Engenheiro, vencedor do MasterChef não sabia fritar ovo até os 18 anos: “Estudei muito para estar aqui”

Por UOL | Edição do dia 14 de outubro de 2020
Categoria: Diversão | Tags:


Carlos Reinis/Band

Noite de comemoração para o engenheiro de produção Lucas, de 30 anos. Apaixonado por gastronomia, o paulista, de Limeira, venceu o 14° episódio do MasterChef 2020 e foi o melhor cozinheiro nas duas provas do programa. Chegar a este lugar não foi fácil e envolveu muita dedicação e estudo.

Para se ter uma ideia, até os 18 anos, quando foi morar sozinho em Joinville (SC) para cursar a faculdade, Lucas não sabia nem mesmo fritar um ovo. “Na época, minha mãe fez um livro de receitas a mão com o que eu precisava saber e me deu”, disse, em entrevista ao Portal da Band.

O livro de dona Lourdes salvou a vida do então estudante, que morava em uma república onde ninguém sabia cozinhar. “Nele tinha mais dicas do que receitas. Minha mãe deixou orientações como, por exemplo, não colocar uma colher molhada em uma panela cheia óleo porque explode. Eu não tinha noção e aquilo foi um passo a passo para não me matar”, brincou.

Deu certo! De lá pra cá, Lucas avançou na cozinha amadora e em sua formação, onde cursou mestrado, doutorado e, após cerca de 12 anos, parou pela primeira vez de estudar. Foi quando percebeu que a gastronomia havia ganhado espaço importante em sua rotina e na memória do celular. “90% das minhas fotos eram de comida. Às vezes, ficava horas nas redes sociais ou na internet estudando receitas e empratamento. Ninguém consegue provar pela imagem, mas é possível ficar com vontade. Por isso, criei até uma página no Instagram em que compartilho imagens de comer com os olhos, a @cozinhaeconversa.”

Quem vê os pratos elaborados feitos pelo campeão do MasterChef mal pode imaginar que há alguns anos suas receitas não passavam de macarrão feito em toneladas. Na cozinha da casa compartilhada onde morou não havia nem mesmo uma travessa que coubesse a refeição dos oito rapazes. A saída era pegar a gaveta de frios da geladeira e usar como recipiente.

Tudo mudou há alguns anos, quando foi morar sozinho em Itatiba, também no interior de São Paulo, e precisou enfrentar o oposto do que vivia nos tempos de universitário. O desafio se tornou cozinhar quantidade suficiente para uma única pessoa. “Eu não gosto de repetir prato e precisei me desenvolver para fazer receitas fracionadas. Hoje em dia, cozinho purê com uma batata, porção pequena que serve um único prato. Quando vou ao supermercado, é engraçado, compro uma berinjela, uma cebola, uma abobrinha. Cada dia, faço uma coisa diferente”, explica.

Tamanha técnica do cozinheiro amador impressionou a chef Paola Carosella que, ao provar seu arroz de hauçá, disse que foi uma das melhores receitas que experimentou durante a sétima temporada do programa. Ele, claro, não conseguiu conter a alegria. “Foi uma realização. Valeu 100%. Foi mais emocionante do que ganhar.”

Avaliação precipitada já que, ao vencer de fato o MasterChef, com filet au poivre, a emoção foi tanta que ficou sem palavras. “Travei totalmente quando ouvi o meu nome. Me deu tela azul, sabe? Gostaria de ter comemorado melhor. Me cobro demais, estudei muito para estar aqui e precisei fazer um exercício interno para chegar e aproveitar o momento.”

Agora, Lucas pensa em uma forma de unir engenharia e culinária. Certeza ele tem de que continuará inventando receitas e criando pratos belíssimos. “Pretendo investir o que ganhei em melhoria de processos e redução de desperdícios na cozinha.  Quero abrir um negócio meu de consultoria”, afirma. “No MasterChef, aprendi que nunca é tarde pra começar alguma coisa.” Vai que o mundo é seu, Lucas!

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