Miss Brasil 2016 quebra ‘’jejum de 30 anos’’

Raissa Santana é a segunda negra a vencer o concurso de beleza

Miss Brasil 2016 quebra ‘’jejum de 30 anos’’

Raissa Santana é a segunda negra a vencer o concurso de beleza

Por | Edição do dia 3 de outubro de 2016
Categoria: Brasil, Notícias | Tags: ,,,,


As Eleições 2016 fizeram com que o resultado de outra eleição passasse quase despercebido. A candidata do Paraná, Raissa Santana, foi coroada no último sábado (01) como a Miss Brasil 2016. Ela é a segunda negra a vencer o concurso de beleza no país; a primeira foi Deise Nunes, eleita em 1986. Esse era o objetivo da candidata de 21 anos com a vitória: “quebrar o jejum de 30 anos”.

A edição deste ano teve o maior número de candidatas negras da história do concurso. Das 27 participantes, seis negras disputaram o título de mulher mais bonita do país. Nas redes sociais, internautas elogiaram a diversidade e a presença de mulheres negras no Miss Brasil 2016, dentre eles a cantora Preta Gil.

Imagem: redes sociais

Imagens: redes sociais

Imagem: redes sociais

 “É uma tendência mundial eleger mulheres negras e isso acontece por dois motivos: as pessoas estão começando a desconstruir padrões e considerar outras características como belas e, além disso, tem mais negros consumindo, então pra eles [organizadores] é vantajoso a representatividade de uma pessoa negra. Vai estar na mídia, vai ter mais visibilidade e mais audiência. O pessoal não assistia Miss Brasil há muito tempo, mas por ter um número representativo de mulheres negras, os olhares se voltaram para o concurso”, conta a estudante e modelo Ádija Rocha, que acredita estar havendo uma mudança nesse cenário.

De 27 candidatas, seis eram negras (Imagem: redes sociais)

Modelo Ádija Rocha comemorou representatividade negra no Miss Brasil (Foto: arquivo pessoal)

Modelo Ádija Rocha comemorou representatividade negra no Miss Brasil (Foto: arquivo pessoal)

Ela lembrou da polêmica envolvendo a Miss São Paulo 2016. No episódio, a coroa não coube no cabelo Black da candidata e a organização providenciou uma nova. Na edição deste ano do Miss Brasil eles pareciam estar mais preparados. A coroa era mais aberta e podia ser encaixada por fora e não por cima.

A modelo ressalta que é importante para as crianças terem uma referência como essa na infância. “Quando eu era criança não tinha modelo negra, nem atriz, muito menos Miss. Uma negra num lugar quase nunca ocupado é uma vitória extrema, não importa o motivo”, afirma.

Ádija comentou sobre as polêmicas envolvendo o resultado do concurso, quando alguns grupos feministas criticaram a comemoração dizendo que o concurso de beleza era algo machista.

Ela reconhece algumas problemáticas, como o estímulo à competição entre mulheres e o número ainda pequeno de candidatas negras, mas não desmerece a vitória de Raissa Santana. “O feminismo negro reconhece que o empoderamento estético é a abertura para o empoderamento negro. Mesmo que o concurso em geral seja problemático, nós [feminismo negro] estamos vendo como uma coisa maravilhosa”, finaliza

História

A representante do Paraná nasceu na Bahia, na cidade de Itabebara. Vive com a família desde pequena em Umuarama, onde venceu a 59ª edição do Miss Paraná.

A estudante de marketing representará o Brasil no Miss Universo, previsto para ser realizado em janeiro de 2017 nas Filipinas. Raissa Santana é a segunda mulher negra em 63 anos do concurso a conquistar uma vitória.

Deise Nunes e Raissa (imagem: internet)

Deise Nunes e Raissa (imagem: internet)

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