Frente Ampliada posiciona-se contrária ao ‘revogaço’ de portarias que pretende acabar com programas voltados a saúde mental

CAPS passaria a realizar apenas atividades auxiliares ao manicômio; Frente Ampliada Em Defesa da Rede de Atenção Psicossocial está buscando o apoio de deputados federais e senadores de Alagoas

Frente Ampliada posiciona-se contrária ao ‘revogaço’ de portarias que pretende acabar com programas voltados a saúde mental

CAPS passaria a realizar apenas atividades auxiliares ao manicômio; Frente Ampliada Em Defesa da Rede de Atenção Psicossocial está buscando o apoio de deputados federais e senadores de Alagoas

Por Assessoria | Edição do dia 24 de dezembro de 2020
Categoria: Notícias, Política | Tags: ,,,


Frente Ampliada Em Defesa da Rede de Atenção Psicossocial (Foto: Assessoria)

O governo federal está tentando revogar mais de 90 portarias ministeriais, construídas em mais de 30 anos de política de saúde mental e isso implicaria no fim de programas importantes para o cuidado a pessoas em sofrimento mental, como o De Volta para Casa, as equipes de Consultório na Rua e os Serviços Residenciais Terapêuticos. Tereza Cristina, assistente social da saúde de Maceió, que compõe o time das Mulheres Podemistas, está participando da Frente Ampliada em defesa da RAPS (Rede de Atenção Psicossocial) de Alagoas que tem se encontrado com deputados federais, vereadores e senadores para alertar os parlamentares sobre a tentativa de “revogaço” por parte do poder executivo.

Em Maceió existem dois CAPS AD (Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas), um pertencente ao município, que funciona 24 horas; mais quatro CAPS que atendem pessoas com transtornos diversos e um CAPSi que atende crianças e adolescentes. Estima-se que, entre 65% a 70% das pessoas atendidas nesses quatro serviços são mulheres. Exceto o CAPS AD que tem, em sua maioria, homens, em acompanhamentos, o que leva várias mães, esposas e avós, ou seja, mulheres a procurar o serviço e precisam do suporte que o CAPS oferece. Não se tem dados para quantificar quantas pessoas no total seriam afetadas somente em Maceió, mas calcula-se que milhares de pessoas seriam prejudicadas diretamente. Importante ressaltar que, muitas pessoas em sofrimento mental não conseguem sequer acessar os serviços existentes que são em número menor o necessário para o porte populacional da cidade.

A luta que Tereza Cristina vem se dedicando há anos vai além de impedir o revogaço, mas de fortalecer e ampliar essa RAPS. Em todo o estado, existem 65 CAPS, se o governo federal revogar as várias portarias criadas entre 1991 e 2014, os CAPS passariam a realizar tão somente serviços de reabilitação, o que vai de encontro com toda sua lógica de funcionamento construída democraticamente ao longo de décadas.

Outra preocupação que incomoda a Tereza Cristina é em relação aos Serviços Residenciais Terapêuticos. Serviços pensados para dar uma condição de vida digna às pessoas internadas por longos anos em hospitais psiquiátricos. Após 17 anos de defasagem histórica, Maceió conseguiu implantar as primeiras sete Residências Terapêuticas, transferindo setenta pessoas de muros manicomiais para moradias dignas. Isso se deu enquanto Tereza esteve na gestão da Saúde Mental de Maceió, em 2017, após batalhas jurídicas e processos administrativos. “É muito preocupante o que pode acontecer com essas pessoas caso sejam obrigadas a voltar para os hospitais psiquiátricos. Hospital não é lugar de moradia para ninguém; e as Residências são instituições de saúde, não podem ser transferidas para a Assistência Social”.

A Frente Ampliada em Defesa da Rede de Atenção Psicossocial está dialogando com deputados, vereadores e senadores, na busca pelo compromisso com uma Política de Saúde Mental que preze pelos direitos humanos e pelo cuidado em liberdade.

“O governo está tentando destruir os programas voltados para a saúde mental, eu tenho trabalhado em defesa da saúde mental, assim como várias pessoas aguerridas e potentes da Frente Ampliada. Imagine, em plena pandemia, com o aumento dos suicídios e de pessoas com depressão, acabar o atendimento a população que já é necessitava de serviços voltados a saúde mental? Inúmeras mulheres serão prejudicadas; tenho feito essa discussão dentro do Podemos Mulher para que fiquemos atentas e que os representantes do partido também façam essa defesa. Tivemos encontros com os deputados Paulão e Tereza Nelma, temos outros agendados, estamos buscando apoio para impedir esse absurdo que o governo federal está fazendo”, disse Tereza Cristina. “Vou mais além, acredito que o momento é propício para os nossos representantes pensarem em fortalecer e ampliar a RAPS”.

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