Cabral pediu à empresa JBS que comprasse a Rica Alimentos

Suspeita é de que os valores foram repassados como uma forma de ocultar a origem ilícita do dinheiro

Cabral pediu à empresa JBS que comprasse a Rica Alimentos

Suspeita é de que os valores foram repassados como uma forma de ocultar a origem ilícita do dinheiro

Por | Edição do dia 5 de abril de 2017
Categoria: Notícias, Política | Tags: ,,,


O presidente global de Operações da JBS, Gilberto Tomazoni, afirmou nesta quarta-feira em depoimento à Justiça Federal que o ex-governador Sérgio Cabral pediu à empresa que comprasse a Rica Alimentos, que comercializa frangos. A tentativa de intermediação – o negócio não foi para frente – aconteceu em 2015, quando Cabral já havia deixado o governo.

MPF informou que havia identificado pagamentos da Rica à SCF Comunicações, empresa de Cabral - Marcelo Carnaval Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/brasil/executivo-da-jbs-diz-que-cabral-pediu-empresa-que-comprasse-rica-alimentos-21164253#ixzz4dO0x2iF8 © 1996 - 2017. Todos direitos reservados a Infoglobo Comunicação e Participações S.A. Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização

MPF informou que havia identificado pagamentos da Rica à SCF Comunicações, empresa de Cabral

Em novembro do ano passado, quando a Operação Calicute foi deflagrada, o Ministério Público Federal (MPF) informou que havia identificado pagamentos da Rica à SCF Comunicações, empresa de Cabral; ao escritório da ex-primeira-dama Adriana Ancelmo; e à LRG Agropecuária, de Carlos Miranda, apontado como operador do ex-governador. A suspeita é de que os valores foram repassados como uma forma de ocultar a possível origem ilícita do dinheiro.

Segundo Tomazoni, Cabral procurou Joesley Batista, então presidente do conselho da J&F, holding que controla a JBS, solicitando que a compra fosse feita para gerar “investimentos” para o Rio.

O executivo da JBS contou que já havia analisado o negócio outras duas vezes, e que as tratativas haviam emperrado em função da diferença de valores. O presidente da Rica, Alexandre Igayara, é réu no processo, acusado de lavagem de dinheiro e organização criminosa.

— Três meses depois (da segunda rodada de negociações), o Joesley Batista perguntou se nós tínhamos interesse no negócio do Rio de Janeiro, de frango. Eu disse que interessava, mas estava longe dos parâmetros de valor que acreditávamos (que a empresa valia). Ele (Joesley) falou: ‘Olha, parece que a empresa está em outro momento. O ex-governador Cabral me procurou e disse que seria importante para o Rio desenvolver a atividade de frangos. Quem sabe você aprofunda e vê se, nesse momento agora, as expectativas mudaram” — lembrou o executivo, arrolado como testemunha de defesa de Igayara.

Tomazoni contou que esteve de novo com Igayara e chegou a visitar a operação da empresa, mas a negociação não prosseguiu por não ser “viável”.

— O negócio veio apresentado como de interesse do estado, como todos os estados fazem. Sempre tem interesse para desenvolver a área de avicultura, que gera nível de emprego bastante grande. Foi essa reaproximação, mas negocio acabou não ocorrendo — disse.

Em outro depoimento, o advogado Cristiano Zanin, arrolado como testemunha de defesa de Adriana Ancelmo, afirmou que a conheceu quando o escritório dela foi contratado para atuar em um caso em que ele já atuava. Ambos passaram a representar a Fecomércio em uma disputa judicial contra o Sesc. Zanin afirmou que Adriana Ancelmo teve “atuação direta” nos processos e participava de todas as reuniões que envolviam a estratégia jurídica.

O MPF também suspeita que o escritório de Adriana recebeu pagamentos da Fecomércio sem prestar o serviço efetivo, como uma forma de lavar dinheiro.

Deixe uma resposta

Publicidade
 
 
Publicidade

2019 O dia mais - Todos os direitos reservados