Mães tentam frear o excesso de exposição dos filhos aos eletrônicos durante a pandemia

Por Carol Amorim - Repórter | Edição do dia 18 de outubro de 2020
Categoria: Especiais | Tags: ,,,


Foto: Reprodução / Internet

Se antes da pandemia as crianças já se sentiam atraídas pelos aparelhos eletrônicos como os celulares, tabletes e videogames, neste momento, onde o distanciamento social é recomendado para evitar a disseminação do coronavírus, o uso desses aparelhos se fez mais presente na vida dos pequenos. O psicólogo Edvan Filho (CRP-15/5269) alerta que o uso em excessos desses aparelhos pode prejudicar o desenvolvimento da criança e aconselha os pais a realizarem outras atividades para reunir a família.

A estudante Mayara Cavalcante, 25, tem uma filha de seis anos. Ela conta que a pequena já se interessa em mexer no celular e que ela já tem um perfil na rede social Instagram. Apesar de já demonstrar curiosidade com a tecnologia e de já estar inserida no contato com a internet, Mayara conta que tenta regular o contato que a filha tem com os eletrônicos.

“Sempre foi bastante desafiador [lidar com a curiosidade da criança para mexer no celular] porque a cada dia era uma novidade na internet. Mas sempre foi regulado [o uso dela]”, conta.

Mayara também conta que, quando a pequena está com outras crianças, tenta observar se a filha está com o celular. Ela diz que o aparelho é proibido nesses momentos para que a criança possa interagir.

Por causa de problemas pessoais, Mayara optou por tirar a filha da escola neste ano e, por isso, a pequena não está tendo aulas online como outras crianças. Porém, essa realidade está sendo encarada pela professora Andréa Pereira, 45.

Andréa tem um filho de 10 anos e ela conta que a rotina das aulas online tem sido desafiadora para ela e para ele, já que seu filho não se adaptou ao formato de aulas disseminado neste momento de pandemia.

“A rotina é péssima porque além de ser virtual, mudou o horário para a manhã e ele não se adaptou. Fica completamente disperso. Eu nunca fui a favor de aula online, sou professora. Logo no começo eu o deixava livre para escolher. Depois para controlar a rotina dele passei a ser mais exigente com a frequência. Mas não tem sido nada fácil nem para mim nem para ele”, relata.

Ela ainda conta que busca regular o uso de eletrônicos e da internet do filho, apesar da dificuldade que já sentia antes mesmo da pandemia. Neste ano, já durante a pandemia, Andréa diz que pediu para que o filho desinstalasse o aplicativo Tik Tok – rede social de vídeos, febre entre crianças, adolescentes e jovens adultos -, por considerá-lo nocivo para a idade dele.

Em meio aos desafios, a professora também relata que o filho gosta de brincadeiras tradicionais com outras crianças e que, agora, no momento de maior flexibilização de atividades, ele brinca com colegas no prédio onde mora.

O psicólogo Edvan Filho alerta que o uso em excesso de aparelhos eletrônicos pode prejudicar o desenvolvimento da criança e o ato de brincar. Ele também conta que a mente pode ficar mais cansada devido ao esforço que se faz na utilização em excesso da tecnologia.

“Os pais devem fiscalizar a utilização dos aparelhos pelas crianças, fazer um cronograma de utilização e tempo de utilização, para se ter uma pausa, um descanso e não causar um excesso”, orientou.

Ele também aconselhou os pais a se envolverem mais na vida dos filhos e, assim, criarem atividades que possam reunir a família.

E para os pais e filhos que estão sentindo dificuldades neste momento de aulas online, Edvan conta que associar esse momento ao lúdico, pode ajudar a criança a se interesse pelos estudos.

“Transformando o ambiente de casa em um ambiente agradável, para estimular esse aprendizado; buscando associar o conteúdo da escola com coisas do dia a dia da criança”, destacou.

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