Filho de idoso morto por Covid-19 relata negligência e UPA e Sesau se pronunciam

Por nota, a administração das UPAs e a Sesau informaram que atendimento seguiu diretrizes oficiais

Filho de idoso morto por Covid-19 relata negligência e UPA e Sesau se pronunciam

Por nota, a administração das UPAs e a Sesau informaram que atendimento seguiu diretrizes oficiais

Por | Edição do dia 1 de abril de 2020
Categoria: Coronavírus | Tags: ,,,,


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Foto: Agência Brasil

Após a morte da primeira vítima de Covid-19 em Alagoas, o filho da vítima relatou negligência médica no atendimento ao seu pai e ausência de histórico de viagem. A vítima, José Dagmar Xavier da Rocha, de 63 anos, morreu na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do bairro Trapiche da Barra, em Maceió, na segunda-feira, 30, e teve a confirmação de Covid-19 por meio de exame divulgado nessa terça-feira, 31. Por nota, a administração de UPAs em Alagoas e a Secretaria de Estado de Saúde (Sesau) informaram que houve o atendimento adequado ao paciente.

Em entrevista ao Acta, Antônio Guedes da Rocha Neto, filho da primeira vítima fatal por Covid-19 em Alagoas, contou que seu pai deu entrada na UPA do Jacintinho entre os dias 16 e 17 de março, por causa de uma infecção na garganta. No local, a ele foi receitado um remédio, mas, pela falta de melhora, o idoso retornou ao local. O filho pediu para que o médico solicitasse exames de sangue e um raio X. Ele foi atendido e no resultado do exame de raio X foi comprovada uma infecção pulmonar.

“Ele passou um remédio para sete dias, mas se passaram três, quatro dias e o meu pai não melhorou. Por causa disso, ele voltou [a UPA]”, detalhou.

Por suspeitar que seu pai poderia estar com Covid-19, Antônio retornou com seu pai até o local e pediu o exame para detectar o novo coronavírus. Mas, segundo ele, o médico havia dito que não era necessária a realização desse exame. Uma outra médica chegou a examinar seu José e também detectou a infecção pulmonar. Para ela, Antônio pediu a internação do seu pai no Hospital de Doenças Tropicais (HDT) e, mais uma vez, seu pedido foi negado.

” Meu pai não conseguia dormir, os batimentos [cardíacos] estavam caindo, ele chegou a ser colocado no tubo de oxigênio e, depois, ele foi encaminhado para o HGE. Lá no HGE, fizeram a triagem e o médico informou a suspeita de Covid-19. De lá, ele foi mandado para a UPA do Trapiche, ele entrou com o sintomas e fizeram o exame. O atendimento da UPA do Trapiche foi 10, não tenho do que reclamar, mas o meu pai precisava de cuidados mais avançados. Tentei transferência para o Veredas, mas não consegui”, contou.

Antônio também expôs a dificuldade que teve para encontrar algum cartório e bancos abertos, além de dificuldade em enterrar o pai em um cemitério particular. Ele ainda afirmou ter sofrido preconceito no prédio em que mora, por causa da doença e que, no momento, ele e a família estão isolados em casa.

Esclarecimentos

Por nota, o Instituto Saúde e Cidadania – ISAC, que administra as UPAs Trapiche da Barra, Benedito Bentes, Irmã Dulce (Marechal Deodoro) e do Hospital IB Gatto (Rio Largo), informou que a entrada no paciente na unidade do Trapiche, trazido pelo Samu, ocorreu dia 26 de março (quinta-feira), às 23h45.

Ele assim que chegou, foi atendido e direcionado para o atendimento voltado a pessoas com suspeita de Covid-19. Ele foi submetido a consulta médica e, posteriormente, encaminhado a uma área restrita, para maior gravidade. Uma coleta de amostra do paciente foi feita, para ser enviada ao Laboratório Central do Estado (Lacen). Mas, apesar de todo do atendimento médico, o paciente não resistiu por causa do agravamento do quadro clínico.

Os profissionais que tiveram contato com o paciente seguiram as diretrizes oficiais e usaram os equipamentos de proteção individual. Eles também estão sendo monitorados e, caso apresentem sintomas, farão o teste.

A Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) também se pronunciou e informou (clique aqui para ler a nota na íntegra) que, segundo relatos descritos pelo Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde (Cievs), o paciente, após dar entrada na UPA do Trapiche com os sintomas de falta de ar e histórico de febre, teve um cateter instalado para regularizar os níveis de oxigênio. A equipe médica do HGE já havia, anteriormente, solicitado exame de sangue e de imagem e o paciente já havia passado por exames de coletagem ainda no Hospital Geral, que foi encaminhada para o Lacen.

Na UPA do Trapiche, o médico, ao perceber a gravidade, entubou o paciente na própria UPA, onde há leitos intensivos, voltados para os pacientes com suspeita do novo coronavírus.

Com a conclusão na analise laboratorial, o resultado do exame foi divulgado nessa terça-feira como positivo para Covid-19. De acordo com o prontuário médico, o paciente era hipertenso e diabético.

 

Leia a nota do ISAC na íntegra:

O Instituto Saúde e Cidadania – ISAC, gestor das UPAs Trapiche da Barra, Benedito Bentes, Irmã Dulce (Marechal Deodoro) e do Hospital IB Gatto (Rio Largo) vem esclarecer os fatos relacionados ao atendimento do paciente, que faleceu na UPA Trapiche, com Covid-19.

O paciente deu entrada na unidade no dia 26 de março (quinta-feira), às 23h45, trazido pelo Samu.

Como a UPA Trapiche é uma unidade de atendimento de urgência e emergência, o paciente foi atendido assim que chegou.

A unidade possui um fluxo específico para atendimento de pessoas com suspeita de coronavírus, para o qual ele foi direcionado.

Após isso, foi submetido a consulta médica e encaminhado para a área restrita a casos suspeitos de Covid-19, com maior gravidade.

O procedimento de estabilização foi adotado e, em seguida, foi feita a coleta de amostra para envio ao Laboratório Central do Estado (Lacen), responsável pela análise.

Mesmo tento recebido todo o atendimento médico necessário na unidade, o paciente infelizmente não resistiu e faleceu à 1h52, do dia 30 de março, por causa do agravamento do quadro clínico, que já era grave.

Conforme consta em atestado de óbito, a causa da morte foi insuficiência respiratória aguda, provocada por Covid-19, baseando-se na história clínica do paciente, conforme preconiza o manual do Ministério da Saúde, para preenchimento da declaração e óbito.

DIVULGAÇÃO DO RESULTADO

A UPA Trapiche tomou conhecimento do caso de modo extra-oficial e aguardou a divulgação oficial do Lacen para emitir essa nota.

CONTINUIDADE DO ATENDIMENTO

O atendimento na UPA Trapiche, assim como nas demais unidade gerenciadas pelo Instituto ISAC, continua sendo feito normalmente, conforme recomendação do Ministério da Saúde.

Os profissionais que tiveram contato com o paciente seguiram todas as diretrizes oficiais e usaram os equipamentos de proteção individual determinados.

Todos eles estão sendo monitorados e, caso apresentem sintomas, vão fazer o teste. Essa medida preventiva tem o objetivo de evitar resultados falso-negativos pela testagem precoce de Covid-19.

O Instituto ISAC ressalta que está à disposição para dar os esclarecimentos necessários à imprensa e à população, por intermédio da Assessoria de Comunicação da unidade.

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