, Quarta-Feira - 18 de Setembro de 2019

 

Moradores resistem em imóveis na ‘área vermelha’

Deraldo Francisco - Repórter O DIA ALAGOAS / 2:07 - 27/01/2019

No Pinheiro, reina ‘desesperança’ de encontrar responsáveis pelos tremores e de ajuda efetiva do poder público


Casa símbolo do problema, na rua Mário Marroquim, tem caverna no interior da cisterna, afundamento e várias rachaduras.

Casa símbolo do problema, na rua Mário Marroquim, tem caverna no interior da cisterna, afundamento e várias rachaduras.

“No final de tudo, a culpa será da natureza. Esses problemas todos nos nossos imóveis são de responsabilidade de um fenômeno natural. Pronto. Estará tudo resolvido”. As declarações são da aposentada Ivânia Rodrigues Gonzaga, de 63 anos, que mora há mais de 30 no apartamento 209, Bloco 8-B, do Residencial Divaldo Suruagy. Ela conta que não tem esperanças de que os estudos que estão sendo feitos no bairro apontem para uma responsabilização. Para ela, “a natureza vai pagar o pato” e os moradores ficarão no prejuízo.

Assim como ela, dezenas de moradores têm esse pensamento e isso está um dos fatores para a resistência em sair dos imóveis. “Puxei um engenheiro desses [Defesa Civil do Município] pelo braço e levei até o meu apartamento. Ele olhou tudo e, no final, disse que não precisa evacuar. Que não havia risco de desabamento. Então, pedi a ele um documento por escrito com esta informação. Ele disse que não poderia dar esse laudo, mas que eu ficasse segura que não havia risco. Eu moro com minha filha e dois netos. Tenho muita preocupação com essa situação. Não tenho a confiança nem a segurança desse engenheiro. Até porque, não é ele que mora aqui”, comentou Ivânia Rodrigues.

Ela contou que muito moradores da sua vizinhança já saíram de seus imóveis. Ivânia Rodrigues criticou a falta de informação da Defesa Civil Municipal junto aos moradores. “Não recebemos informações concretas sobre o que está acontecendo aqui. Ou a imprensa ou alguns moradores que têm mais tempo de procurar informações são informados. Falta esse canal dos moradores com o poder público municipal”, disse ela. Os moradores têm a certeza, mesmo como leigos, que o “buraco é mais embaixo”. “Aqui sempre choveu forte. Todo ano tem inverno. Nunca tínhamos chegado a esse ponto. Então, o problema é mais profundo”, contou Ivânia Rodrigues.

Números da Prefeitura e dos moradores não ‘batem’

A resistência dos moradores em ficar nos imóveis “condenados” pela Defesa Civil contrasta com os números do órgão que têm ou terão direito ao aluguel social para um período de seis meses. O governo federal, conforme o secretário Nacional de Defesa Civil, coronel Alexandre Lucas Alves, foram liberados R$ 2,9 milhões para ajuda humanitária (aluguel social) a essas pessoas.

Considerando que serão exatamente 495 imóveis, cada um irá receber (não se sabe de que forma) R$ 5,5 mil. Esse dinheiro deverá ser usado no pagamento de aluguel social durante seis meses. Neste caso, o retorno para casa se daria em agosto, independentemente das condições de imóveis. O morador Márcio – que integra o Grupo Pinheiro Alerta – disse que o poder público ainda não se manifestou sobre a segurança desses imóveis enquanto eles estiverem desocupados. “Ficamos perto de áreas consideradas perigosas e há riscos de invasões por bandidos. Faz medo isso se transformar numa ´Cidade de Deus´”, comentou. Márcio já retirou toda a sua mobília, portas e até uma bacia sanitária do seu apartamento. “Só a tampa do vaso sanitário custou duzentos e cinquentas reais. Não posso confiar. Sei que custou o meu suor”, comentou ele. Outro fator de resistência a permanecer nos imóveis tem relação com a questão familiar.

Há apartamentos ocupados por um herdeiro e o outro está “rondando” o imóvel para ocupar logo que o parente sair. Esses casos são muitos no Jardim das Acácias e no Divaldo Suruagy. Há um evidente registro de avareza em alguns casos. O prefeito Rui Palmeira conta com a Guarda Municipal e espera receber o respaldo da Polícia Militar na segurança desses imóveis, como forma de evitar saques e invasões.

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