Festa das Águas realiza live para debater sobre a cultura preta

Transmissão ao vivo reúne produtores do evento e representantes de grupo afro percussivos de Alagoas

Festa das Águas realiza live para debater sobre a cultura preta

Transmissão ao vivo reúne produtores do evento e representantes de grupo afro percussivos de Alagoas

Por Assessoria | Edição do dia 21 de março de 2021
Categoria: Cultura, Notícias | Tags: ,,


Festa das Águas realiza live para debater sobre a cultura preta (Foto: Assessoria)

Após a publicação de 18 vídeos de grupos afro percussivos alagoanos na primeira edição da Festa das Águas online, vem a culminância da primeira etapa do projeto com a live que busca aprofundar o debate sobre a cultura preta em Alagoas, suas nuances, particularidades, desafios e potencialidades.

Com o tema: Ancestralidade atemporal: passado, presente e futuro, a live será realizada neste domingo, 21 de março, Dia Internacional pela Eliminação da Discriminação Racial, às 19h, com a participação do Mestre Wilson Santos, percussionista, produtor da festa, professor e coordenador da Orquestra de Tambores de Alagoas; Sirlene Gomes (Professora Rasteirinha) – CEPA Quilombo; Christiano Barros – Produtor Cultural/ Coletivo AfroCaeté; e Jonathan Silva – Administrador/ Rede Cenafro e Formmer Afro; além de Luila De Paula, como mediadora. Para participar da live, basta acessar o link: https://www.youtube.com/channel/UC5l68tXbSLmFWKwnQWvJHeA/videos .

A festa, considerada o maior evento afro percussivo de Alagoas, é realizada há 11 anos na praia de Pajuçara para reverenciar Iemanjá e apresentar a nossa cultura. Devido à pandemia, o evento não pôde ser realizado em 2020. Com a aprovação da Lei Aldir Blanc de Apoio à Cultura, o projeto da festa foi inscrito no edital Dinho Oliveira, da Secretaria de Cultura do Estado de Alagoas (Secult) e selecionado.

Ao todo, 16 grupos afro percussivos, a maioria ligada a casas de axé, participam desta edição online: Afoxé Povo de Exu; Afoxé Odô Iyá; Afoxé Oju Omim Omorewa; Afoxé Ofá Omin; Samba de Terreiro K’Posú; Coletivo AfroCaeté; Maracatu Baque Alagoano; Banda Ogbon; Afro Afoxé; Afro Zumbi; Afro Mandela; Afro Dendê; Orquestra de Tambores; Árà Funfum Ómàngèré – Inaê; Afojubá; e Thembá, cujos integrantes contaram um pouco de sua história e apresentaram sua musicalidade nas gravações.

Os grupos se dividiram em cinco dias de gravações, cumprindo o protocolo sanitário, no palco centenário do Teatro Deodoro, com o apoio da Diretoria de Teatros do Estado de Alagoas (Diteal).

Com a estreia no dia 06/03/202, a Festa das Águas ganhou o mundo através das redes sociais. Os vídeos estão disponíveis no Instagram, Facebook e Youtube, pelos links https://instagram.com/festadasaguas_al?igshid=zv5ew7h7ueog , https://www.facebook.com/festadasaguasmaceio/ e https://www.youtube.com/channel/UC5l68tXbSLmFWKwnQWvJHeA .

“Os trabalhos que vem sendo desenvolvidos são de uma beleza enorme. O que a gente observa, para além da identidade, dessa relação com Zumbi dos Palmares, temos também a questão cultural. Estamos exportando linguagens artísticas relacionadas à questão afro. Nós temos uma pérola na mão que ainda não foi lapidada. Se a gente consegue observar, junto à sociedade e ao poder público, essa cultura afro como fonte de geração de renda, de fortalecimento da economia criativa, a partir do diálogo com a educação e trade turístico, temos inúmeras possibilidades. É preciso observar esse movimento como alagoano, que pode e deve agregar muitos valores para o nosso estado”, observou Wilson Santos, percussionista, produtor da festa, professor e coordenador da Orquestra de Tambores de Alagoas.

Sirlene Gomes, mais conhecida como professora Rasteirinha, faz parte do Grupo de Estudos e Pesquisas Afro Alagoano Quilombo e é professora do grupo de Capoeira Águia Negra. Ela acompanha o evento desde o início e ressalta a sua essencialidade. “Em todas as edições da Festa das Águas, que o CEPA Quilombo participou, com exceção de 2019, sempre estivemos presentes. A Festa é de uma importância muito grande porque traduz toda a ancestralidade negra. O dia oito de dezembro já é reverenciado pelos terreiros de candomblé, de irmos para lá, pedir proteção, força, nos energizar. Todos somos ligados à questão religiosa, dos terreiros. A religiosidade está muito ligada à questão cultural e artística, tanto que as músicas trazem essa referência da ancestralidade. Então, ir para as celebrações é quase uma obrigação. Houve um momento que a quantidade de grupos era tão grande que a festa teve de ser um festival de dois dias. Todo mundo queria levar seus presentes para Iemanjá e estar no palco mostrando a sua musicalidade, sua performance, sua cultura. Não participar da Festa das Águas seria estar fora de tudo que existe de mais grandioso no mês de dezembro no que se refere ao ritual afro”, conta.

Sirlene continua: “O Quilombo sempre participou, não só com suas apresentações, como também da pré-produção do evento. É um momento muito especial. As edições da Festa das Águas eram em si o presente para a Iemanjá. Trabalhamos o ensaio, a coreografia, a estética, de fazer o melhor e mais bonito. Participar desta edição virtual foi um misto de inquietação, de surpresa, descoberta, alegria. Era tudo muito novo. A gente achava que não ia ter festa. O Christiano Barros, produtor, me procurou e os outros integrantes, marcou uma reunião e nos encontramos com todos os cuidados necessários. O coração já começou a bater de forma acelerada, havia um brilho no olhar, uma luz no fim do túnel, que nos guiava à preparação do evento. Foi tudo muito belo, harmonioso, profissional, místico. São 11 edições na praia e essa que acontece no centenário Teatro Deodoro com as gravações. Tudo isso fomenta a cultura, gera renda, fortalece as produções, os grupos, trabalha a autoestima, a condição de pertencimento e fomenta a arte negra em toda a sua estética. Não tem como mensurar a grandiosidade deste evento para os grupos afro percurssivos e para a cidade de Maceió”.

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