Janeiro roxo: Alagoas registrou 3348 casos de hanseníase nos últimos dez anos

Medicação usada no tratamento dos pacientes está em falta no país desde outubro do ano passado

Janeiro roxo: Alagoas registrou 3348 casos de hanseníase nos últimos dez anos

Medicação usada no tratamento dos pacientes está em falta no país desde outubro do ano passado

Por Graziela França - Agência Tatu | Edição do dia 14 de janeiro de 2021
Categoria: Saúde | Tags: ,


Caracterizada por apresentar manchas na pele com alteração de sensibilidade e, em alguns casos, comprometimento dos nervos periféricos, a Hanseníase foi diagnosticada em 3348 pessoas  nos últimos dez anos em Alagoas. Os dados, coletados pela Agência Tatu, foram registrados pela Secretaria de Estado da Saúde de Alagoas em todos os municípios de 2011 a 2020.

Arte: Agência Tatu

Intitulado Janeiro Roxo, o primeiro mês do ano intensifica ações voltadas ao diagnóstico precoce e tratamento da doença que, apesar de ter cura, pode deixar sequelas caso tratada tardiamente.

Santana do Ipanema contabiliza maior número de casos por habitante

Ainda segundo os dados da Sesau, Santana do Ipanema aparece como o município  com a maior quantidade de casos por habitante. Na cidade do sertão alagoano, a incidência é de 460 pacientes diagnosticados com hanseníase a cada 100 mil habitantes.

Palestina aparece em segundo lugar, com 357 pessoas com hanseníase a cada 100 mil habitantes. Depois vem Barra de São Miguel com 346 , Pão de açúcar com 257 e Delmiro Gouveia com 262 a cada 100 mil habitantes.

Mas o que é Hanseníase?

A hanseníase, que já foi conhecida como lepra, é uma das doenças mais antigas, com registro de casos há mais de 4000 anos. A transmissão acontece por meio da convivência prolongada com um portador da forma multibacilar da doença, que não está em tratamento, com gotículas de saliva ou secreções do nariz.

Itaniely Gomes, enfermeira do Programa de Combate à Hanseníase da Sesau, explica que a forma de transmissão de contágio é bem parecida com a da tuberculose.

A hanseníase tem duas formas de classificação operacional, que é utilizada para direcionar o tratamento do paciente. Paucibacilar ou multibacilar. No primeiro caso o usuário apresenta menos de cinco lesões de pele. Já se o paciente tem mais de cinco lesões na pele e apresenta alguma alteração de nervos periféricos, o tratamento vai ser diferente [multibacilar]. O multibacilar é o agravamento da doença e forma transmissível”, detalha a técnica.

Foto: EBC / Agência Brasil

Na forma paucibacilar o usuário vai apresentar manchas na pele e algum tipo de perda de sensibilidade, mas de forma mais leve (térmica, tátil e/ou dolorosa). Já no caso multibacilar aparecem alterações no nervo,  dedos em garra, mão ou pé caído, úlcera no pé, entre outros agravamentos da doença.

Da aquisição da bactéria até a manifestação dos sintomas pode variar de seis meses a cinco anos. Cerca de 90% da população têm defesa contra a doença. Dos 10% restantes, alguns podem apresentar e curar de forma espontânea, mas outros precisarão realizar o tratamento.

Falta de medicamentos prejudica tratamento dos usuários

O tratamento para hanseníase é gratuito e feito pelo Sistema Único de Saúde. No entanto, desde o ano passado as medicações não chegam às Secretarias Estaduais de Saúde do País. Em nota, o Ministério da Saúde informou que a previsão de recebimento das medicações era para outubro do ano passado, mas que não foi possível devido à impureza detectadas nos testes finais do produto que seria enviado ao Brasil. Esses insumos são produzidos no exterior e doados pela Organização Pan-americana de Saúde (OPAS/OMS) ao país.

Ainda em nota, o Ministério afirmou que “está em tratativas para que o medicamento chegue ao país o mais breve possível para garantir a continuidade do tratamento dos pacientes com diagnóstico de hanseníase”. Confira a nota na íntegra.

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