FPI do São Francisco e MPE/AL iniciam 4ª etapa do projeto neste domingo

O objetivo é diagnosticar os danos ambientais em municípios dependentes do “Velho Chico”

Por | Edição do dia 12 de novembro de 2015
Categoria: Blog


Foto: MPE-AL

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Começa neste domingo (15) a 4ª etapa da Fiscalização Preventiva Integrada da Bacia Hidrográfica no Rio São Francisco (FPI do São Francisco), que tem como objetivos diagnosticar os danos ambientais em municípios dependentes do “Velho Chico” e adotar medidas de prevenção ao meio ambiente. Com a participação dos promotores de Justiça do Núcleo de Defesa do Meio Ambiente do Ministério Público do Estado de Alagoas, Alberto Fonseca e Myria Ferro, a ação terá o protagonismo de 22 órgãos estaduais e federais e seguirá até o dia 27 de novembro.

Nesta edição, a FPI do São Francisco passará pelos municípios de Palmeira dos Índios, Jaramataia, Igaci, Minador do Negrão, Estrela de Alagoas, Major Izidoro e Cacimbinhas. No último dia da operação, será realizada uma audiência pública para apresentar os resultados da fiscalização preventiva integrada para os gestores municipais, representantes da sociedade civil e organizações sociais da região. O encontro terá início às 14h, no ginásio do Colégio Estadual Humberto Mendes, localizado na Av. Governador Muniz Falcão, nº 701, bairro do São Francisco, no município de Palmeira dos Índios.

“Serão objetos de fiscalização nas cidades serviços como esgotamento sanitário, abastecimento de água, gerenciamento de resíduos sólidos e desmatamento nas margens do rio. Os problemas enfrentados pelo estado de Alagoas são, principalmente, ações de supressão vegetal, que atingem as Áreas de Preservação Permanente, matas ciliares e nascentes. O fim da vegetação leva a consequências graves, como o assoreamento do Rio São Francisco”, destaca o promotor de Justiça Alberto Fonseca.

A novidade desta 4ª etapa será a equipe Flora, que ficará responsável pelo combate aos crimes ambientais contra a vegetação. Ela coibirá o desmatamento decorrente da supressão de caatinga; o armazenamento, transporte e comercialização de produtos e subprodutos da flora brasileira (madeira e carvão vegetal irregular e ilegal), bem como a utilização deles em comércio. O grupo vai atuar em alvos fixos e no apoio a outras equipes que localizarem o uso ilegal dos produtos e sub-produtos em destaque, a exemplo de fábricas de laticínios e cerâmicas.

Já a equipe de Educação Ambiental, inovação de sucesso da etapa anterior da FPI, continuará a visita às escolas da rede pública municipal e estadual para realizar dinâmicas com os estudantes, a exemplo de jogos interativos e gincanas relacionadas à proteção do meio ambiente. Na ocasião, os alunos receberão kits dos “guardiões da natureza”, que contarão com camisetas, bottons e cartilhas educativas. A equipe também acompanhará o plantio de mudas nas cidades por onde a FPI do São Francisco passar e promoverá palestras voltadas para os gestores públicos municipais.

O trabalho da equipe de Educação Ambiental será complementado pela equipe Fauna, que incentivará a entrega voluntária de animais silvestres pela população. O grupo visitará rádios comunitárias para divulgar a iniciativa e disponibilizará um caminhão estacionado nas praças mais centrais de cada município para facilitar a devolução dos bichos, momento que costuma contar com o apoio das crianças, principalmente dos estudantes das escolas que a FPI visita.

FPI do São Francisco

O projeto foi espelhado numa experiência bem-sucedida da Bahia, iniciada no ano de 2002, sob a coordenação geral do Ministério Público Estadual daquele estado. Em Alagoas, o Programa começou a ser executado em 2014 e envolveu dezenas de instituições, que percorreram diversos municípios margeados pelo “Velho Chico”, cabendo ao Ministério Público Estadual de Alagoas o comando dos trabalhos.

Por ano, ocorrem duas etapas, uma em cada semestre. Na primeira etapa de execução, em maio do ano passado, o resultado das ações foi considerado exitoso e variadas sanções foram aplicadas aos infratores. Nas duas edições seguintes, novas cidades foram alvo da FPI, fiel aos objetivos de defender o Rio São Francisco e garantir melhoria da qualidade de vida da população ribeirinha.

Nove grupos são definidos para realizar o trabalho de fiscalização: equipe fauna; equipe centros de saúde; equipe de saneamento básico, abastecimento de água e esgotamento sanitário; equipe de extração mineral, resíduos sólidos e postos de combustíveis, equipe de ocupação irregular às margens do São Francisco, equipe aquática; equipe de produtos perigosos e produtos em uso de origem animal e vegetal; equipe flora; e equipe de educação ambiental.

O trabalho passa então a ser executado em quatro fases – planejamento, execução, audiência pública e desdobramentos. Ao Ministério Público Estadual, por exemplo, compete formalizar Termos de Ajustamento de Conduta (TAC) e fazer a propositura de ações civis públicas e penais contra pessoas físicas e jurídicas públicas e privadas que forem flagradas no cometimento de crimes ambientais.

Composição

Os promotores de Justiça Alberto Fonseca e Myria Ferro – do Núcleo de Defesa do Meio Ambiente – acompanham as equipes compostas pelo Ministério Público do Estado de Alagoas, Ministério Público Federal, Ministério Público do Trabalho, Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Recursos Hídricos, Secretaria da Fazenda do Estado de Alagoas, Secretaria de Estado da Saúde de Alagoas, Secretaria de Estado da Agricultura e Desenvolvimento Agrário, Secretaria de Estado da Pesca e da Aquicultura, Polícia Militar de Alagoas e Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Alagoas.

Também fazem parte o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis, Departamento Nacional de Produção Mineral, Polícia Rodoviária Federal, Superintendência do Patrimônio da União, Instituto do Meio Ambiente, Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco, Marinha do Brasil, Fundação Nacional da Saúde, Fundação Nacional do Índio, Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, Agência de Defesa e Inspeção Agropecuária de Alagoas e Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado de Alagoas.

Cada grupo, de acordo com o seu objetivo de fiscalização, é composto por pelo menos cinco diferentes órgãos, que, já no início da manhã, seguem, separadamente, para alvos previamente escolhidos e suspeitos da prática de agressão ao meio ambiente.

O resultado do trabalho realizado durante o dia é informado às demais equipes na reunião que ocorre sempre no final do expediente.

Atuação

Durante as ações de fiscalização, à medida que forem diagnosticados os danos ambientais, adota-se, de imediato, as sanções administrativas para a respectiva agressão. Além disso, claro, as informações e as constatações de cada problema servem de base para a responsabilização civil e criminal dos infratores ambientais, haja vista que, no final do plano de execução, relatórios serão enviados pelas equipes ao Ministério Público Estadual com essa finalidade.

E como a operação visa colaborar com o processo de recuperação da bacia hidrográfica, inibindo a degradação provocada pelo poder público e pela iniciativa privada na região, são objetos de fiscalização nos municípios serviços como esgotamento sanitário, abastecimento de água, gerenciamento de resíduos sólidos, extração irregular de minérios, desmatamento às margens do rio e pesca predatória.

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