Idosos precisam de espaço, acessibilidade e atenção

Idosos precisam de espaço, acessibilidade e atenção

Por | Edição do dia 26 de julho de 2016
Categoria: Alagoas, Notícias | Tags: ,,,,,,


No Dia dos Avós, celebrado nesta terça (26), temas como amor, acolhimento e cuidado estão presentes em campanhas publicitárias. Porém, quando se trata de atendimento ao idoso, acessibilidade e até visitas aos que moram em instituições de longa permanência, parece que ‘passa batido’ para quem não vive essa realidade.

Além de um dia comemorativo, o idoso precisa de espaço e acessibilidade na sociedade. Casos de violência física, psicológica e de exploração – quando o dinheiro da aposentadoria é tomado por familiares -, com o adiamento ou até esquecimento de visitas de parentes aos idosos em abrigos estão presentes no dia a dia.

Medidas de atendimento especializado a pessoa idosa, ainda não foram feitas. De acordo com o gerontólogo Francisco Silvestre é possível mostrar a falta da inserção do idoso. “Em Alagoas, a forma como se pensa a casa de longa permanência é antiga, como um meio de caridade e assistencialismo de instituições religiosas, o que na verdade deveria ser um direito de cada cidadão, que é a garantia de direitos do envelhecimento, papel que o governo deveria exercer”, defende Francisco Silvestre.

É através da  gerontologia  que é feito o estudo e pesquisa do processo de envelhecimento com qualidade de vida e, sobretudo, qualidade no envelhecimento, atuando nas questões sociais.

Local de Denúncias

No estado, não existe nenhuma política pública específica para o idoso. Visto a dificuldade em fazer as denúncias, foi lançado o projeto Cuidando de Você, da Secretaria de Segurança Pública de Alagoas (SSP), em parceria com o Tribunal de Justiça do Estado (TJ), que terá início em setembro. Assim, as delegacias no 4º, 5º, e 8º Distritos Policiais de Maceió vão atender aos crimes contra pessoa idosa.
“Mas isso não supre, é necessário a criação da delegacia do idoso, onde seria pensado um espaço apropriado de acordo com as necessidades da pessoa idosa, como sanitários adaptados, corrimão, uma estrutura adaptada”, argumentou Francisco Silvestre.
“Na delegacia tem que ter um corpo de pessoas que tenham um conhecimento gerontológico, psicólogos gerontólogos, assistentes sociais, advogados com especialização e formação de direito da terceira idade. São questões peculiares a pessoa idosa, não adianta montar uma delegacia e colocar pessoas sem vocação”, destacou gerontólogo.
“Se o idoso vai a uma delegacia onde tenham queixas de todo tipo de pessoas, mesmo que tenham pessoas habilitadas para os atenderem, o idoso pode ver as situações do local e ficar nervoso e desconfortável”, completou.
Falta de visitas
(Foto: Nathali Duarte - estagiária)

Bruno Montenegro, coordenador da Casa do Pobre (Foto: Nathali Duarte – estagiária)

Outra situação frequente é a dos idosos que moram em lar de longa permanência, os antigos asilos, porém são “esquecidos” pelos responsáveis. Isso acontece quando o familiar ou até um conhecido, no caso do idoso não ter família, deixa-o sob os cuidados do abrigo, visita no começo, mas depois as visitas ficam escassas.

“A família traz e logo no início, toda semana eles veem, aí o tempo vai passando, eles começam a diminuir as visitas, visitam de quinze em quinze dias, depois de mês em mês. Aí o abrigo precisa ligar, solicitar o retorno das visitas. Isso sempre acontece”, Bruno Montenegro, coordenador da Casa do Pobre, situada no bairro da Ponta Grossa, Maceió.
O que contorna essa situação são os grupos de visitas de voluntários que vão ao abrigo, levam lanche e música. Normalmente são grupos de igreja ou de colégios, e visitam às quintas e domingos, à tarde.
“Quando tem grupos na casa, nós percebemos a alegria deles, se arrumam. E se o grupo traz música, é o que mais gostam, pois as visitas dançam, começam a conversar com eles. Isso anima os idosos e nós percebemos o quanto faz bem a eles”, disse Bruno.
Amaro José da Silva, 82 anos, vive na Casa do Pobre a mais de dois anos. Ele é de Murici, teve três filhos, mas apenas um ainda está vivo e o visita uma vez por mês. “Gosto dos meus colegas, não tenho má criação com ninguém, mas preferia estar em Murici. Meu filho quer que eu fique aqui”, relata vagamente.
Foto: Nathali Duarte - estagiária

Seu Amaro gosta da casa, mas tem saudades de Murici (Foto: Nathali Duarte – estagiária)

Sempre com o olhar profundo, fitando o horizonte, Amaro conversa um pouco sobre sua longa vida. “Eu com nove anos já trabalhava na roça com  meu pai, meu avô já tinha morrido. A minha vida foi trabalhar na roça. Todo santo dia, tinha que trabalhar por mim e meu filho. Nas vargens, sítios e assim segui a vida”.
(Foto: Nathali Duarte - estagiária)

Genivaldo Pereira (primeiro à esquerda) joga dominó com os colegas todos os dias (Foto: Nathali Duarte – estagiária)

Já Genivaldo Pereira, 69 anos, é de Coqueiro Seco, à beira da Lagoa Mundaú, e já trabalhou em escritórios de contabilidade, mas após ser internado na Santa Casa de Maceió, foi morar no abrigo.
“Dá pra viver, minha família me visita quando pode, às vezes não pode, não moram perto, mas sempre ligam pra mim. Eu gosto daqui, mas preferia estar fora, ver mais gente, conversar com pessoas diferentes”, relata Genivaldo.
Neste 26 de julho, Dia dos Avós, a Casa do Pobre acolhe 58 idosos, cuidados por uma equipe de funcionários atenciosos, mas que não aplacam a saudade de outros tempos e de pessoas queridas. A cada quinta-feira e domingo, das 13h às 15h30, pessoas que não parentes de um dos residentes pode visitá-los. A Casa é mantida com a aposentadoria dos idosos e também com doações do público.
Gerson Macena, 69, e Manoel Cirilo, 63, tocam músicas todas as tardes para se divertirem (Foto: Nathali Duarte - estagiária)

Gerson Macena, 69, e Manoel Cirilo, 63, tocam músicas todas as tardes para se divertirem (Foto: Nathali Duarte – estagiária)

*Sob supervisão da Editoria 

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