Maior parte dos indígenas que morreram de Covid em Alagoas têm menos de 60 anos

Dados apontam ainda um aumento alarmante na quantidade de casos registrados este ano

Maior parte dos indígenas que morreram de Covid em Alagoas têm menos de 60 anos

Dados apontam ainda um aumento alarmante na quantidade de casos registrados este ano

Por Agência Tatu | Edição do dia 21 de abril de 2021
Categoria: Notícias, Saúde | Tags: ,,


60% das mortes ocorridas em comunidades indígenas de Alagoas são de pessoas com menos de 60 anos de idade. É o que revelam os dados analisados pela Agência Tatu, extraídos do Painel Covid-19 – Etnias Indígenas de Alagoas, mantido pela Secretaria de Planejamento, Gestão e Patrimônio.

Xukurus-Kariri, de Palmeira dos Índios (Foto: Nide Lins/Blog da Nide Lins)

Ainda segundo o Painel, foram registrados, até essa segunda-feira (19), 321 casos do novo coronavírus e oito mortes desde o início da pandemia de Covid-19. Destas, duas eram de mulheres com idade entre 30 e 39 anos; duas de homens com idades entre 40 a 49 anos; uma de mulher entre 50 e 59 anos; as últimas de uma mulher com 80 anos ou mais e dois homens nesta mesma faixa etária.

Os dados se referem às seis etnias indígenas de Alagoas, divididas em Xukuru Kariri, Jeripancó, Tinguí Botó, Kariri Xocó, Karapató e o Wassu Cocal.

Esses dados revelam ainda que houve um aumento de 42% entre janeiro e abril deste ano no número de casos do novo coronavírus. O número de mortes também cresceu 60% em três meses, passando de cinco para oito mortes registradas. As etnias Xukuru-Kariri e Kariri-Xocó, com presença nos municípios de São Brás, Porto Real do Colégio e Palmeira dos Índios, foram as que mais registraram mortes dentre as seis etnias.

A técnica de enfermagem da equipe multidisciplinar da Aldeia Mata da Cafurna e indígena Koram Xukuru, de Palmeira dos Índios, diz que houve um relaxamento nos cuidados para prevenção do coronavírus também na comunidade.

Koram Xukuru, técnica de enfermagem e meizinheira (mestra de saberes tradicionais)

“O trabalho de prevenção na comunidade no início foi bem assustador, porque era algo novo. Hoje, não temos a mesma intensidade de antes quanto aos cuidados, as pessoas parecem que perderam o medo, não apenas porque a maioria já foi vacinada, mas porque foram se acostumando. Um outro fator é que não tivemos uma aplicação de testes, o que gera subnotificação”, explica.

De acordo com Koram, é feito um trabalho educativo para que os indígenas não se desloquem para a cidade e fiquem mais expostos ao vírus.

“A maior dificuldade foi a questão de parar tudo. Aqui a maioria vive do bolsa família e de artesanato, ou seja, não há geração de renda no momento. Recebemos ajuda da Prefeitura,  da Companhia Nacional de Abastecimento e da Funai, mas foram coisas mínimas. Então é bem difícil controlar as pessoas que estão precisando de alguma renda”, conta Koram, que também é meizinheira da aldeia – utiliza plantas medicinais na criação de remédios caseiros.

Para Jorge Vieira, membro do Conselho Indigenista Missionário e professor com doutorado pela Universidade Stendhal (na França), a ausência de uma política mais articulada pelos entes federativos dificulta a proteção ao grupo considerado vulnerável.

Professor doutor Jorge Vieira (Foto: Ascom Cesmac)

“Faltam ações, de fato, preventivas, de assistência no campo social para efetivar a garantia dos direitos constitucionais, especialmente a demarcação da terra. Historicamente, os indígenas não têm a mesma imunidade do que pessoas não indígenas”, explica Vieira.

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