, Quinta-Feira - 9 de Abril de 2020

 

Infectologista esclarece dúvidas sobre o coronavírus

Redação / 8:00 - 01/03/2020

A infectologista Luciana Pacheco tranquilizou ao ressaltar que o vírus ainda não está sendo transmitido no Brasil


infectologista

Dra Luciana Pacheco em coletiva de impressa, na última sexta-feira, 28. Foto: Jamerson Soares

Com a notícia sobre um caso confirmado de coronavírus em São Paulo e sobre um caso de suspeita de coronavírus em Maceió, muitas pessoas andam se sentindo ameaçadas com a possibilidade de contrair a doença provocada pelo vírus. E para que algumas dúvidas sejam esclarecidas, o portal O Dia Mais conversou com a médica infectologista do Hospital Hélvio Auto (HEHA), Luciana Pacheco. Entre os esclarecimentos, ela tranquilizou ao dizer que, até o momento, não há casos que confirmem a transmissão do vírus em território nacional.

A seguir, confira a entrevista:

Quem curtiu o carnaval nos blocos, festas e beijou uma ou mais pessoas, deve se preocupar?

Se foi com pessoas que vieram dessa região, de fora (e a gente sabe que veio muitos estrangeiros para o carnaval), é importante que a pessoa comece a prestar atenção na sua saúde. Se está tendo febre, sinais de infecção respiratória, dor de garganta, coriza, dificuldade para respirar. Se for esse caso, aí sim você procura a unidade de saúde e relata a situação do contato. O vírus ainda não está sendo transmitido no país. Esse caso [do paciente com suspeita em Maceió] veio, mas ele adquiriu a doença lá [em outro país], não adquiriu aqui, a gente ainda não tem transmissão no país.

A partir de agora, é necessário evitar aglomerações?

Eu oriento que as pessoas, nesse momento, que a gente ainda não tem transmissão, que as pessoas levem em consideração [evitar aglomerações]. Por exemplo, se eu for para São Paulo, que sei que tem a maior parte dos casos lá sendo monitorados e a gente não sabe exatamente quem está infectado – porque antes de aparecer os sintomas, a pessoa teoricamente pode transmitir o vírus – e aí, nesse caso, a gente orienta que as pessoas evitem, acho que é uma segurança pessoal. Não existe nada determinado, ‘não vá’, mas assim, é uma segurança pessoal. Se fosse eu, não iria.

Quem utiliza transporte público deve ter algum cuidado especial?

Lavar as mãos. É o principal. Saiu do transporte público, pegou nas cadeiras, lavar as mãos e evite colocar a mão no rosto, na boca, que a gente tem esse mau hábito, pra que realmente a gente se prevenia.

Aperto de mão, abraço, beijo e sexo devem ser evitados com conhecidos, parceiros ou desconhecidos?

Não existe ainda casos de transmissão pelo sexo. Existe uma recomendação de cuidados com relação a doação de sangue, mas isso considerando outras doenças que já se conhece. Mas tem nada confirmado que se transmita dessa forma [o coronavírus]. Agora, beijo aí sim, é transmissão respiratória, contato com saliva [o vírus pode ser transmitido dessa forma].

Viagens para onde casos estão sendo confirmados ou onde tenham casos suspeitos devem ser evitadas?

É o que o Ministério [da Saúde] está recomendando e, inclusive, a Organização Mundial de Saúde (OMS), é que a se pessoa tiver uma reunião de trabalho, se não tiver como adiar, é que vá lembrando dos cuidados. Agora se você vai fazer turismo e você vai ficar constrangida de está vendo as pessoas com máscaras, eu adiaria.

Quais alimentos são ideais para que o sistema imunológico seja fortalecido?

Não existe muitas evidências quanto a isso. A gente sabe que algumas frutas propiciam vitamina C ao organismo, como laranja, limão, acerola. Mas não existem evidências que isso aumento muito a imunidade. Isso é um assunto bem controverso, há linhas de pesquisa que acham que sim, outras acham que não.

Quais outros cuidados que devem ser tomados pela população?

Como a gente não tem vacina, o cuidado é pessoal, lavar a mãos, evitar colocar a mão na boca, no rosto e evitar aglomerações nesse momento. É um vírus que causa uma sensação respiratória semelhante a influenza, o H1N1. A transmissão é semelhante, através da respiração, das gotículas da saliva. A mortalidade do H1N1 é muito maior do que essa verificada agora. Então, essa preocupação com a higienização é contínua, independente do coronavírus.

Qual grupo de pessoas tem maior risco de contrair o coronavírus?

Pelos dados da China, a faixa etária que contraiu mais o coronavírus foi a adulta e o idoso. Foram poucos casos em crianças. E a letalidade é maior também nos idosos. Idosos com algumas doenças, como diabetes, também. Parece que a diabetes é um fator de risco para que o idoso apresente uma gravidade maior. Não houve morte de gestantes. Mas isso são dados da China.

No site do Ministério da Saúde há uma aba em que é possível verificar quais são as fake news que estão sendo espalhadas sobre o coronavírus. Para ler e se informar mais sobre o assunto, basta clicar aqui.


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