Indignação seletiva dos globais escancara bolsonarismo

Indignação seletiva é a pessoa se indignar, por exemplo, com a corrupção de um partido e não se indignar com a corrupção em outro partido

Indignação seletiva dos globais escancara bolsonarismo

Indignação seletiva é a pessoa se indignar, por exemplo, com a corrupção de um partido e não se indignar com a corrupção em outro partido

Por Antonio Pereira | Edição do dia 3 de junho de 2021
Categoria: Opiniões | Tags: ,,,,,,


Ao vir a público defender abertamente a médica bolsonarista, Nise Yamaguchi por conta das interrupções em seu depoimento na CPI da Covid, a atriz global Juliana Paes escancarou algo que estava na encolha entre seus colegas de trabalho. Muitos deles, defensores do presidente Jair Bolsonaro e do seu governo negacionista, que está sendo investigado pela suspeita de ter contribuído em milhares de mortes pela Covid por não ter providenciado a compra de vacinas a tempo, nem trabalhado para conter a pandemia no Brasil.

Juliana Paes faz parte do grupo que empunhou a bandeira do ‘combate a corrupção’ e que adorava (e ainda adora) o ex-juiz Sérgio Moro, acusado pelo Supremo Tribunal Federal de ser um magistrado parcial, tendo várias das suas decisões anuladas por terem sido tomadas para prejudicar adversários ideológicos do ex-juiz, como o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Pois bem, Juliana não está só nesta ‘luta’ pelo protagonismo direitista no meio artístico, notadamente dos que trabalham na Rede Globo de Televisão. Alguns dos colegas saíram em defesa de Juliana, muitos com o argumento de que ela tem o direito de opinar e outros apenas por solidariedade ideológica, afinal Juliana defendeu a médica Nise Yamaguchi, apontada como o cérebro por trás de um suposto gabinete paralelo capaz de ter impedido o país de comprar as vacinas e também de difundir remédios reconhecidamente ineficazes contra a doença, podendo ter causado a morte ou graves sequelas nos pacientes da Covid Brasil a fora.

Independente do que Juliana pensa sobre o tratamento dado a médica na CPI, sua indignação foi totalmente seletiva, já que na própria CPI várias senadoras foram desrespeitadas pelo simples fato de serem mulheres, o que não teve por parte da atriz nenhuma consideração pública. Assim, a polêmica toda gira em torno dessa seletividade na indignação, onde muitos dos artistas globais usam de subterfúgios espúrios para apoiar os atos considerados genocidas do atual governo brasileiro.

Veja a lista dos artistas que apoiaram Juliana: Glória Perez
Rafael Cardoso – Giovanna Antonelli – Dani Suzuki – Agatha Moreira – Rachel Apollonio – Mônica Salgado – Fernando Torquatto – Marcos Palmeira – Eri Johnson – Marcelo Antônio de Biaggi – Letícia Spiller
Andressa Suita – Elizângela – Leda Nagle – Barbara França – Lala Rudge – Anna Lima – Márcio Garcia
Leandro Hassum – Vivianne Araújo – Priscila Fantin – Bruno Monataleone – Giovanni Bianco – Gabriela Prioli

Saiba o que INDIGNAÇÃO SELETIVA

Indignação seletiva é nome dado ao processo ou comportamento de se manifestar, reclamar, protestar, criticar ou atacar algumas formas específicas de males em nossa sociedade, e intencionalmente ignorar outros, por puro interesse pessoal.

Indignação seletiva é a pessoa se indignar, por exemplo, com a corrupção de um partido e não se indignar com a corrupção em outro partido.

É a pessoa protestar contra os gastos da copa, e nada mencionar sobre os mesmos gastos do carnaval.

É a pessoa se indignar com os maus tratos a cães e gatos, mas nada mencionar sobre o comércio ilegal de animais silvestres, que gera danos ainda piores aos animais.

Ou seja, o indignado seletivo passa a protestar contra o que lhe interessa, o que lhe convém, dependendo de suas convicções políticas, religiosas, de classe social ou ideológicas, e não considera importante protestar ou se indignar com outras questões que fogem aos seus interesses.

Por exemplo, os ricos se indignam com os altos impostos (por que muitos não querem pagar imposto ou querem pagar menos impostos) e nada reclamam do valor altíssimo da sonegação de impostos no Brasil, que chega a 400 bilhões por ano. Ou reclamam da corrupção na política, estimada em 70 bilhões anuais, e nada mencionam, e fingem que não existe, a sonegação fiscal, que tira muito mais dinheiro do Brasil.

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