Lagoa Mundaú: teremos um pântano?

Lagoa Mundaú: teremos um pântano?

Por | Edição do dia 2 de maio de 2017
Categoria: Meio Ambiente, Notícias | Tags: ,,,


Arte sobre foto de Igor Pereira

Arte sobre foto de Igor Pereira

A edição desta semana de O DIA ALAGOAS traz uma reportagem especial sobre o processo de assoreamento e degradação que está tomando a Lagoa Mundaú. O repórter Deraldo Francisco explorou este fenômeno, suas causas e os principais impactos ambientais e sociais que a transformação da Lagoa em pântano vai provocar. Confira um pouco desta matéria:

 

Teremos um pântano?

Hoje, quando o dia terminar, a Lagoa Mundaú terá recebido 767 toneladas de sedimentos, acelerando o processo de assoreamento dos 27km², seu tamanho real. Amanhã, o processo se repete: mais 767t de material que vai se transformar em lama, no fundo da lagoa. Depois de amanhã, também. Isso vai acontecer durante semanas, meses, anos e décadas que vierem. Se nenhuma intervenção for feita, em 30 anos será possível atravessar a lagoa sem molhar os joelhos. Isso nos pontos que restarem água. Hoje já há trechos de formações pantanosas na lagoa. Não há mais peixe, marisco ou molusco nesses lugares. São trechos ambientalmente insustentáveis.

O pequeno Davi, morador do Dique Estrada, observa a lagoa (Foto: Cacá Santiago)

O pequeno Davi, morador do Dique Estrada, observa a lagoa (Foto: Cacá Santiago)

No atual processo de degradação, a Mundaú será transformada no maior pântano urbano do planeta. E, para isso, vai precisar de poucas décadas. Hoje, já há pântano na Mundaú no trecho que fica no antigo Porto da Lancha do Horário, no Pontal. A área Norte da lagoa, em Fernão Velho, será a primeira a virar pântano. É lá que se concentra a maior parte de sedimentos arrastados pelo Rio Mundaú.

Estudos mostram que, no caminho natural, a lagoa perde um centímetro de profundidade por ano. Atualmente, a profundidade da Lagoa Mundaú varia de 30cm a 3m. A operação é simples: sem água, sem peixe. Sem o pescado, vai faltar o sustento que levará ao caos social mais de três mil famílias que dependem da pesca para sobreviver em Maceió.

Especialistas afirmam que será necessário um conjunto de ações para evitar essa transformação, mas a principal é a retirada de todo esse sedimento, seja na forma mecânica ou hidráulica. Todos concordam: se o processo de desassoreamento não tiver início, a lagoa será transformada num pântano de 27km². O pequeno Davi Vital, de apenas cinco anos, mora do Dique-Estrada, com a mãe, a marisqueira Patrícia Vital, 36. Se não se estancar o processo de assoreamento, quando ele estiver com a atual idade da mãe, Davi poderá atravessar a pé a lagoa em qualquer direção.

Já há áreas de pântanos

Em toda a extensão da Lagoa Mundaú há provas da transformação do ecossistema em pântano. Pelo canal onde, até a década de 1970 passava para o porto a “Lancha do Horário”, que fazia o percurso Mundaú/Manguaba (Maceió/Marechal Deodoro), já é um pântano. O porto ficava nas proximidades da Praça Pingo D´Água, no Trapiche.

Há 50 anos, era possível passar por ali uma embarcação de grande porte, transportando centenas de passageiros. Hoje, a média é de 15cm de água e mais de 7m só de lama. Só mesmo com a maré alta e com a insistência de alguns pescadores é possível passar pelo pântano numa canoa.

Manoel Messias, 70 anos e uma vida à beira da lagoa (Foto: Cacá Santiago)

Manoel Messias, 70 anos e uma vida à beira da lagoa (Foto: Cacá Santiago)

O trecho de águas mortas fica nos fundos de uma vila de casas. O aposentado Manoel Messias da Silva, de 70 anos, mora lá e atesta a morte da lagoa naquele trecho. “Isso é um pantanal. Não se tira nenhuma vida daqui. O cheiro da lama incomoda. São os restos mortais dessa parte da lagoa”, disse ele. No vilarejo há centenas de pessoas, mas bem poucas vivem da pesca e da cadeia produtiva do marisco massunim.

Nas margens do Dique-Estrada, Bom Parto, Mutange e parte de Bebedouro já começou o processo de transformação da lagoa em pântano. Uma profunda camada de lama impede que a água chegue a locais antes alcançados. Um trecho bastante crítico nesta região fica no Riacho do Silva, um canalizador de sedimentos para a lagoa. Está numa escala bem menor que o Rio Mundaú, mas “ajuda” a aterrar a lagoa.

 

CONFIRA A MATÉRIA COMPLETA NA EDIÇÃO DESTA SEMANA DE O DIA ALAGOAS

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