Intoxicações causadas por automedicação podem levar à morte

População desconhece perigo da compra de remédio sem receita médica

Intoxicações causadas por automedicação podem levar à morte

População desconhece perigo da compra de remédio sem receita médica

Por | Edição do dia 21 de setembro de 2016
Categoria: Notícias, Saúde | Tags: ,,,,


Quem nunca entrou numa farmácia e comprou um analgésico sem receita médica? A maioria das pessoas já fez uso de medicamentos indicados por amigos e familiares sem qualquer receio da falta de prescrição ou, simplesmente, por hábito. A prática pode não apenas causar danos à saúde, mas levar à morte.

“Usar um remédio de maneira indiscriminada, sem a prescrição médica e a orientação de um farmacêutico pode trazer consequências graves como reações alérgicas, dependência, intoxicação e, em casos extremos, o óbito”, afirma Geisiane Presmich, mestra e doutora em Farmácia.

Farmacêutica Geisiane Presmich (de preto, à direita), orientando cliente (Foto: assessoria)

Farmacêutica Geisiane Presmich (de preto, à direita), orientando cliente (Foto: assessoria)

Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a medicação por conta própria é considerada um problema de saúde pública no Brasil e no mundo. Dados do Sistema Nacional de Informações Tóxico-Farmacológicas, os medicamentos foram responsáveis por 28% de todas as notificações de intoxicação em todo o Brasil.

“O uso inadequado de um fármaco pode também agravar uma doença, potencializando ou escondendo sintomas”, alerta Geisiane Presmich. Ela lembra ainda que o uso abusivo e incorreto de antibióticos, por exemplo, pode facilitar o aumento da resistência de microorganismos, comprometendo a eficácia do tratamento. “Da mesma forma devemos ficar atentos à combinação inadequada de drogas ou doses, quando o uso de um determinado medicamento pode anular ou potencializar o efeito de um outro”, completa.

É muito importante, também, saber a forma correta de tomar o medicamento. “Os horários devem ser respeitados, ou seja, o momento da ingestão, se é em jejum ou concomitante com algum alimento, já que tais orientações são fornecidas pelo médico que prescreveu e/ou farmacêutico que irá orientar no momento da dispensação do medicamento. Tudo isso é relevante para o sucesso do tratamento”, lembra a farmacêutica.

Proprietária de uma farmácia de manipulação em Maceió, Geisiane Presmich afirma que é muito comum os clientes buscarem fórmulas e medicamentos sem prescrição, mas ela reafirma que é papel de todo farmacêutico respeitar as orientações repassadas pelos profissionais da saúde como médicos e odontólogos, através da receita médica.
O problema é global. De acordo com a Organização Mundial de Saúde, em todo o mundo, mais de 50% dos medicamentos são vendidos de forma inadequada e outros 50% tomam remédios de forma incorreta.

“Trata-se de um hábito cultural. Muitos seguem conselhos de colegas, amigos e familiares e acabam comprando remédio sem orientação, esquecendo que esse procedimento pode levar à intoxicações ou problemas mais graves”, finaliza Geisiane Presmich.

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