Galaxy Note 7 explode nas mãos de criança de 6 anos

Galaxy Note 7 explode nas mãos de criança de 6 anos

Por | Edição do dia 13 de setembro de 2016
Categoria: Notícias, Tecnologia | Tags: ,,,,,


O Galaxy Note 7 continua trazendo dor de cabeça para a sua fabricante. O smartphone da Samsung explodiu novamente enquanto um usuário fazia uso do aparelho. Dessa vez, porém, a vítima foi uma criança de 6 anos.

Segundo apurou o jornal New York Post, a criança estava assistindo vídeos no celular quando a bateria do dispositivo simplesmente explodiu em suas mãos. O jovem foi encaminhado para um hospital com queimaduras no corpo, mas passa bem. “Ele está em casa agora e não quer ver e nem chegar perto de outro celular”, afirmou a avó do garoto, Linda Lewis, ao jornal norte-americano.

Foto: divulgação

Foto: divulgação

Apesar de não ter ferido a vítima gravemente, a explosão do componente do smartphone sul-coreano foi tão potente que ativou até mesmo o alarme da casa onde o garoto mora. Vale lembrar que outro Galaxy Note 7 defeituoso gerou US$ 1.400 em prejuízos após explodir em um quarto de hotel.

A Samsung está ciente dos problemas do produto e já recomendou até mesmo que os usuários parem de usar o celular enquanto o recall não for realizado.

Por que baterias de smartphones explodem

Os smartphones modernos são equipados com uma certa variedade de produtos químicos que, por sua natureza, tornam-o potencialmente explosivo. É papel das fabricantes certificar-se de que o dispositivo possui sistemas de segurança confiáveis.

“O elemento químico lítio é um metal que, em contato com água ou oxigênio (por exemplo do ar), inicia um processo de combustão espontânea extremamente violento”, explica a especialista Maria de Fátima Rosolem, pesquisadora da área de Sistemas de Energia do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações (CPqD). Para conter essa explosão, a bateria utiliza sais e óxidos de lítio, em vez do lítio metal.

Um solvente orgânico é usado para impedir a formação do lítio metálico e que ele entre em contato com um meio aquoso, usado em outros tipos de baterias, o que naturalmente causaria uma explosão.

O eletrólito – componente químico que impede a bateria de explodir – deve ser sempre mantido numa faixa de temperatura pré-definida pela fabricante. Dentro de cada bateria de smartphone existe um circuito eletrônico, chamado BMS (Battery Managment System) ou PCM (Protection Circuit Module) que é responsável por manter essa temperatura estável.

“Caso estes limites sejam ultrapassados, o BMS/PCM deve atuar de maneira que a bateria fique inoperante antes de provocar algum dano maior”, explica Rosolem.

Outra possibilidade, segundo a pesquisadora, tem a ver com o tipo de material escolhido pela empresa no momento da fabricação dos componentes. “Os materiais internos da bateria de lítio-íon também se decompõem quando atingem certas temperaturas (a partir de cerca de 90ºC), gerando reações exotérmicas que podem levar a bateria a pegar fogo ou explodir”, diz.

Se algum tipo de impureza ou contaminação atingir os materiais durante o processo de fabricação, um curto-circuito interno entre as placas, com consequente geração de calor, pode também levar a bateria a pegar fogo ou explodir. Resumidamente: opções não faltam. A bateria de um smartphone é uma bomba esperando um pequeno deslize para estourar.

É claro que deslizes como esses são extremamente raros, tendo em vista a quantidade de smartphones que são fabricados e vendidos em todo o mundo ano após ano sem problemas. Não há motivo para acreditar que o seu celular pode explodir a qualquer momento se ele não for um Galaxy Note 7, portanto.

Uma exceção

No caso específico do novo top de linha da Samsung, a explicação oficial da empresa é de que “um superaquecimento da célula acontecia quando o anodo entrava em contato com o cátodo, o que é um erro muito raro no processo de produção”. O defeito, aliás, não aparece em nenhum outro modelo de smartphone vendido atualmente pela marca coreana.

Segundo Rosolem, esse superaquecimento pode muito bem ter sido causado por um defeito no BMS/PCM. “Condições internas podem provocar bolhas de gases e rupturas microscópicas nos materiais isolantes entre as placas positiva e negativa”, diz ela, o que ocasionaria “a circulação de correntes elevadas e consequente elevação de temperatura nesses pontos”.

Esse efeito cascata é chamado de “thermal runaway” (ou “corrida térmica”, em tradução livre) e, uma vez iniciado, nem mesmo sistemas de segurança como o BMS/PCM podem evitá-lo. É por isso que equipamentos maiores, como desktops ou notebooks, vêm com ventoinhas ou sistemas de refrigeração a líquido que impedem o superaquecimento acidental – e que não cabem dentro de um smartphone.

De acordo com a especialista do CPqD, defeitos de fábrica podem não ser os únicos culpados em alguns casos. O usuário também pode ocasionar explosões ou falhas semelhantes se não cuidar bem do seu celular, usando, por exemplo, carregadores falsos (que podem danificar o BMS/PCM) ou expondo a bateria a temperaturas altas (deixar no interior do carro, ou diretamente exposto ao sol) por muito tempo.

O recall do Galaxy Note 7 deve continuar até que a empresa tenha certeza de que o defeito foi corrigido e que os usuários podem usar de maneira segura o (apesar de tudo) excelente top de linha da Samsung. Mas não se surpreenda se novos casos de smartphones explosivos surgirem por aí no futuro.

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