Muhammad Ali, “O Maior” do século XX, morre aos 74 anos

Nascido Cassius Clay, boxeador fez história dentro e fora dos ringues, lutando até contra o Super Homem

Muhammad Ali, “O Maior” do século XX, morre aos 74 anos

Nascido Cassius Clay, boxeador fez história dentro e fora dos ringues, lutando até contra o Super Homem

Por | Edição do dia 4 de junho de 2016
Categoria: Notícias | Tags: ,,,


O lendário boxeador Muhammad Ali, um dos maiores esportistas do século XX, morreu na noite desta sexta-feira (03) aos 74 anos. A informação sobre a sua morte só foi conhecida na madrugada de hoje, sábado (04), em comunicado oficial da família e publicação em seu site e redes sociais. Ele estava internado em um hospital de Phoenix, capital do estado norte-americano do Arizona, desde o início desta semana, para tratar de problemas respiratórios.

Muhammad Ali, nascido Cassius Clay e que há 30 anos foi diagnosticado com a doença de Parkinson, era conhecido como pelo título “O Maior” (The Greatest), por ter obtido três vezes – em 1964, 1974 e 1978 – o título de campeão mundial de pesos pesados em uma carreira de 21 anos. Ele ganhou o primeiro título mundial aos 22 anos, em 1964, em uma luta contra Sonny Liston, até então considerado um lutador praticamente invencível.

Vitória sobre Sonny Liston em 1965, em apenas um round, pelo título dos pesos pesados (Foto: reprodução Facebook Muhammad Ali)

Vitória sobre Sonny Liston em 1965, em apenas um round, pelo título dos pesos pesados (Foto: reprodução Facebook Muhammad Ali)

O boxeador se destacou também por lutar abertamente, com sua língua afiada, contra o racismo nos Estados Unidos, em uma época em que os atletas negros costumavam agradar a elite esportiva branca para buscar riqueza e se transformar em celebridades. Ali também desafiou a legitimidade da guerra do Vietnã, ao se recusar, em 1967, a se alistar no exército norte-americano em uma época em que poucos cidadãos ousavam protestar contra o serviço militar, um ato considerado de desobediência civil. Tal atitude custou caro a Muhammad Ali que foi suspenso do boxe por mais de três anos.

“Eu me oponho fortemente ao fato que tantos jornais deram ao público americano e ao mundo a impressão de que eu tenho apenas duas alternativas ao tomar essa posição – ou eu vou para a cadeia ou vou para o exército. Há outra alternativa e essa alternativa é justiça”, disse Ali, em uma de suas várias declarações poderosas em defesa dos direitos civis.

Nelson Mandela e Ali, uma das várias personalidades com quem o boxeador conviveu (Foto: reprodução Facebook Muhammad Ali)

Nelson Mandela e Ali, uma das várias personalidades com quem o boxeador conviveu (Foto: reprodução Facebook Muhammad Ali)

Em outra atitude de desafio à tradição cultural e religiosa dos Estados Unidos, o boxeador mudou seu nome de Cassius Clay, como havia sido registrado em sua certidão de nascimento, para Muhammad Ali depois que anunciou, em 1975, a adesão ao islamismo, em um período em que parte da imprensa e agentes do FBI (a polícia federal norte-americana) consideravam a religião muçulmana como um culto destinado a destruir os Estados Unidos.

Antes de entrar no mundo das competições esportivas, o jovem Cassius Clay era um estudante pobre. Segundo sua esposa Lonnie Ali, ele lutava para conseguir ler, provavelmente porque tinha dislexia. Ele descobriu seu talento para o boxe por acaso: aos 12 anos, foi a uma delegacia de polícia para dar queixa de que sua bicicleta tinha sido roubada. Um policial convidou Cassius para se juntar a um grupo de jovens pugilistas, que treinavam em um ginásio no centro de Louisville.

Luta contra o Super Homem

Muhammad Ali foi considerado o maior esportista do século 20 pela revista Sports Illustrated e personalidade desportiva do século passado pela BBC. Ele escreveu alguns livros sobre sua carreira, entre eles, “The Greatest: minha própria história”. No entanto, uma das publicações mais inusitadas da qual fez parte com certeza é a revista em quadrinho da DC Comics na qual Ali enfrenta nada mais, nada menos, que o Filho de Krypton, o Superman.

Na capa, várias celebridades foram colocadas em meio ao publico, como o grupo Jackson 5, no canto superior esquerdo, e o Batman, no canto inferior direito (Imagem: internet)

Na capa, várias celebridades foram colocadas em meio ao publico, como o grupo Jackson 5, no canto superior esquerdo, e o Batman, no canto inferior direito (Imagem: internet)

O inusitado encontro foi lançado originalmente em 1978 (chegou ao Brasil apenas no ano seguinte) e publicado em formato gigante. A história foi escrita por Dennis O’Neil com desenhos de Neal Adams, dois veteranos da indústria de quadrinhos norte-americanos e dois mestres no ofício. Na trama, a Terra recebe a visita da raça alienígena Scrubb. O líder da esquadra, Rat’Lar, informa que o nosso planeta será destruído a menos que o campeão da Terra  enfrente o campeão dos Scrubbs. Super Homem se oferece para a luta, mas o alienígena o descarta porque, além de não ser terráqueo, ele possui superpoderes. O então campeão dos pesos pesados Muhammad Ali decide lutar pela Terra.

No entanto, o Scrubb diz que os dois devem lutar entre si e o vencedor conquistaria o direito de lutar. Então, sob a luz de um sol vermelho que o transforma numa pessoa comum, Super-Homem recebe treinamento de boxe de Muhammad Ali – e apanha um bocado, também – ao mesmo tempo em que traça estratégias para derrotar os invasores.

Super Homem apanhando pesado de Ali na HQ (imagem: internet)

Super Homem apanhando pesado de Ali na HQ enquanto o público vibra e torce pelo boxeador (imagem: internet)

É de Muhammad Ali a famosa frase utilizada pela Nike, “Impossible is nothing/O impossível não existe”: “O impossível é apenas uma grande palavra usada por gente fraca, que prefere viver no mundo como ele está, em vez de usar o poder que tem para mudá-lo, melhorá-lo. Impossível não é um fato. É uma opinião. Impossível não é uma declaração. É um desafio. Impossível é hipotético. Impossível é temporário. O impossível não existe.”

Até o dia do enterro, previsto para quarta-feira, haverá homenagens ao boxeador em várias cidades dos Estados Unidos. Neste sábado, haverá homenagem em Louisville, Kentucky, sua cidade natal.

Deixe uma resposta

Publicidade
 
 
Publicidade

2019 O dia mais - Todos os direitos reservados