Ex-namorada de Jairinho diz à polícia que ele dava remédio para ela dormir

Em parte do depoimento, divulgado na última semana pelo UOL, a mulher denunciou as agressões sofridas por ela e pela filha durante o relacionamento com o médico

Ex-namorada de Jairinho diz à polícia que ele dava remédio para ela dormir

Em parte do depoimento, divulgado na última semana pelo UOL, a mulher denunciou as agressões sofridas por ela e pela filha durante o relacionamento com o médico

Por UOL | Edição do dia 30 de março de 2021
Categoria: Brasil, Polícia, Política | Tags: ,


Foto: Divulgação/Câmara Municipal do Rio

Novos trechos do depoimento da ex-namorada do médico e vereador Dr. Jairinho (Solidariedade), padrasto do menino Henry Borel, que morreu no último dia 8, foram divulgados e revelaram que a ex do parlamentar afirmou que ele dava remédio para ela dormir. Em parte do depoimento, divulgado na última semana pelo UOL, a mulher denunciou as agressões sofridas por ela e pela filha durante o relacionamento com o médico.

Segundo o depoimento da ex-namorada de Jairinho, em uma das viagens que ela fez com o parlamentar e a filha para o município de Mangaratiba, no Rio de Janeiro, o homem a incentivou a tomar um “remedinho para dormir”, fato que ele costumava fazer algumas vezes com ela.

A mulher, então, se disse desconfiada com a ação de Jairinho por pensar que ele dava a medicação para ela com o objetivo de ele falar com a ex-mulher sem ser notado. Em um dos dias da viagem a Mangaratiba, a mulher decidiu simular que tomou a medicação, colocou o comprimido sob o travesseiro e fingiu que estava dormindo.

Após notar que o médico se levantou da cama, a mulher esperou alguns minutos e foi atrás dele. Quando chegou na sala, ela viu o parlamentar segurando a filha dela, hoje com 13 anos, pelos braços, enquanto a garota estava em pé sobre o sofá.

A testemunha reforçou no depoimento que o vereador segurava a menina, mas não estava fazendo algo agressivo, no entanto, notou que a filha estava assustada com a atitude do padrasto. Ao perceber que a mulher viu a situação, Jairinho teria afirmado que a criança teria tido um pesadelo e acordado.

O depoimento da mulher aconteceu no dia 23, durou mais seis horas e agora faz parte de uma investigação paralela, da Polícia Civil do Rio de Janeiro, ao caso do menino Henry.

Mais acusações da ex-namorada

A testemunha enviou uma mensagem nas redes sociais ao pai do menino Henry, Leniel Borel, na qual afirma que passou “os piores dias da minha vida” com Jairinho e disse que teve muito medo de denunciar o caso à época das supostas agressões. A mulher ainda mandou um áudio a Leniel após saber da morte da criança.

“Hoje já se passaram quase… quase não, oito anos de tudo que aconteceu comigo. E eu nunca fiz nada, nem nunca procurei nada por medo. A verdade é essa. E esse medo, eu vou ser bem sincera, eu tenho até hoje. Hoje, nessa data de hoje, eu tenho medo de alguma coisa acontecer, por ele saber as coisas que eu sei, em relação a mim, que aconteceram comigo e com ele”, disse a ex-namorada de Jairinho, em áudio enviado ao pai de Henry.

No depoimento, a ex-namorada do parlamentar, que não foi identificada, também chegou a afirmar que Jairinho rasgou a sua roupa na rua quando a viu chegando em casa depois de ela ir a uma balada. Em outro momento, também de acordo com ela, o hoje vereador queria conversar com ela e quando a mulher se recusou, ele teria a puxado pela grade do portão, fazendo com que ela batesse os seios contra a grade. A ação ocasionou a abertura de alguns pontos nos seios da mulher que havia feito implante de silicone.

Ainda no depoimento, a ex-namorada declarou que Jairinho, quando estava sozinho com a filha dela, dizia que a menina “atrapalhava a vida da mãe e a vida da sua mãe ia ser mais fácil sem ela”. Ademais, o vereador dava “cascudos” na cabeça da garota e torcia seus braços e pernas, e chegou a levar a menina para uma piscina e afundava a cabeça dela embaixo d’água.

Visto a situação, em certo momento, a mulher contou que desistiu que a filha acompanhasse ela e Jairinho em passeios quando percebeu que a menina estava cada vez mais resistente à presença do médico. Segundo o relato da mãe, a garota chegava a chorar e vomitar de tanto ficar nervosa na presença do parlamentar.

Leniel comparou as falas da ex-namorada de Jairinho com as reações que Henry demonstrava. “Foi muito parecido [o relato] das reações que a menina tinha com o que o meu filho tinha. De vomitar, de não conseguir olhar o Jairinho, de não querer ficar perto do padrasto, de preferir ficar com os avós do que ficar com a mãe, não querer está próximo dele [Jairinho] de jeito nenhum.

Defesa nega acusações

De acordo com o advogado André França Barreto, que defende Jairinho e Monique, “jamais aconteceu” qualquer agressão do parlamentar contra as ex-mulheres e as crianças.

“Esses episódios [denunciados] teriam acontecido há mais de uma década e sem qualquer testemunha. O que a gente está tentando mostrar é, subjetivamente, que em todas as outras relações, Jairinho não teve qualquer conduta violenta, de agressão”, afirma André França Barreto, advogado de Jairinho e Monique.

“De tudo o que tem sido apurado até agora, tudo que a gente teve acesso, (…) família ou conhecidos, da natação, do futebol, a gente categoricamente afirma que existem elementos concretos a demonstrar que o Jairinho e a Monique não têm qualquer condição, probabilidade, possibilidade de terem feito dolosamente ou ainda que culposamente qualquer ato de agressão ao Henry”, finalizou o advogado ao “Fantástico”, da Rede Globo.

Hospital sem imagens das câmeras e mais perícias

O telejornal RJ2, da Rede Globo, apurou que o Hospital Barra D’or, para onde Henry foi levado por Monique e Jairinho, não entregou as imagens das câmeras de segurança do local à polícia. A unidade de saúde informou que o sistema de monitoramento estava em manutenção no dia da morte do menino. Funcionários do Hospital também serão ouvidos pela polícia.

Ontem, a polícia começou a fazer novas perícias no apartamento da mãe e do padrasto de Henry, na Barra da Tijuca, onde o menino passou as suas últimas horas de vida. O local está interditado até que novas perícias sejam realizadas e uma viatura da Polícia Militar está baseada no edifício por 30 dias.C

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