Envio da “lista de Janot” ao STF deve afetar agenda de votações

Planalto tenta manter clima de normalidade; ministro Eliseu Padilha volta ao trabalho nesta segunda-feira

Envio da “lista de Janot” ao STF deve afetar agenda de votações

Planalto tenta manter clima de normalidade; ministro Eliseu Padilha volta ao trabalho nesta segunda-feira

Por | Edição do dia 13 de março de 2017
Categoria: Notícias, Política | Tags: ,,


Mesmo diante da expectativa de o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, enviar hoje ao Supremo Tribunal Federal (STF) a lista dos pedidos de investigação contra ministros e parlamentares com base nas delações da Odebrecht, o presidente Michel Temer tentará manter o clima de normalidade e focar em agendas positivas para desviar a atenção do assunto. No Congresso, porém, a avaliação é de que as novas revelações devam afetar a agenda de votações tanto na Câmara quanto no Senado.

Entre os parlamentares, a avaliação é de que o ritmo do plenário vai depender do impacto da nova lista. No Senado, os pedidos de abertura de inquérito podem atingir nomes importantes do PMDB e do PSDB e tornar inviável a votação da segunda etapa da repatriação de recursos de brasileiros depositados ilegalmente no exterior, considerada prioritária para as unidades de Federação em crise. Também citado por executivos da Odebrecht, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), convocou uma reunião de líderes para amanhã, a fim de definir o comando das comissões permanentes da Casa, mas abandonou a ideia de colocar em votação nesta semana o projeto sobre terceirização. “O Congresso vai precisar mostrar maturidade para separar as agendas econômica e política”, disse o líder do DEM na Câmara, deputado Efraim Filho (PB).

Tranquilidade

No Planalto, para mostrar que o governo não está paralisado, Temer convocou uma reunião para as 9h30 sobre segurança pública e combate ao crime organizado. Além de deputados e senadores, pelo menos dois ministros da cúpula do governo devem estar entre os citados: o da Casa Civil, Eliseu Padilha, que retorna ao trabalho nesta segunda-feira, após um período de licença médica por causa de uma cirurgia para a retirada da próstata, e o ministro da Secretaria-geral da Presidência, Moreira Franco. O foco de Padilha será trabalhar a reforma da Previdência com os parlamentares. “Amanhã (segunda-feira), retornarei às atividades se Deus permitir”, disse Padilha.

Os pedidos encaminhados por Janot serão analisados pelo ministro Edson Fachin, relator da Lava-Jato no Supremo. Apenas se Fachin autorizar a derrubada do sigilo das delações é que o conteúdo se tornará público. Entre os ministros do Supremo, o discurso é de que a chegada da “megadelação” não vai alterar a rotina da Corte. O número especulado de políticos citados, de cerca de 200, não impressiona o ministro Celso de Mello. “Todos os julgamentos que chegam ao Supremo são importantes e relevantes”, diz.

Patriarca da Odebrecht depõe hoje

O delator e patriarca do grupo empresarial Odebrecht, Emílio Alves Odebrecht, depõe nesta segunda-feira ao juiz federal Sérgio Moro, a partir das 9h30, como testemunha do filho e também delator Marcelo Odebrecht, preso desde 2015 na Operação Lava-Jato. Emílio, que foi um dos responsáveis por coordenar com os advogados as negociações com o Ministério Público Federal para a colaboração premiada de executivos e ex-executivos da empreiteira, vai falar pela primeira vez ao juiz por meio de videoconferência, diretamente do Fórum Criminal de São Paulo.

Cidades sob nova direção

Em um momento em que a Justiça Eleitoral demonstra mais rigor na análise das contas de campanha, eleitores de 11 municípios, em quatro estados, foram às urnas ontem para eleger novos representantes porque os candidatos mais votados em outubro do ano passado tiveram os registros de candidaturas cassados. O motivo da anulação da disputa municipal varia bastante, mas, na maior parte dos casos, foi a rejeição de prestações de contas passadas. PMDB, PT e PDT venceram em duas cidades cada um na disputa. Em outras, PTB, PPS, DEM e Solidariedade saíram vencedores. Um resultado não tinha saído até o fechamento desta edição.

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