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Veterinária realiza pesquisa científica inédita sobre o modo de criar cães e gatos e aponta situação preocupante em Maceió

Deisy Nascimento / 5:21 - 31/05/2017

Relatório técnico foi elaborado e traz resultados estatísticos que apresentam o comportamento das pessoas com estes animais em Maceió; Estado de Alagoas ainda não havia sido incluso nessa descrição


(Foto: Deisy Nascimento)

(Foto: Deisy Nascimento)

Representantes do Núcleo de Educação Ambiental Francisco de Assis (NEAFA), Pallova Costa (coordenadora), Elizabeth Lima (veterinária e responsável técnica do NEAFA) e a Evelynne Marques (veterinária e pesquisadora), se reuniram em novembro do ano passado com o presidente do Conselho Regional de Medicina Veterinária (CRMV), o veterinário Thiago Moraes, com o zootecnista Samy Barros do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) e com a veterinária Patrícia Magalhães da ANCLIVEPA, para apresentar o Guia Educativo que é resultado de dados estatísticos e pesquisa científica inédita realizada na ONG nos anos de 2015 e 2016 que tem por finalidade ajudar as pessoas que convivem com cães e gatos, e que diariamente apresentam suas dúvidas em consultas realizadas.

O Guia Educativo denominado “O Neafa te ensina a cuidar!” possui 67 páginas e procura esclarecer as necessidades básicas e fundamentais no convívio com felinos e caninos mantidos em contato com as pessoas. A ONG entendeu que somente educando será possível alcançar uma convivência mais saudável entre os tutores e seus animais.

Dados estatísticos

Após a divulgação do IBGE de 2014, sobre a identificação de quase 70 milhões de cães e gatos nos domicílios brasileiros, a pesquisa motivou a investigação o comportamento das pessoas com seus animais, sendo estes totalmente dependentes do ser humano para a determinação de seus cuidados básicos. Realidade considerada um desafio para a classe médica veterinária, segundo o Conselho Federal de Medicina veterinária (CFMV).

Vitoria e seu filho escolhem gato para cuidar

(Foto: Deisy Nascimento)

No Brasil, há dados científicos estatísticos que apresentam o comportamento das pessoas com estes animais em várias cidades, porém Alagoas ainda não havia sido incluída nessa descrição. São eles: 83% mulheres e 17% homens criadores desses animais; maioria 89,25% com nível escolar médio e renda média de 6 salários; 64,75% e 35,25% tinham idosos e crianças na residência; dentre os animais: 64,75% eram felinos e  35,25% caninos; 74,5% alimentados com ração; 44,75% não vacinados; 34,25% não vermifugados; 45,5% não comba te ectoparasitas; 96% não tem rotina ao veterinário; 19,75% não podem pagar consulta; 40,5% e 14,75% não sabem importância de vermifugar e vacinar; 13,75% dormem na cama dos donos; 41,25% passeiam livres na via pública, onde são evidenciados pela primeira vez os modos de criação de cães e gatos da população em Maceió (AL), que é um município com baixos níveis de cuidados e compreensão, sendo assim os animais são expostos ao risco zoonótico, necessitando de medidas sanitárias educativas que levem informação do veterinário às pessoas, principalmente onde ocorra doação, venda e consultas de animais em  feiras, abrigos, CCZ, canil e gatil comerciais e lojas.

De acordo com a veterinária e pesquisadora Evelynne Marques, os dados do IBGE comprovam que a convivência com cães e gatos será crescente, comprando ou recolhendo-os das ruas, de modo que a saúde pública, a nível de governo, deva voltar atenção para essa relação, pois se o cidadão não compreende a importância dos cuidados básicos aos seus bichos de estimação, tende a negligenciar os riscos zoonóticos expostos à saúde dele. “É essa falta de compreensão que resulta no adoecimento do animal, no seu abandono na via pública, no não recolhimento das fezes do cachorro na calçada, não administração de vermífugo e vacina e a permanência destes livres nas ruas; situações que trazem prejuízo ao animal e ao homem. Os microorganismos causadores de doenças, fazem parte do meio ambiente e os animais não se cuidam sozinhos. Para evitar que adoeçam e acidentalmente sejam transmissores, as pessoas precisam receber informações, e sendo o serviço veterinário privado, o Governo deve se preocupar com a inacessibilidade da maioria. Muita gente cria o animal há anos afirmando que não sabia que precisava vermifugar; e isso é preocupante, já que muitos nascem parasitados. A saída é utilizar mecanismos de educação ambiental e entender que através do equilíbrio em saúde atinge-se inclusive o bem-estar animal, ” destaca Evelynne Marques.

Ela acrescenta ainda que os dados estatísticos resultantes de pesquisa científica foram norteadores para a produção do Guia Educativo, por deixar claro onde estão as principais necessidades para orientar as pessoas que convivem com cães e gatos orientar quanto aos cuidados com a sanidade dos animais. A reunião ocorrida com o CRMV, CCZ e Anclivepa surgiu em um momento no qual estávamos precisando de apoio para colocar esse projeto em prática. Busca-se ainda apoio junto ao município e estado para que se envolvam multiplicando o acesso do cidadão ao material em uma quantidade, beneficiando a sociedade no sentido de controlar zoonoses, já que as orientações previnem diversas doenças transmitidas aos seres humanos.

