Especial SST: médicos se negam a preencher ficha sobre acidentes de trabalho

Formulário de Agravos de Notificação Compulsória é essencial para planejamento eficaz de políticas de Saúde e Segurança do Trabalho

Especial SST: médicos se negam a preencher ficha sobre acidentes de trabalho

Formulário de Agravos de Notificação Compulsória é essencial para planejamento eficaz de políticas de Saúde e Segurança do Trabalho

Por | Edição do dia 9 de abril de 2017
Categoria: Notícias, Saúde | Tags: ,,,,,


A edição desta semana de O DIA ALAGOAS traz um caderno especial para denunciar um fato grave: médicos se recusam a preencher os Formulário de Agravos de Notificação Compulsória, ficha de investigação utilizada pelo Ministério da Saúde para identificar em quais setores do mercado a saúde e a segurança do trabalhador está em risco.

O repórter Deraldo Francisco conversou com a Superintendência Regional de Trabalho e Emprego (SRTE), o Ministério Público do Trabalho (MPT) e o Centro Regional de Referência em Saúde do Trabalhador (CEREST) para jogar luz nessa situação.

Caderno especial sobre SST

Caderno especial sobre SST

Confira abaixo um pouco do que pode ser encontrado no caderno especial de O DIA ALAGOAS desta semana:

 

“Pedi demissão para não enlouquecer”, conta ex-cobrador de ônibus

“Não aguentava mais sair para o trabalho. Estava estressado, com a pressão alta, não conseguia dormir e com medo de entrar no ônibus. Muitas vezes, chegava à empresa me sentindo mal e a médica constatava que eu estava com a pressão alta demais para trabalhar. Ficava de plantão, mas não saía para o trabalho. Até que a psicóloga me aconselhou a procurar outro emprego. Por muito tempo, descarreguei todo o meu estresse na minha esposa e, quando estava dormindo, quando ela se mexia, eu me assustava. Foram anos horríveis na minha vida”. As declarações são de Cristiano Amâncio de Oliveira que, durante cinco anos trabalhou como cobrador de ônibus.

(…)

Esse caso é recorrente entre os quase 3.500 rodoviários de Maceió e nas demais categorias de trabalhadores, mas poderia ser controlado se um procedimento simples fosse tomado: o preenchimento da Ficha de Investigação do Sistema de Informação de Agravos de Notificação do Ministério da Saúde. Essa ficha é essencial para que sejam adotadas medidas preventivas para a saúde e segurança do trabalhador.

A negligência dos médicos e de outros profissionais de saúde leva à subnotificação dos casos graves de acidentes de trabalho. Com isso, ficam prejudicadas ações preventivas de saúde que poderiam evitar novas ocorrências. “Com a notificação dos casos, em médio prazo, dados concretos e atualizados sobre doenças, agravos e acidentes relacionados seria possível planejar ações de prevenção e promoção em saúde do trabalhador, evitando-se, assim, danos à saúde e atividade laboral, bem como a diminuição de gastos públicos e privados”, disse Paulo César, do Setor de Inspeção do Centro Regional de Referência em Saúde do Trabalhador (CEREST).

Nos municípios, O CEREST é o órgão responsável para atuar nestas ações preventivas. Mas, devido à negligência de médicos e outros profissionais de saúde, fica impossibilitado de preservar vidas, evitar mutilações e de proporcionar saúde e segurança no ambiente de trabalho. A Ficha de Investigação gera a estatística que serve de parâmetro para a atuação do CEREST. Como o órgão pode atuar se não há um mapeamento das áreas onde há maior incidência de acidentes graves, com mortes, mutilações ou invalidez?

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