“Exame de sangue e de toque retal devem ser feitos em conjunto”, diz urologista

Com a chegada do Novembro Azul, especialista esclarece dúvidas sobre o câncer de próstata

“Exame de sangue e de toque retal devem ser feitos em conjunto”, diz urologista

Com a chegada do Novembro Azul, especialista esclarece dúvidas sobre o câncer de próstata

Por | Edição do dia 10 de novembro de 2019
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Francisco Dias tem 69 anos e descobriu o câncer de próstata por meio de exames de rotina. (Foto: Erika Messias)

Com a chegada do mês de novembro, a campanha de saúde Novembro Azul é iniciada para que um alerta seja dado aos homens sobre a importância da realização de exames preventivos. Como o câncer de próstata é o segundo tipo de câncer que mais acomete o sexo masculino, fora o câncer de pele não melanoma, como aponta o Instituto Nacional de Câncer (Inca), a campanha se concentra em disseminar informações sobre a prevenção dessa doença. 

No começo deste ano, Francisco Dias, 69, residente do município de Palmeira dos Índios, descobriu que havia sido acometido pelo câncer de próstata. Ele conta que há anos se prevenia com idas ao médico e que, após a realização de exames preventivos, o diagnóstico positivo para a doença foi dado. 

“Eu não me desesperei com o resultado porque eu sei que o ser humano está sujeito a doenças e também porque tenho Deus, sou fiel a ele”, contou seu Francisco sobre a sua reação ao saber do diagnóstico. 

Ele também relatou que após a confirmação, passou por procedimento cirúrgico bem-sucedido ainda no começo deste ano e que continuou o acompanhamento médico. Porém, nas últimas visitas ao especialista, o médico de seu Francisco o alertou sobre uma alteração nos exames e o indicou a radioterapia para complementar o tratamento. Apesar de uma nova rotina médica, seu Francisco demonstrou otimismo para cuidar da saúde. 

Especialista 

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Dr. Gustavo Mendonça, médico urologista da Santa Casa de Maceió, alerta sobre a importância dos exames de rotina. (Foto: Erika Messias)

O médico urologista Gustavo Mendonça, atuante na Santa Casa de Misericórdia de Maceió, contou que a campanha Novembro Azul surgiu na Europa com o objetivo de alertar os homens para os cuidados com a saúde, já que o homem costuma ir com menos regularidade a médicos, quando comparados as mulheres. E que, por causa da prevalência do câncer de próstata, como o segundo que mais acomete os homens, a campanha se concentrou em dar informações sobre a prevenção dessa doença. 

“[Há pesquisas que indicam que], mais ou menos, 10% dos homens desenvolva o câncer de próstata em algum momento da vida. No ano passado, o Inca estimou em mais de 68 mil novos casos de câncer de próstata diagnosticados no Brasil. Determinando mais de 15 mil mortes. Então, é um câncer prevalente e letal”, explicou. 

Apesar do grande acometimento, o médico também conta que mais de 90% dos diagnósticos positivos são tratáveis e com chances de cura. Mas que para o sucesso do tratamento seja potencializado, é necessário que os pacientes se previnam e façam exames regulares. Os exames anuais são recomendados para os homens com idade a partir dos 50 anos, se não representar o grupo de risco e a partir dos 45 anos, para aqueles que tenham histórico familiar ou sejam afrodescendentes. 

“Existem teorias que apontam que os afrodescendentes, por causa da maior carga de testosterona, são mais suscetíveis a desenvolver o câncer de próstata. Isso não é confirmado, mas por precaução, a Sociedade Brasileira de Urologia recomenda que eles façam os exames a partir dos 45 anos”, conta. 

Mesmo com essas recomendações, o médico ressalta que não há contraindicação para que um paciente mais jovem procure um urologista. Já que, apesar de ser raro, há casos de acometimento de câncer de próstata em pessoas mais novas. 

“Já soube do caso de um homem que tinha 32 anos e foi diagnosticado com câncer de próstata. Então, se o indivíduo tem casos na família, está preocupado, ele deve ir ao médico”, frisou. 

Outros esclarecimentos 

 psa-exame-prostata-600x400O médico ainda desmistificou o engano que algumas pessoas cometem a respeito do exame de sangue PSA – Prostate-Specific Antigens – e do exame de toque retal, ambos exames utilizados para diagnosticar a presença ou não do câncer de próstata. 

Segundo Dr. Gustavo, pode haver casos em que o PSA não indique a presença de câncer, mas o exame do toque acuse esse diagnóstico. Ele explica que isso acontece porque o PSA não detecta o câncer especificamente, mas sim alterações na próstata, que além do câncer, pode detectar outras doenças como a infecção urinária, a infecção na próstata e o aumento da próstata. Por isso, os exames devem ser feitos em conjunto e é errado pensar que se o PSA não acusou alterações, o exame de toque é descartado. “Em 20% dos casos de câncer, o PSA é normal”, afirmou. 

Quando perguntado sobre os sintomas para detectar o câncer na próstata, o urologista contou que esse tipo de doença, quando está em estágios iniciais, é assintomática. Por isso, também, é dada a importância para a prevenção. E que quando os sintomas aparecem, pode indicar um estágio mais avançado da doença. Entre os sintomas, o médico apontou a dificuldade para urinar, aparecimento de sangue na urina e dores pelo corpo. 

Dr. Gustavo salientou que não observa resistência nos homens para a realização desses exames e que, o que pode atuar contra a prevenção deles seja o esquecimento em fazer exames anuais após a idade recomendada ou a falta de acesso à saúde, em casos de regiões do país onde não existam médicos especialistas para atender pacientes que não tenham outros meios para o acesso ao urologista e aos exames de prevenção. 

Por fim, o médico contou que, em casos de diagnóstico positivo, o paciente pode levar uma vida normal após o procedimento cirúrgico. 

 

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