, Quarta-Feira - 19 de Fevereiro de 2020

 

Maceioenses acolhem estrangeiros por meio de programas de hospedagem

Gustavo Candido - Estagiário / 9:28 - 19/01/2020

De hospedagem à acompanhamento, cidade oferece diversas opções para interessados em conhecer pessoas de outros países


Casal de hosts e as intercambistas Valentina e Lara. Foto: Arquivo Pessoal

Casal de hosts e as intercambistas Valentina e Lara. Foto: Arquivo Pessoal

O contato com outras culturas é uma das experiências mais enriquecedoras para um ser humano. Através desse contato é possível enxergar além da realidade com a qual estamos acostumados, saber que existem expressões que ainda não ouvimos e hábitos que ainda não conhecemos. Conhecer pessoas de outros países é uma forma de desenvolver essa multiculturalidade e Maceió oferece em abundância oportunidades como a hospedagem e acompanhamento de estrangeiros.

Todos os anos a capital alagoana é um dos destinos mais procurados do país por pessoas do mundo todo. De acordo com o estudo da Demanda Turística Internacional no Brasil, divulgado no ano passado e encomendado pelo Ministério do Turismo à Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), por exemplo, a capital alagoana figurava em primeiro lugar na preferência de turistas estrangeiros, seguida da cidade de Maragogi, também em Alagoas.

A empresaria Daniela Souza é baiana, vive há dois anos em Rio Largo, região metropolitana de Maceió, e decidiu abraçar as oportunidades que tem por perto. Nesse mês de janeiro, ela e o marido, aceitaram receber em casa duas intercambistas argentinas, Valentina e Lara, pela AIESEC, uma Organização Não Governamental (ONG), através do programa Lar Global. Elas estarão realizando trabalho voluntário na capital por seis semanas em uma outra ONG da cidade, que tem como foco a assistência para jovens com Síndrome de Down.

Segundo Daniela, recebê-las em casa tem sido muito enriquecedor. “Essa é nossa primeira experiência e tem sido maravilhosa, estamos aprendendo um pouco do idioma e das expressões e cultura do país. A cada dia uma novidade. Já adotei como filhas ‘as tikas’”.

Ela afirma também que a decisão de ser host partiu do desejo em aprender coisas novas e se arriscar. “O desejo de aprender na íntegra e ter a experiência com pessoas de outros países é maravilhoso, aprendemos a cada dia uma palavra nova, além de fazer amigos. Sempre gostei de me arriscar e sempre ir em busca de conhecimento cultural, linguístico, etc,” conta.

É possível conhecer melhor o programa Lar Global neste link.

Uma outra opção

Outra opção para quem deseja hospedar estrangeiros é o aplicativo couchsurfing, que possui mais de 4 milhões de usuários atualmente. De forma resumida, a ideia da aplicação é que viajantes com poucas condições financeiras para se hospedar em hotéis ou pousadas, possam encontrar um lugar para dormir, porém sempre de forma breve. Ele está disponível para Android e IOS.

Troca cultural na Universidade

Ruan (esquerda), a estudante de El Salvador e uma outra voluntária do projeto (à direita). Foto: Arquivo Pessoal

Ruan (esquerda), a estudante de El Salvador e uma outra voluntária do projeto (à direita). Foto: Arquivo Pessoal

A Universidade Federal de Alagoas (Ufal) é a instituição de ensino superior que mais recebe alunos de nacionalidades diferentes no Estado. Por meio de diversos programas, com parceria com outras instituições de ensino, ou por meio do Sistema de Seleção Unificada (Sisu), a Universidade recebe todos os anos estudantes de diversas partes do mundo, em especial de países africanos. Por conta disso, com frequência é realizado um edital para selecionar “padrinhos” entre os estudantes da própria Ufal.

O último edital foi realizado no fim de 2018 e selecionou quatro alunos. O próximo, possivelmente, será lançado após Josealdo Tonholo assumir a reitoria da Ufal.

O apadrinhamento é voluntário e tem como objetivo ajudar na adaptação dos calouros estrangeiros e conta com algumas exigências, como o apoio em trâmites acadêmicos, pick-up na chegada ao aeroporto, suporte na busca por moradia, transporte e informações turísticas.

Ruan Wendell estudava Ciências Biológicas na Ufal na época e foi aprovado pelo último edital realizado. Ele conta que o programa tem extrema importância para esses alunos que estão chegando em um local desconhecido e não conhecem também os detalhes da rotina acadêmica. “Acredito que a importância maior seja além da ajuda aos estudantes a se adaptarem aos primeiros dias, também o intercâmbio cultural e linguístico que o programa permite, ” afirma. Ele também destacou: “Converso com uma das estudantes de El Salvador até hoje. Ajudei na chegada dela a Maceió e mantivemos contato.”


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