ser um gatilho para quem tem tradições e gosta de manter os vínculos físicos como mais uma forma de demonstrar amor.

O psicólogo Edvan Filho explica que o processo de isolamento social realmente afetou a rotina de todos e que a ansiedade é um dos fatores psicológicos que mais está sendo apresentada nesse momento de quarentena. Entretanto, para melhor lidar com esse processo, aconselha-se a prática de exercícios em casa, ter boa alimentação, leitura. Praticar atividades que te façam bem.

“Para aqueles que estão longe da mãe por questões do isolamento social, podem estar usando da tecnologia para falar com as pessoas que gostam, com a sua mãe, mandar vídeo, fazer uma homenagem para ela e mandar, neste momento que não podem estar próximo. Existe a saudade, então nada melhor para lidar com ela que se sentindo mais próximo com o uso da tecnologia. A saúde mental é importante nesse processo de isolamento, então devemos refletir e ver as possibilidades para estar bem”, destaca o especialista.

Com as diversas proibições relacionadas aos decretos emergenciais, muitas pessoas descobriram que é possível ter orientações psicológicas por telefone e as perguntas frequentes durante essas consultas são sempre ligadas ao equilíbrio mental. Edvan faz esse tipo de trabalho e afirma que o ideal é ter cuidado com os excessos, pois o fator isolamento e toda a informação – principalmente as fake news – gerada entorno do vírus pode fazer mal.

“Devemos ter cuidado com os excessos de informações e se cuidar, para aqueles que se sentem sozinho, recomendo, ligar para um amigo ou parente, buscar fazer algo que te deixe tranquilo, escutar música também ajuda no processo. Porém, o bom é usar da tecnologia para estar um pouco mais próximo. Também ajuda estar no processo de psicoterapia. Nesse momento de isolamento é recomenda a modalidade online e nos casos de urgência, a presencial”, explica.

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