Medicamentos defendidos por senador não são eficazes contra Covid-19

Durante sessão da CPI da Pandemia, Luis Carlos Heinze citou vencedores do Nobel de Fisiologia ou Medicina para defender tratamentos sem eficácia

Medicamentos defendidos por senador não são eficazes contra Covid-19

Durante sessão da CPI da Pandemia, Luis Carlos Heinze citou vencedores do Nobel de Fisiologia ou Medicina para defender tratamentos sem eficácia

Por Assessoria | Edição do dia 11 de maio de 2021
Categoria: Alagoas, Coronavírus | Tags: ,,,


Foto: Divulgação

Circula nas redes sociais um vídeo da fala do senador gaúcho Luis Carlos Heinze durante uma sessão da CPI da Pandemia. O parlamentar usou seu tempo para defender que a hidroxicloroquina e a ivermectina são eficazes no tratamento contra a Covid-19. Várias informações utilizadas pelo senador são falsas, pois já há comprovação científica de que a hidroxicloroquina não é eficaz no tratamento da Covid-19 e pode trazer riscos. A ivermectina segue sendo estudada, no entanto seu uso não é recomendado fora de estudos clínicos controlados, pois também possui efeitos adversos.

Luis Carlos Heinze cita alguns cientistas para tentar reforçar a defesa do uso do tratamento precoce, como é conhecido. Um deles é Satoshi Omura, um dos vencedores do Prêmio Nobel de Medicina por desenvolver a ivermectina, medicamento que contribuiu para a diminuição de doenças parasitárias.

O cientista chegou a assinar uma análise que recomendava o uso do remédio contra a Covid-19, no entanto, especialistas consultados pelo Estadão Verifica, concluíram que o artigo não é relevante para confirmar a eficácia do medicamento contra a doença e que utiliza como referência, por exemplo, o site Ivmmeta.com, uma plataforma não científica e diversos com erros técnicos.

Além disso, a própria farmacêutica Merck, fabricante da ivermectina, já sepronunciou sobre o assunto: “É importante observar que, até o momento, nossa análise não identificou nenhuma evidência significativa para atividade clínica ou eficácia clínica em pacientes com doença Covid-19. Não acreditamos que os dados disponíveis suportem a segurança e eficácia da ivermectina além das doses e populações indicadas nas informações de prescrição aprovadas pela agência reguladora”, disse em comunicado. Ou seja, é falso que o medicamento tenha eficácia para tratar Covid-19, como disse o parlamentar.

Conhecido por ser o maior defensor da cloroquina e hidroxicloroquina como tratamento para Covid-19, o médico e microbiologista francês Didier Raoult foi mencionado pelo senador para criticar quem é contra o tratamento precoce.

No entanto, o próprio Raoult assinou uma carta em janeiro de 2021, publicada no site do Centro Nacional de Informações sobre Biotecnologia da França, informando que a substância não reduz a mortalidade ou agravamento da doença. “As necessidades de oxigenoterapia, a transferência para UTI e o óbito não diferiram significativamente entre os pacientes que receberam hidroxicloroquina com ou sem azitromicina e os controles feitos apenas com tratamento padrão”, escreveu o médico, que passou a serinvestigado por um Conselho Nacional da Ordem dos Médicos, na França, por ter promovido indevidamente o medicamento.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) já concluiu que a hidroxicloroquina não funciona no tratamento contra a Covid-19 e alertou sobre os efeitos adversos que o uso do medicamento podem causar.

Com formação em agronomia, o senador eleito pelo Rio Grande do Sul testemunhou que toda sua família foi tratada com os medicamentos do “Kit Covid” e associou a cura ao tratamento precoce, mas especialistas rebatem o argumento. “Não tem nenhum estudo indicando a eficácia de todos esses medicamentos do kit. A percepção pessoal de que foi o kit que curou está muito mais associada a uma campanha que existe em rede social do que à informação científica”, afirmou Alexandre Vargas Schwarzbold, médico, professor do curso de Medicina da Universidade Federal de Santa Maria e presidente da Sociedade Riograndense de Infectologia.

Durante a sessão da CPI, Heinze também apresentou como sucesso do tratamento precoce contra Covid-19 o município de Rancho Queimado (RS), que registrava até aquele momento, 4 de maio, duas mortes e 419 casos (na verdade, esse número foi registrado apenas na segunda-feira, dia 10, como informa o site da Prefeitura.

Para epidemiologistas, ouvidos pelo jornal Zero Hora, não dá para utilizar uma cidade de 2,8 mil habitantes como referência de impacto de tratamento. “Não tem nada de pior ou de melhor em Rancho Queimado do que no resto do mundo. É uma letalidade esperada”,  disse o epidemiologista Pedro Hallal, da Universidade Federal de Pelotas.

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