, Terça-Feira - 10 de Dezembro de 2019

 

Futuro da cirurgia cardíaca chegou com técnica operatória minimamente invasiva

Assessoria / 1:28 - 02/12/2019

Incisões de 5 a 7cm garantem menos complicações e a rápida recuperação do paciente


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Foto: Divulgação

Peito aberto e recuperação difícil são duas principais das referências quando se fala em cirurgia cardíaca. Dependendo do caso, o método convencional (cirurgia aberta) é a única opção, mas o procedimento minimamente invasivo tem mudado a vida de pacientes da Santa Casa de Misericórdia de Maceió que se encaixam no perfil exigido para o tipo de tratamento.

 

O Serviço de Cardiologia da instituição realiza cirurgias minimamente invasivas sem vídeo em pacientes com problemas coronários, na válvula aorta e mitral ou com cardiopatias congênitas.

Como resultado: menos tempo de internação, menor risco de sangramento e de infecção, menor necessidade de transfusão sanguínea, menos dor pós-operatória, e o retorno precoce às atividades habituais.

Cortes de 5 a 7 cm, que substituem as tradicionais incisões de 18 cm, são os diferenciais na cirurgia.

“A cirurgia é feita por meio de uma incisão pequena no esterno (osso chato, localizado na parte anterior do tórax) ou no músculo intercostal. Diferente da cirurgia convencional, que se caracteriza pela abertura total do esterno, os cortes não passam de 7 cm. O procedimento tem duração igual ou superior ao convencional em razão do acesso ser menor, pois o corte é feito em cima da área que será trabalhada. Como a incisão é pequena, a cirurgia também ganha na parte estética. Nas mulheres, por exemplo, é possível fazer o acesso pela aréola, deixando uma cicatriz mínima”, ressaltou o cirurgião Eolo Ribeiro Alencar.

A cirurgia cardíaca minimamente invasiva sem vídeo envolve duas situações: a primeira delas é a possibilidade da realização dos procedimentos cardíacos utilizando como via de acesso outras incisões que não a clássica abertura do osso esterno. E a segunda situação é a possibilidade de corrigir defeitos na superfície do coração, sem a utilização do chamado BYPASS cardiopulmonar, ou seja, a cirurgia é feita com o coração batendo.

Os pacientes com indicação para tratamento cirúrgico geralmente recebem avaliação após a realização de um cateterismo cardíaco ou ecocardiograma.

“Avaliamos fatores como o diagnóstico pré-operatório, as condições físicas e anatômicas do paciente, bom como dos exames de imagem para saber se o candidato está apto ao procedimento”, lembra o especialista. Para esse tipo de procedimento o paciente é adulto e não são viáveis para todos eles. As restrições se aplicam em pessoas muito idosas e obesas.

Na Santa Casa de Maceió, as cirurgias minimamente invasivas cardíacas para os pacientes do SUS, geralmente, são associadas a cirurgias sem circulação extracorpórea, o que minimiza o sangramento pós-operatório e a necessidade transfusional. Atualmente, a Santa Casa de Maceió realiza o procedimento sem vídeo para a troca de válvula aórtica e para tratamento das coronárias, mas está se estruturando para implantar o vídeo para o tratamento de válvula mitral e CIA.

“Por mês, o Serviço realiza uma média de 25 cirurgias nas várias técnicas empregadas na instituição. O que temos hoje, como programa para o futuro, é formação de uma nova equipe de transplante cardíaco. Isso vai aumentar o número de procedimentos. Temos também um projeto novo para o transplante associado ao programa de oxigenação por membrana extracorpórea (ECMO), que é uma técnica médica extracorpórea usada para fornecer suporte de oxigênio para coração e pulmões em pacientes nos quais estes órgãos estão com a função muito prejudicada e, num futuro muito próximo, o ventrículo artificial”, relatou o cirurgião Eolo Ribeiro Alencar.

Com a modernização da UTI cardíaca realizada no ano passado, o setor dispõe  de novos leitos e equipamentos de última geração, e deve se tornar a UTI, no estado, a fazer o tratamento dos pacientes com ECMO.


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