Gays continuam impedidos de doar sangue

Portaria do Ministério da Saúde foi atualizada, mas continua vetando doação

Gays continuam impedidos de doar sangue

Portaria do Ministério da Saúde foi atualizada, mas continua vetando doação

Por | Edição do dia 17 de maio de 2016
Categoria: Brasil, Notícias | Tags: ,,,,,,,


Pervertido, anormal e doente. Termos tão pesados e englobados em uma única palavra: homossexualismo. Há exatos 26 anos, em 17 de maio de 1990, a homossexualidade deixava de ser considerada uma doença pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e, com isso, caía por terra o termo homossexualismo. Apesar de vários avanços no caminho da igualdade, alguns direitos ainda são negados a esse grupo. Um deles poderia salvar até 3 vidas a cada bolsa: a doação de sangue.

No Brasil, o artigo 64 da Portaria 2712/2013 do Ministério da Saúde afirma que os gays – ou melhor, homens que fazem sexo com outros homens – não podem doar sangue por 12 meses após a prática sexual, por serem candidatos de risco. Uma prática repetida em vários países do mundo e que tem origem no mesmo período: fim dos anos 1980, quando iniciou a epidemia de Aids no mundo, vitimando principalmente os homossexuais.

No entanto, os anos passaram e ficou comprovado que a Aids não é apenas uma “doença gay”, como ficou conhecida em seus primeiros anos. A prática da doação de sangue também evoluiu, em prol da segurança e da saúde dos receptores. No Brasil, a mesma Portaria do Ministério da Saúde, em seu art. 129, levanta a obrigatoriedade de exames que detectem doenças transmissíveis por transfusão como Sífilis, Chagas, Hepatites e AIDS.

Imagem: internet

Imagem: internet

A necessidade de testes de sangue do doador confronta a proibição. Para o internauta Guto Cruz, o motivo não é a segurança, e sim preconceito contra os homossexuais. “É revoltante saber que eu não posso doar sangue pelo simples fato de ser gay. Sinto o quanto o preconceito é institucionalizado no nosso país. Tentam diminuir o outro por conta da sua sexualidade” afirmou.

Guto se pronunciou em um post na página do O Dia Mais, no Facebook, sobre uma ação itinerante de doação realizada pelo Hemocentro de Alagoas (Hemoal), reforçando o baixo estoque de sangue. “Se gays pudessem doar eu seria o primeiro da fila! Mas o machismo e a homofobia não permitem! Lamentável e revoltante!”, desabafou Guto no comentário da matéria.

O Hemoal, assim como os outros hemocentros, é obrigado a seguir a determinação do Ministério da Saúde. A gerente da Hemorrede de Alagoas, Verônica Guedes, afirma que, no estado, é integralmente cumprido o que regulamenta a Portaria 158 de 04/02/2016, que define o Regulamento Técnico de Procedimentos Hemoterápicos no país, atendendo candidatos à doação sobre os princípios da universalidade, integralidade e equidade. Porém a proibição permanece.

“[A portaria preconiza que] Os serviços de hemoterapia realizem a triagem clínica dos doadores com vistas à segurança do receptor de sangue, porém com isenção de juizo de valor, preconceito e discriminação por orientação sexual, identidade de gênero, hábitos de vida, atividade profissional, condição socioeconômica, cor ou etnia, dentre outras, sem prejuizo à segurança do receptor. O Art. 64 considera inapto por 12 meses os candidatos homens que tiveram relações sexuais com outros homens e ou, as parceiras sexuais destes”, afirmou Verônica Guedes.

Conscientização

Imgens: reprodução All Out

Imgens: reprodução All Out

A campanha internacional #WastedBlood (“Sangue desperdiçado”, em português), realizada pelo movimento global AllOut, de defesa dos direitos LGBT, fez uma ação na cidade de São Paulo, em 2016, para mostrar o quanto o Brasil perde em doações de sangue diariamente por não aceitar a doação de homossexuais.

O movimento levou para as ruas um caminhão com centenas de bolsas de sangue penduradas, representando o número de doações recusadas apenas pela orientação sexual das pessoas.

“O Brasil desperdiça mais de um caminhão cheio de sangue todo dia por puro preconceito”, foi o recado espalhado pelo All Out em São Paulo. Enquanto a proibição permanece, o site da campanha mostra uma fila de espera de doadores de sangue gays ou bissexuais e a estimativa de quantas pessoas poderiam ser ajudadas.

 

Imagem: reprodução All Out

Imagem: reprodução All Out

Confira o vídeo da campanha:

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