Mulheres vão às urnas como pré-candidatas coletivas à Câmara Municipal de Maceió

Elas são educadora, enfermeira e policial civil dispostas na luta pelas mulheres.

Por Assessoria | Edição do dia 16 de agosto de 2020


A modalidade da candidatura coletiva nas eleições deste ano parece que veio para ficar. Pelo menos está estimulando mulheres com um perfil à esquerda a uma participação mais efetiva no processo eleitoral.

As candidaturas coletivas, embora não previstas na legislação eleitoral, são vistas como um fenômeno tipicamente brasileiro, que se tornaram uma alternativa diante da crise de representatividade na política nacional.

Em Maceió, três mulheres estão se apresentando nas redes sociais como pré-candidatas coletivas. Uma é policial civil, uma enfermeira e uma trabalhadora da área da educação.

No Instagram, assim elas se apresentam

-Sou  Eulina Neta – Policial Civil há 18 anos. Durante minha vida profissional atuei em espaços de enfrentamento à violência contra a mulher. No campo da militância integrei o Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Mulher – CEDIM/AL, o Fórum Autônomo de Mulheres de Alagoas e o Instituto da Mulher. A necessidade de estabelecer um núcleo gestor e de monitoramento para enfrentar a violência sistêmica contra as mulheres me motivou a assumir o lugar de pré-candidata a vereadora para uma gestão coletiva na Câmara de Vereadores de Maceió.
Vem com a gente!

Sou Jorgina Sales –  Enfermeira, professora universitária, atuo no campo da saúde mental e no cuidado às pessoas em situação de rua. Inicialmente passei a participar do coletivo #EPelaVidaDasMulheres enquanto apoiadora. Porém, nesse processo de construção me apaixonei pela proposta de contribuir para a concretização de uma câmara municipal diversa aonde as mulheres marquem posição a partir das propostas políticas comprometidas com a #DEFESADOSUS e fortalecimento da saúde pública. Ser co-vereadora significa somar forças para ocuparmos juntas os espaços de decisão.

Sou Mauriza Cabral – Integro o coletivo #É PelaVidaDasMulheres. Trazemos uma proposta de candidatura coletiva para a Câmara de Vereadores de Maceió. Somos diversas e de lugares distintos. Entendemos que a limitação da representação feminina nos espaços de decisão também limita o nosso acesso às políticas públicas de educação e trabalho.

Como pensam elas candidatas coletivas

-Nós mulheres ocupamos diversos lugares de atuação política a partir dos espaços de controle social, como os Conselhos de Saúde, Educação, Assistência Social, Mulheres e Moradia no sentido de pensar, propor e monitorar a implementação das políticas públicas. No entanto, quando é para assumir os espaços de decisão, ou como dizemos popularmente, o poder da caneta na mão, não somos priorizadas pelos partidos e facilmente nossas ideias são descartadas. A pré-candidatura coletiva para Maceió vem sendo gestada desde o ano de 2018, quando no evento de homenagem a “Mulheres que brilham!”, fizemos uma grande reflexão sobre micro poderes e as dificuldades de chegar ao parlamento e gestão de pastas importantes para a economia, enfrentamento a pobreza e segurança pública. Ali percebemos que juntas poderíamos potencializar um coletivo para concorrer à vereança em 2020. Pois, estamos em espaços diversos com as mesmas dores e percebemos que juntas podemos nos multiplicar.

O que é uma candidatura coletiva?

-Numa candidatura coletiva – como o nome já diz – cada pré-candidata assume durante a gestão uma pauta para cuidar. A chapa “#ÉPelaVidaDasMulheres” caso eleita, na condição de co-vereadoras, todas nós teremos responsabilidades partilhadas e devemos assumir o compromisso de planejar a gestão junto com as comunidades.

É necessário que a sociedade entenda como funciona a LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias), pois se os recursos são públicos é a sociedade organizada que precisa decidir o que fazer.

Do ponto de vista da organização política da forma que está dada, entendemos que a personificação envaidece, mutila e desvirtua o sentido real do fazer política.

É importante estabelecermos processos democráticos que garantam a representatividade. Nós mulheres, negras, lésbicas, vindas de classes C e D, atualmente não participamos das decisões e isso precisa mudar.

O compromisso com o desenvolvimento humano e social urge! Já estamos passando da hora de ocupar a política. Costumamos dizer que: “Um Estado que não valoriza as mulheres, não consegue potencializar a sua juventude, não cuida dos seus idosos e não protege suas crianças”.

Após o processo pandêmico que está em curso, teremos um cenário praticamente de pós-guerra: desigualdade social, fome e violência. Então cabe ao parlamento ficar atento ao destino dos recursos e apontar estratégia para que o caos não consolide a extrema pobreza.

Como atrair o eleitorado para as propostas?

Numa proposta de radicalizar a democracia, precisamos está atentas ao diálogo, mas é o eleitorado que decide quem quer como representante. Somos mulheres atuando profissionalmente na segurança pública, na saúde, na educação e com implementação de políticas públicas. Conhecemos de perto, a partir das nossas experiências como funciona a cidade de Maceió. É por isso que resolvemos nos juntar e potencializar o coletivo #ÉPelaVidaDasMulheres, na busca de uma Maceió Feliz.

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