Veterinaria Lysanne Medeiros orienta tutoraÓrgãos apoiam impressão de Guia Educativo 

O presidente do CRMV, Thiago Moraes, achou a iniciativa do NEAFA de extrema importância, pois mostra a preocupação da ONG com a saúde da população e o próprio bem-estar animal. “Se este projeto for abraçado pelos órgãos responsáveis vai trazer muitos benefícios a todos os envolvidos. Tentarei junto ao Conselho Federal de Medicina Veterinária levar esse projeto para frente”.

O zootecnista Samy Barros apresentou o projeto a coordenação do CCZ e desde então discute meios para possibilitar a impressão do material. “Esse guia é muito importante para esclarecer dúvidas da população relacionadas aos cuidados dos pets. Já avaliamos o material e em breve teremos novidades acerca de um número maior de exemplares”.
“Vamos abrir espaço através da ANCLIVEPA para que sejam realizadas palestras voltadas para estudantes e técnicos relacionadas ao guia. Além disso, pretendemos conseguir as impressões junto aos nossos parceiros”, pontuou a veterinária Patrícia Magalhães.

Ao conhecer o Guia Educativo, o secretário de Comunicação do município de Maceió, Clayton Santos, se mostrou bem interessado na impressão e distribuição de forma gratuita à população. “Precisamos ter esse material para distribuir durante as ações da Prefeitura de Maceió. É um guia bem explicativo, detalhado e com informações que vão desde bem-estar animal a legislação. As pessoas precisam aprender a lidar com seus animais para assim evitar riscos de doenças que possam ser transmitidas, isso é educação ambiental, prevenção”, declarou.

Acesso ao Guia Educativo

O Guia Educativo foi divulgado em vários meios de comunicação como forma de facilitar o acesso às pessoas que ainda não sabiam de tal produção científica. A pesquisadora Evelynne Marques explicou em diversas ocasiões de suas entrevistas  os benefícios que as pessoas podem ter ao seguir as dicas dadas através do material. “Queremos com isso estimular a educação ambiental, a prevenção de doenças e a orientação e o guia disponibiliza tudo isso”.

O guia completo pode ser acessado através do site http://neafa.org.br/guia-educativo-do-neafa/ , na fan page da ONG ou ao adotar um cão ou gato na sede do NEAFA. Após o apoio de algumas pessoas e empresas parceiras, a ONG conseguiu a impressão de 200 unidades do material, mas ainda é pouco diante do quantitativo de pessoas que procuram pelo guia. “Queremos imprimir ao menos quatro mil exemplares, para assim distribuir em ações que realizamos, como é o caso de feira de adoção, palestras, idas as escolas e faculdades, bem como durante visitas aos bairros com comunidades mais carentes, e em grotas, estes dois últimos locais que possuem um grande número de animais errantes”, relatou a coordenadora do NEAFA, Pallova Costa.

Para a médica veterinária e responsável técnica, Elizabeth Lima, o principal é que a informação está didática e acessível para todo mundo. “Os proprietários têm dúvidas básicas ligadas aos cuidados sobre como cuidar dos seus pets, e o guia tende a minimizar a falta dessas informações. Isso não quer dizer que o guia irá substituir a consulta veterinária, porém ajuda e muito no sentido do tutor conhecer melhor seu cão ou gato”, explicou.

Desde a impressão do primeiro guia educativo, o NEAFA entrega exemplares aos novos tutores de animais. Já foram entregues cerca de 100 guias e a esperança é aumentar ainda mais essa demanda. A tutora Veridiana Vieira, que cria alguns cães e gatos, teve acesso ao guia educativo e disse que é muito importante ter acesso a informação de como cuidar da forma correta. “Evita automedicação do animal, e orienta sobre zoonoses que muitas vezes não conhecemos. Quando eu estiver com alguma dúvida irei consultar o guia, mas além disso encaminharei meu animal ao médico vete rinário”, finalizou.

Guia recebe selo internacional
O sistema Insternational Standard Book Number (ISBN) é controlado pela agência internacional, que orienta, coordena e delega poderes às agências nacionais, e no Brasil é representado pela Fundação Biblioteca Nacional tendo a função de atribuir os códigos de cada livro editado no nosso país. O guia educativo do NEAFA recebeu o selo ISBN. Para receber este selo, é necessário se adequar a alguns pontos exigidos pela agência do ISBN.
Esse selo confere identidade mundial ao material e permite que o material seja mantido em bases de dados como bibliotecas físicas e virtuais, como é o caso dos guias educativos do NEAFA e do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ), cada um tem o seu selo específico apto a ser mantido inclusive em bibliotecas escolares.  O guia digital ancorado no site do neafa também tem selo ISBN que protege e confere identidade ao material.

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