Especialistas dizem que prevenção é preciso e alertam para os riscos

Unidade itinerante de entrega voluntária de armas de fogo, coordenada pela Seprev, esteve na sede da Universidade Tiradentes

Por | Edição do dia 26 de setembro de 2015
Categoria: Notícias, Polícia


Seminário debateu efeitos das armas dentro da sociedade civil organizada. (Foto: Adailson Calheiros)

Seminário debateu efeitos das armas dentro da sociedade civil organizada. (Foto: Adailson Calheiros)

Nos Estados Unidos, portar uma arma aumenta em mais de três vezes o risco de suicídio e duas vezes o de homicídio”. A frase é do especialista em Segurança do Banco Mundial, André Villaveces, e foi colocada ao lado dos palestrantes do Seminário Controle de Armas, Pela Vida e Pela Paz, que aconteceu nesta sexta-feira, 25, no auditório da Universidade Tiradentes, em Maceió.

O encontro contou com a participação da Secretaria de Estado de Prevenção à Violência (Seprev), que levou uma unidade itinerante de entrega voluntária de arma para a sede da universidade, onde estudantes, profissionais da universidade e os participantes do seminário puderam conhecer e obter mais informações sobre como funciona o posto móvel.

No auditório, durante toda a tarde, especialistas apresentaram números e alertaram sobre os riscos que um cidadão armado pode correr, justamente por estar armado.

“Entre 1993 e 2012, foram poupadas 160.036 vidas, de acordo com os números do Mapa da Violência. A arma é um instrumento de ataque, não de defesa. Você usa a arma para matar, não para proteção. E num assalto, tem o elemento surpresa, então quem tem arma ainda corre o risco de ser roubado e armar o bandido”, explicou Antônio Rangel, sociólogo e consultor da ONU.

O consultor ainda falou sobre uma das discussões no Congresso Nacional, sobre o Estatuto do Desarmamento, que prevê a diminuição da idade mínima para ter porte e posse de arma, de 25 anos para 21 anos de idade. “É um retrocesso, os jovens são os que mais morrem por uso de arma de fogo. O Estatuto do Desarmamento poupou a vida de 70 mil jovens e querem acabar com o Estatuto”, afirmou Rangel.

O diretor-executivo do Instituto Sou da Paz, Ivan Marques, acrescentou que pesquisas mostram que não há qualquer efeito entre cidadãos armados e a redução de crimes patrimoniais. “No Brasil, 71% dos homicídios são cometidos por arma de fogo. O fato de ter uma arma presente no local de conflito potencializa a morte durante esse conflito. É preciso retirar as armas dos conflitos, uma arma não media solução “, alertou.

Para os palestrantes, a saída é a prevenção da violência e o investimento, principalmente, em educação. “Só assim a gente vai conseguir superar essa violência”, garantiu Almir Laureano, coordenador do MovPaz nacional.

Campanha

A Seprev está com uma unidade móvel de entrega voluntária de armas no conjunto Osman Loureiro, desde segunda-feira (21), próximo à base comunitária da Polícia Militar. No próximo dia 5 de outubro, a unidade segue para o conjunto Carminha, no Benedito Bentes.

O gerente de Integração de Estratégias de Prevenção à Violência da Seprev, Roberlan Moreno, alerta que a entrega da arma de fogo pode ser feita durante todo o dia, sob total sigilo e a pessoa ainda recebe uma bonificação. “A população deve buscar se inteirar mais sobre essa campanha de controle de armas. Deve procurar mais informações sobre os riscos de ter uma arma em casa. Nós podemos ajudar no nosso posto itinerante ou através do número 0800-280-9390”, finalizou Roberlan Moreno.

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