Músico alagoano busca formas de financiar mestrado nos Estados Unidos

Por Diogo Braz - Assessoria | Edição do dia 1 de setembro de 2020
Categoria: Cultura | Tags: ,,


Foto: Reprodução / Alagoas Boreal

Pode-se dizer que um dos poucos consensos que restaram nesses dias polarizados é que Alagoas é uma terra de artistas talentosos, nem sempre desfrutando dos benefícios da fama, mas com grande prestígio entre seus pares em diversos cantos do planeta. Esse é o caso do músico maceioense Leandro Amorim, recém-aprovado com honras no Mestrado em Artes/Jazz Drums no California Institute of the Arts (CalArts), em Los Angeles, que corre contra o tempo para conseguir levantar os fundos necessários para financiar o seu sonho.

A paixão de Leandro pela música revelou-se ainda cedo. Encantado pelo ritmo dos tambores, empreendeu com afinco até conquistar seu espaço como baterista na cena musical alagoana e sentir a necessidade de se aprofundar também nos aspectos teóricos e acadêmicos dessa arte. Hoje, além de músico, é professor e pesquisador, desenvolvendo um profundo trabalho de pesquisa que busca reconhecer o lugar da bateria na música contemporânea, através do diálogo entre as raízes do instrumento e a Música de Vanguarda.

A trajetória do baterista inspira e mostra como a combinação entre arte e educação pode propiciar voos altos. Leandro iniciou seus estudos formais em Música na Escola Técnica de Artes da Universidade Federal de Alagoas (ETA/Ufal), na classe do professor Augusto Moralez. Nesse período, foi bolsista da Orquestra Sinfônica Universitária da UFAL (OSU), como percussionista erudito. Em 2016, mudou-se para São Paulo, onde graduou-se em Percussão pela Universidade Estadual de São Paulo, tendo estudado com músicos como Carlos Stasi, John Boudler e Eduardo Gianesella. Durante a graduação, fez parte do mais aclamado grupo de percussão da América Latina, o Grupo PIAP, e foi bolsista da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP). 

Em sua formação, Leandro também contou com aulas de Carlos Ezequiel, Carlos Bala, Leandro Lui e mais recentemente com Sérgio Vieira, além de diversos workshops, com artistas como Edu Ribeiro, Antonio Sanchez e Jason Marsallis (LCJO). Nessa jornada, ele desenvolveu uma sensibilidade apurada que o faz transitar com desenvoltura entre a Música Popular e a Erudita. Foi baterista do duo Divina Supernova – com quem gravou dois discos e fez turnês no Brasil e Estados Unidos – e alcançou as credenciais para tocar em espetáculos nas mais importantes casas de concerto de São Paulo, com orquestras, e grupos como: Orquestra Acadêmica Mozarteum Brasileiro, Bachiana Filarmônica Sesi-SP, Orquestra Sinfônica de São Caetano do Sul e Orquestra Filarmônica de Santos, CoralUSP, GReCo, e artistas renomados como Jean William, Camerata Fukuda, Maciej Pikulski, Timur Martynov, Leonard Elschenbroich, Ebony Preston, Derrick Lawrence, Anna Netrebko, Yusif Eyvazov, Vocal Six, Maestro Luís Gustavo Petri, Maestro Carlos Moreno, Maestro João Carlos Martins, entre outros. 

Em janeiro de 2019, foi aluno visitante no CalArts, onde teve aulas de Bateria com Joe Labarbera (Bill Evans, John Scofield e Tony Bennett) e também visitou a University of South California, onde teve aulas com Peter Erskine (Weather Report, Steps Ahead e Eliane Elias). Este ano, recebeu aprovação com honras para cursar Mestrado em Artes/Jazz Drums no instituto. Na folha de comentários da banca de seleção não faltaram elogios. “Foi um prazer avaliar o portfólio do Leandro. Ele é um músico destacado, versátil e amplo em suas experiências musicais. Tem uma abordagem muito criativa e original, mas é realmente sólido em muitas tradições diferentes. Ele é um artista articulado e expressivo e, sem dúvida, uma pessoa madura e pensante. Ele teria sucesso no Calarts de muitas maneiras, e estou muito animado com a possibilidade de tê-lo em nosso programa”, avaliou o pianista David Roitstein, diretor do programa de mestrado do Calarts. Essa boa avaliação o rendeu a prestigiada bolsa de estudos Lillian Disney Award. Apesar do valor da bolsa ter sido alto para os padrões do CalArts, cerca da metade do curso deve ser custeada pelo próprio Leandro, pois a universidade não oferece nenhuma espécie de bolsa integral.

Além da restrição de verbas para educação, da falta de patrocinadores e de políticas públicas para cultura, o panorama de estagnação econômica do setor artístico causado pela Covid-19 impede que o músico se capitalize por meio daquilo que faz melhor: a sua arte. Nesse cenário, o desafio de Leandro ganha contornos maiores. Por conta da pandemia, Leandro precisou adiar sua matrícula para Janeiro de 2021. Até lá, o músico precisa arrecadar 53 mil dólares para garantir o primeiro dos dois anos do curso, o que o possibilitará seguir com suas pesquisas. Pensando em estratégias para sensibilizar patrocinadores, órgãos de cultura e o público tão acostumado a lhe aplaudir nos palcos, Leandro tem o projeto de, em troca de financiamento, oferecer cursos, workshops, oficinas e palestras gratuitas para músicos alagoanos, nas quais ele pretende repassar o conhecimento que vem adquirindo em sua carreira. “É uma ideia que sempre tive, de poder compartilhar conhecimento, de proporcionar acesso a educação, que muitos músicos aqui em Alagoas não possuem. Penso como isso é importante principalmente para jovens, mas é algo que pode acrescentar muito também a músicos já profissionais. É algo que eu já faria de qualquer maneira, e esse parece ser um bom momento”. O projeto pode beneficiar não somente o Leandro, mas dezenas de jovens músicos a terem um caminho parecido com o dele, especializando-se para buscar o seu lugar de atuação, seja pelo lado artístico, nos palcos, ou pelo lado teórico, acadêmico. Os interessados em contribuir com esse projeto, podem entrar em contato diretamente com o artista, pelo e-mail: leandro.amorim@unesp.br

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