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IV Salão de Artes em Direitos Humanos encanta os olhos dos alagoanos e provoca reflexões

Agência Alagoas / 4:20 - 09/04/2019

Museu Palácio abre as portas para receber obras de artistas locais e fomentar discussão sobre Direitos Humanos


Artista alagoana mestre Irineia Rosa Nunes da Silva, a dona Irineia, esteve na abertura da exposição e contemplou sua arte

Entre telas, esculturas, fotografias e performances artísticas, a abertura do IV Salão de Artes em Direitos Humanos contou com a presença de diversos artistas alagoanos, radicados em Alagoas e apresentações culturais. O evento é uma realização da Secretaria de Estado da Mulher e dos Direitos Humanos (Semudh), e permanece em exposição até a próxima sexta-feira (12), das 8h às 16h, no Museu Palácio Floriano Peixoto (Mupa), no Centro de Maceió.

“É uma honra para nós da secretaria da Mulher e dos Direitos Humanos recebê-los aqui nesta noite que simboliza antes de tudo o desejo por cultura, pela arte, e pelo respeito aos direitos humanos. Falar em direitos humanos é defender a vida, é buscar caminhos que levem a uma cultura de paz”, disse a secretária Maria Silva, que também lembrou o trabalho revolucionário da alagoana Nise da Silveira, que introduziu a criação artística nos processos terapêuticos. “Nise é um dos nossos grandes exemplos, mudou completamente a forma de cuidar dos pacientes e dedicou a própria vida à defesa dos direitos humanos”, declarou a secretária.

“É um momento propício para que a sociedade possa contemplar essas obras e refletir sobre as inquietações aqui colocadas, que tomem para si algum aprendizado do IV Salão de Artes em Direitos Humanos de Alagoas”, comentou o superintendente de Políticas para os Direitos Humanos e a Igualdade Racial, Mirabel Alves.

A noite de abertura contou ainda com apresentações dos grupos Clowns de Quinta, trazendo mulheres palhaças, Mandala, com números de dança cigana, da poetiza slam Flormands, e de Suham Torres, mulher trans, cigana, artista plástica, taróloga e performer. Suham, aos 70 anos, encantou o público com a sua desenvoltura na dança cigana. “A arte cigana está no meu sangue. É a segunda vez que participo do Salão de Artes e vejo o tamanho da sua importância por abrir as portas para os artistas locais”, destacou.

Arte quilombola

Outra artista alagoana que esteve presente foi Irineia Rosa Nunes da Silva, a dona Irineia. De reconhecimento internacional, ela conta que nunca foi à escola. “Só sei fazer o primeiro nome, que me ensinaram, aí eu coloco lá”, diz ela se referindo à assinatura nas obras.  Hoje, com 72 anos de idade, se recorda que começou a trabalhar com esculturas de barro há 43. “Eu comecei fazendo promessa. É que o povo fazia a promessa, e pedia para eu fazer as peças para eles entregarem pro santo, sabe? Depois eu fui pegando o gosto e comecei a tentar outras coisas”, lembra a artista.

Dona Irineia é quilombola. Cresceu e vive até hoje no povoado Muquém, no município de União dos Palmares, Zona da Mata, a mesma terra onde viveram Dandara e Zumbi dos Palmares. Três obras de dona Irineia estão presentes no Salão de Artes, entre elas, “O Beijo”, do qual há uma réplica de seis metros de altura, na Lagoa da Anta, Praia de Jatiúca, em Maceió.

A exposição que permanece no Mupa até o dia 12, está conta com obras de quase 30 artistas do Estado. A visitação é gratuita e de natureza cultural e educativa, apresentando os Direitos Humanos de forma criativa e envolvente em seus diversos aspectos, com poesias, pinturas, fotografias, desenhos e produção artesanal.


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