Maduro fecha fronteira com Brasil e impede ajuda humanitária

Após anúncio do ditador, venezuelanos correm para comprar mantimentos em Roraima

Por | Edição do dia 22 de fevereiro de 2019
Categoria: Notícias, Política | Tags: ,,,,


Nicolás Maduro realizou videoconferência com o Estado Maior Superior e as Forças Armadas O presidente da Venezuela e determinou ontem o fechamento da fronteira com o Brasil, por tempo indeterminado, em meio a um plano de lideranças oposicionistas para entregar ajuda humanitária ao país em crise. Em meio à ordem do ditador para fechar a fronteira, na noite desta quinta-feira (21), venezuelanos estão entrando no país para comprar estoques de mantimentos.

Líderes oposicionistas têm planejado enviar ajuda à Venezuela a partir da Colômbia e do Brasil. Maduro afirma que essa ajuda significará minar seu poder e acabaria por derrubá-lo do poder. Para ele, o país não necessita desse auxílio.

Em sua fala, Maduro tem enfatizado que resistirá à pressão para que deixe o poder. Além disso, ressalta que mantém o apoio dos militares locais. O presidente da Assembleia Nacional, Juan Guaidó, se autointitula presidente interino no país e diz que o ditador usurpa o poder, já que teria sido reeleito com fraude. Guaidó recebeu o apoio de vários governos da região, inclusive de Brasil e Colômbia, e também dos Estados Unidos. Maduro, por sua vez, mantém o apoio de aliados como Rússia, China e Turquia.
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Venezuelanos correm contra o tempo para comprar estoque de mantimentos no Brasil (Foto: Reprodução)

Com medo do fechamento da fronteira, venezuelanos correm para fazer compras em Roraima

O anúncio de Maduro foi feito em meio à pressão para que ele permita a entrada de ajuda humanitária oferecida pelos EUA e por países vizinhos, incluindo o Brasil, após pedido do auto-proclamado presidente interino Juan Guaidó. Maduro vê a oferta dessa ajuda como uma interferência externa na política do país.

“Eu acho que os venezuelanos estavam prevendo que a fronteira seria fechada porque hoje o movimento aqui quase dobrou. De meio dia até uma hora foi o maior volume de compra, uns 30% a mais que em dias comuns”, disse o comerciante brasileiro Orandir Cardoso, 53 anos.

Em Brasília, o governador do estado, Antônio Denarium (PSL), disse acreditar que, embora crie um “clima tenso” na região, a decisão do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro de fechar a fronteira com o Brasil não impedirá a entrega de alimentos e medicamentos aos cidadãos do país vizinho.

Morador de Santa Elena de Uairén, primeira cidade venezuelana após a fronteira, Nelson Rodrigues, 34, decidiu comprar tudo em dobro para estocar alimentos em casa.

“Vou levar mais por precaução. Fechar a fronteira é ruim porque nós precisamos comprar comida aqui”, disse Nelson se referindo à escassez de comida e remédios no país em crise.

“Nem temos estimativa de quanto vendemos, porque sai tudo muito rápido”, afirmou Osmar Cardoso, 55, comerciante brasileiro.

Segurança na área está “normal” e espera ajuda humanitária

O porta-voz da Presidência da República, Otávio do Rego Barros, afirmou em entrevista a jornalistas ontem, transmitida na televisão pela NBR, que a segurança na faixa da fronteira com a Venezuela é “normal”. Segundo ele, não houve mudança de comportamento após o anúncio de Nicolás Maduro de que o acesso ao Brasil seria fechado a partir das 20h.

“Caminhamos de forma alinhada com o governo de Roraima para dirimir qualquer problema”, afirmou. “A operação humanitária terá início no dia 23”. Mais cedo, o governador de RR, Antonio Denarium (PSL) disse que a fronteira terrestre entre Brasil e Venezuela havia sido fechada por tanques de tropas venezuelanas por volta das 15h20. O porta-voz afirmou, contudo, que a fronteira estava aberta, com fluxo normal.

Rego Barros disse ainda que tropas brasileiras continuam em “operação de normalidade” e que a situação do país vizinho está sendo monitorada. “O planejamento do governo estabelece como linha limítrofe a própria fronteira”.

 

Tanques em cidade fronteiriça

Um dia antes do anúncio de Maduro, o exército venezuelano movimentou tanques na cidade de Santa Elena de Uairén, a 15 Km da divisa com Brasil, na tarde de quarta-feira (20).

A movimentação foi registrada por moradores e divulgada em redes sociais. Ela ocorreu um dia após governo brasileiro anunciar que, em cooperação com os Estados Unidos, vai ofertar ajuda humanitária ao país a partir de sábado (23).

Ricardo Delgado, ex-prefeito de Santa Elena e integrante da oposição ao governo Maduro, disse em entrevista ao G1 que os cinco tanques já estavam na cidade há anos, mas foram movimentados numa “tentativa de intimidar a população frente à ajuda humanitária”.

Ele disse que no sábado, 300 voluntários venezuelanos devem ajudar a levar a ajuda anunciada pelo Brasil. O material, segundo ele, deve ser transportado em três caminhões venezuelanos.

O G1 procurou o Itamaraty nesta quinta acerca da ajuda humanitária à Venezuela mas não obteve retorno.

No twitter, o deputado nacional venezuelano pelo Estado de Bolívar, Américo De Grazia, publicou imagens dos tanques pelas ruas de Santa Elena. Ele acusou Nicolás Maduro de ser “usurpador” e disse que a mobilização é para impedir a ajuda de entrada humanitária no país.

Segundo Fátima Araújo, moradora e comerciante da região, os tanques foram levados para abastecer e depois colocados em uma base militar da fronteira onde permaneciam até às 11h (13h de Brasília) desta quinta.

Por telefone, o vice-cônsul da Venezuela em Roraima José Martír disse que não vai comentar sobre o assunto.

Procurada, a assessoria do Exército em Roraima informou que “a situação é de normalidade” entre Brasil e Venezuela e que as atividades militares permanecem normais na fronteira. “Continuamos na nossa missão de fiscalizar e controlar a faixa de fronteira”, informou.

Desde agosto, um decreto de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) dá poder de polícia às Forças Armadas em Roraima. A medida está em vigor até março e garante a “proteção das instalações e atividades relacionadas ao acolhimento de refugiados”.

 

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