Mulheres de Alagoas fazem ato contra a cultura do estupro neste sábado

Mulheres de Alagoas fazem ato contra a cultura do estupro neste sábado

Por | Edição do dia 3 de junho de 2016
Categoria: Alagoas, Notícias | Tags: ,,


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Ato no dia 27.05 após reunião das mulheres na ocupação do Iphan (Foto: Facebook/Mulheres em Luta)

Depois que veio à tona o caso do estupro coletivo de uma jovem de 16 anos, no Rio de Janeiro, mulheres e meninas de todas as idades e de todas as partes do país começaram a se organizar para denunciar não só o caso, mas colocar em pauta a cultura do estupro. Diversos atos já aconteceram desde então. Neste sábado (4), as mulheres alagoanas voltam a se manifestar em ato público às 14h, no antigo Alagoinhas, praia de Ponta Verde.

“O objetivo é dar uma resposta ao ocorrido. Acho que sensibilizou a todas nós, tanto do movimento de mulheres, mas principalmente mulheres independentes que sabem com certeza que a qualquer momento isso pode acontecer conosco. O ato é uma resposta, está aglutinando várias pessoas. A nossa primeira reunião teve cerca de 200 pessoas. Na própria organização, há uma galera muito importante construindo e a gente está torcendo para que seja um ato muito bonito”, informou Luciane Araújo, uma das organizadoras do ato e militante do Movimento Mulheres em Luta.

Quando se fala da luta das mulheres, as pautas emergenciais se transformam em muitas. Luciane acredita que é necessário que as mulheres se organizem para potencializar suas lutas.

“Todas as pautas, seja o machismo cotidiano que a gente sofre a partir de assédio moral, a cultura do estupro, a violência que a gente sofre nos ônibus, as agressões físicas. Eu acho que as mulheres precisam se organizar, fortalece bastante a gente estar num grupo de mulheres e ter uma política para ação”, concluiu Luciane.

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Banner de divulgação do ato em Maceió (Foto: Facebook)

O movimento do qual Luciane faz parte, o Mulheres em Luta – Alagoas, lançou um vídeo falando sobre alguns dados da violência sexual no país e também um chamado para o ato. Assista clicando no link:  https://goo.gl/vAoGVZ.

Machismo em Maceió

O caso que atingiu repercussão nacional não é isolado. Em pequenas ou grandes proporções, o machismo aparece e está enraizado de uma forma que acaba sendo refletido em propagandas publicitárias e, em casos recentes, em produtores de festas e estabelecimentos comerciais de Maceió.

A estudante de História da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), Gisele Siqueira, relatou nesta quarta-feira (1), em suas redes sociais, o caso de uma barbearia em Maceió que desrespeitou a mulher em suas publicações. Ao invés de “deixar pra lá”, ela denunciou o caso. A publicação atingiu um grande número de comentários, compartilhamentos e discussões.

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Print da publicação no Instagram do estabelecimento (Foto: arquivo)

“Uma amiga me mandou o link do Instagram deles em que continha um vídeo com uma mulher de lingerie fazendo a barba de um homem em posições sensuais. No texto da publicação e nos comentários muita objetificação, dizendo que só iriam se tivesse a mulher, que iriam deixar a barba crescer só pra isso e coisas desse tipo. Usando a mulher como atrativo. Eu e umas amigas fomos no perfil da barbearia dizer que aquilo era machista e que mulher não era pra ser usada como atrativo. E eles simplesmente excluíram todos os comentários e bloquearam todo mundo. Não houve uma explicação ou retratação”, explicou a estudante.

Para ela, lutar contra a cultura do estupro, primeiramente, é lutar contra a objetificação da mulher, sendo dever de todos mudar essa realidade. Mesmo o machismo sendo uma cultura que está posta há muito tempo, hoje ele está mais em pauta porque as mulheres estão mais conscientes e fortes.

“Na minha concepção sempre aconteceu só que ninguém dava importância porque o machismo sempre foi ‘normal’. Só que nos últimos anos a força feminina vem crescendo muito e a gente não deixa passar nada. Expõe, grita, mostra que machismo não será mais tolerado”, concluiu Gisele.

Entenda o caso do estupro coletivo no Rio

No final de maio, 33 homens abusaram sexualmente uma jovem de 16 anos, numa comunidade da Zona Oeste do Rio de Janeiro. Não satisfeitos, gravaram um vídeo e fizeram fotos da vítima desacordada, que foram lançados nas redes sociais.

Após isso, uma revolta tomou conta da internet e o crime começou a ser denunciado. Imagens chocantes e comentários agressivos tanto indicaram que o estupro realmente aconteceu como os suspeitos brincaram com a situação.

A Polícia Civil identificou sete suspeitos e dois estão detidos. A delegada do crime Cristiana Bento informou numa entrevista coletiva nesta segunda-feira (30) que, através de uma perícia, a polícia já comprova o estupro. De acordo com o chefe da Polícia Civil, houve sim estupro coletivo.

*Com supervisão da editoria.

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