Mais de 3 mil vítimas da violência já foram atendidas no HGE

Serviço torna o hospital referência no atendimento qualificado a essa parcela da população

Por | Edição do dia 26 de outubro de 2015
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Davi dos Santos Gomes, de 21 anos, é uma das vítimas da violência atendidas este ano no Hospital Geral do Estado (HGE). Ele foi socorrido pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) em setembro, após ser espancado e sofrer um disparo de arma de fogo deflagrado por um assaltante em Maceió. “Ele nem resistiu, veja quanta maldade”, lamentou sua mãe, Maria Zuleide dos Santos.

Em estado grave, devido ao afundamento de crânio e órgãos atingidos pelo projétil, que entrou pela região flanco direita e saiu pela paravertebral direita, Davi foi socorrido no HGE pela equipe médica da Área Vermelha, submeteu-se a procedimentos no Centro Cirúrgico e precisou ser internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

“Davi está com fraca coordenação motora, perdeu sua força física. Vai precisar continuar com a fisioterapia motora e respiratória”, adiantou o fisioterapeuta Leandro Brasileiro. “Após a alta médica, nós encaminhamos o paciente para o atendimento ambulatorial, inclusive para a clínica de fisioterapia da Uncisal [Universidade Estadual de Ciências da Saúde de Alagoas], para que o tratamento não seja interrompido”, complementou o também fisioterapeuta, David Lins Auto.

O cirurgião-geral Amauri Clemente explicou que, nos casos de pacientes vítimas de violência física, o primeiro atendimento é feito pela equipe da Área Vermelha Trauma. “Onde o médico avalia se é necessário realizar de imediato algum procedimento, ou se o paciente precisa ser submetido a exames, como Raio-X e tomografia, ou uma cirurgia de emergência. Dependendo do caso, a vítima pode ser acompanhada pela equipe da própria Área Vermelha, ou ir para alguma enfermaria, ou ser internada na UTI, ou até ser transferida para outro hospital”.

Ainda conforme os dados disponibilizados pelo Samu, o número de vítimas da violência (incluindo acidentes de trânsito) atendida no HGE, entre janeiro e agosto, caiu de 4.346 (em 2014) para 3.389 (em 2015) – uma redução de pouco mais de 22%.

Segundo o médico, é possível perceber no Centro Cirúrgico que a maioria das vítimas hospitalizadas sofreu acidentes no trânsito – principalmente envolvendo motos – e perfuração por arma de fogo (PAF). De acordo com dados fornecidos pelo Serviço de Arquivo Médico e Estatístico (Same) do HGE, somente este ano (até o mês de agosto) já foram atendidos 631 homens baleados e 77 mulheres baleadas. Por perfuração causada por arma branca (PAB) já foram socorridos 434 homens e 118 mulheres.

“A violência deixa sequelas físicas e psicológicas. Muitas dessas vítimas começam a nutrir: o sentimento de vergonha, como nos casos de violência sexual; raiva, por ter que conviver com limitações causadas por terceiros; e, até mesmo, culpa, gerada, por exemplo, de fatos passados que atribuem como castigo. É nessa hora que a psicologia chega para atender, inclusive, os familiares”, ressaltou a psicóloga Célia Regina Goulart.

É a partir do somatório de forças de todos os profissionais que o HGE pode ser considerado uma referência no atendimento qualificado a vítimas de violência em Alagoas. “Todos os profissionais estão aptos a contribuir com a assistência, dentro de sua área de atuação. E, constantemente, nós procuramos oferecer oportunidades de atualizações dos conhecimentos, como forma de potencializar nosso serviço”, destacou a gerente do HGE, Verônica Omena.

“Aqui, eu não vejo ninguém parado. Logo quando chega um paciente, todo mundo corre para atender, descobrir o problema e, dessa forma, recuperar a saúde do doente com maior brevidade. Nós estamos dia e noite de prontidão para receber qualquer cidadão, de qualquer classe social. E isso não é um favor, é um trabalho sério realizado por todos nós”, pontuou a enfermeira Marcela Jorge.

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