Exposição à luz de aparelhos eletrônicos requer 30 minutos de intervalo a cada duas horas, afirma especialista

Por Thiago Luiz - Estagiário* | Edição do dia 20 de setembro de 2020
Categoria: Especiais | Tags: ,,,,,,


Foto: Alliance / Adobe Stock / Reprodução

Com o avanço da tecnologia, o consumo por conteúdo e desenvolvimento de trabalhos, estudos e outras atividades por meio de aparelhos eletrônicos se tornou algo comum e até imprescindível. A chegada da pandemia do novo coronavírus e consequentemente a necessidade do isolamento social aumentou ainda mais o contato virtual. Reuniões, aulas e até sessões de terapia com psicólogos tiveram que se adaptar à nova realidade através de uma tela. Mas a necessidade de utilização de celulares, computadores e tablets não reduz o risco de prejudicar a visão, em casos de exposição por muito tempo a essas luzes.

De acordo com o médico João Lourival, pediatra do Hospital Veredas e especialista em oftalmologia, os problemas causados pelo excesso de tempo de exposição às telas vão muito além de uma simples dor de cabeça. “O tempo em demasia diante dessas telas tem danos relacionados à capacidade de concentração. Existe também o ressecamento do olho. Uma vez que você aumenta a pressão, diminui o reflexo de piscar”, afirmou o especialista.

Segundo ele não há uma lesão direta no olho, a pessoa que passa muito tempo na frente dos aparelhos eletrônicos não vai cegar, desenvolver glaucoma ou aumentar a pressão intraocular, mas pode alterar o comportamento.
“Uma coisa interessante de se colocar é que a tela emite um tipo de luz que se assemelha à luz solar. Quando você utiliza esses equipamentos à noite, o cérebro interpreta que é dia e isso pode alterar o ritmo circadiano, ou seja, pode desenvolver insônia e problemas de concentração”.

Ainda de acordo com o médico, no que se refere à exposição de crianças a esse tipo de luz, só é recomendada para pessoas acima de dois anos de idade, por apenas duas horas ao dia. Já para os adultos, que não precisam muitas vezes passar o dia todo com os aparelhos por conta de trabalho, a orientação é que tenha um intervalo de 30 minutos a uma hora, a cada duas horas de exposição, que lubrifique o olho e lembre do reflexo de piscar.

Além de comprometer a visão, estar muito tempo “conectado” pode ainda afetar a saúde mental de uma pessoa. Ainda mais em tempos de quarentena, onde isolamento é uma palavra muito forte para evitar o contágio pelo novo coronavírus. A necessidade de se manter distante pode reforçar uma característica que já vinha sendo observada por psicólogos antes mesmo da pandemia.

“Já existia um certo isolamento dos seus familiares no sentido de tocar, de abraçar, agora isso ganhou mais força. É o que a gente chama de condicionamento. Essa questão veio nos mostrar o quanto precisamos um do outro, mas estamos fazendo um caminho inverso. Não ligamos mais para desejar feliz aniversário, mandamos mensagens. Estamos ficando muito robotizados”, afirmou o psicólogo Carlos Gonçalves.

Para a psicologia, o isolamento social para pessoas que não fazem terapia ou busca o autoconhecimento aumenta o risco de desenvolvimento dos distúrbios. “É uma mudança gritante e a gente tem que entender de que forma pode passar por isso sem ter sequelas, porque quem não busca se conhecer pode viver uma ilha, ficar isolado e isso acarretar em depressão, ansiedade ou crises de pânico, que tem crescido muito diante desse quadro da pandemia”, disse o especialista.

 

*Sob supervisão da coordenação do site.

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