Em Pão de Açúcar, Polícia Civil investiga se morte de “Etinho” foi por “vingança”

Weverton Alves Rodrigues, de 35 anos, é mais um morto em “guerra” no Sertão

Em Pão de Açúcar, Polícia Civil investiga se morte de “Etinho” foi por “vingança”

Weverton Alves Rodrigues, de 35 anos, é mais um morto em “guerra” no Sertão

Por Deraldo Francisco - Repórter | Edição do dia 29 de março de 2021
Categoria: Notícias, Polícia | Tags: ,,,,,


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O assassinato de Weverton Alves Rodrigues, de 35 anos, ocorrido na manhã do último dia 19, no Povoado Lagoa de Pedra, em Pão de Açúcar, pode não ter sido motivado por uma vingança, por uma cena de ciúme, como disse um acusados.

“Etinho”, como era conhecido na região foi executado com vários tiros, no interior da Panificação Barros Melo. Testemunhas contaram à polícia que foram feitos vários disparos no interior do estabelecimento, onde a vítima caiu morta.

Poucos minutos depois, os três envolvidos no crime foram presos pela guarnição do Grupo de Policiamento Militar (GPM), de Belo Monte. Os policiais haviam sido informados do crime e estavam em diligências em possíveis rotas de fugas dos criminosos.

A prisão ocorreu numa estrada de barro, no Povoado Restinga, momento em que a guarnição se deparou com o veículo Onix LT, sedan, de cor prata e placa RFX9B01 (Belo Horizonte/MG).

No veículo estavam: Nemoel Kesley da Silva Santos – conhecido como “Bola” ou “Gordo”; Lucimário Ferreira dos Santos, Guarda Municipal na cidade de Batalha, e Lucival da Conceição Bezerra Lima. Com eles, a guarnição da PM apreendeu uma pistola PT-838 Taurus, calibre 380 com um carregador vazio e um revólver Taurus, calibre 38, sem munição e com a numeração suprimida (raspada). As suspeitas são de que só não houve reação dos suspeitos porque eles não tinham mais munições nas armas. Poucos minutos depois, outra guarnição da PM (do Centro Integrado de Segurança Pública-Cisp), chegou ao local e reforçou o aparato policial. Em seguida, as duas guarnições conduziram os suspeitos para a Delegacia Regional de Delmiro Gouveia.

Crime começa a ser investigado
Na delegacia, foram iniciadas as primeiras investigações a partir da tomada dos depoimentos dos policiais militares responsáveis pela prisão dos suspeitos. Em seguida, cada um deles foi ouvido pelo delegado Daniel José Galvão Mayer, que estava de plantão.

Enquanto ocorriam os interrogatórios, outras apurações eram feitas, como a origem do veículo usado pelos criminosos e da pistola encontrada com eles. Conforme levantamento da Polícia Civil, o veículo pertence à Localiza Rent a Car S.A (conhecida como Localiza).

Essa informação coloca na cena do crime o jovem Peterson Martires dos Anjos, cunhado de Neto Esperidião, que é irmão de Nemoel Kesley. É neste momento que a versão de Lucival Bezerra – conhecido na região como pessoa de estreita relação com o tráfico de drogas – começa a ser desmentida.

Peterson Martires dos Anjos (Foto: Divulgação)

A outra informação levantada pela Polícia Civil revela que a pistola PT 380 encontrada com os criminosos é registrada no nome de um guarda municipal de Batalha, amigo de Lucimário e que, conforme a polícia, talvez nem soubesse que a arma seria usada num assassinato. Não há nada no inquérito contra o guarda municipal. Lucimário é irmão de um major da Polícia Militar, subcomandante de um batalhão no Sertão, e que também não há nada contra o oficial nas investigações da Polícia Civil.

Ao delegado, Lucival ele contou que – mesmo estando os três com duas armas – só ele atirou em “Etinho”. Disse que decidiu matar o rapaz porque ele teria assediado sua esposa e ainda lhe ameaçado de morte.

Ele contou ainda que, mesmo com duas armas no carro, apenas ele atirou em “Etinho”. Ou seja: Lucival assumiu o crime sozinho, mas as duas armas (revólver e pistola) estavam descarregadas quando a guarnição da PM interceptou os criminosos.

Rastro de sangue
Ocorre que Peterson dos Anjos tem o nome escrito numa história que traz um rastro de sangue com várias mortes no Sertão de Alagoas. Entre elas, as do seu pai (José Petrúcio dos Anjos), ocorrida em 2013, no centro de Pão de Açúcar e do seu irmão (José Petrúcio dos Anjos Filho), crime ocorrido em janeiro passado, no interior do Restaurante Boi na Brasa, em Pão de Açúcar. Esses dois assassinatos são atribuídos ao traficante Sóstenes Alves dos Mártires, conhecido na região sertaneja de Alagoas.

Nesta “guerra”, pelo menos duas pessoas do lado de Peterson dos Anjos já foram assassinadas. Ele mesmo já teria escapado de três ou quatro atentados à bala. No entanto, na reação, o grupo dele estaria envolvido em, pelo menos, mais quatro assassinatos. O último deles teria sido esse, cuja vítima foi “Etinho”.

Ativo nas redes sociais, Peterson “cobra justiça” para os crimes cujas vítimas foram seus familiares, mas não assumiria o envolvimento dele no rastro de sangue que já teria feito quatro vítimas fatais “do outro lado”. Teriam sido vítimas nesta guerra: Marcelo José da Costa, de 33 anos, comerciante de Pão de Açúcar assassinado na porta de casa, em agosto de 2015; Estênio Lisboa, 30, assassinado no Sítio Impueirinha, em Pão de Açúcar, em abril de 2016; Carlos André Elias da Silva, 32, assassinado no povoado Salgadinho, em São José da Tapera e outro crime cujo nome da vítima não foi revelado à reportagem, mas que também estaria “na conta” do grupo de Peterson e teria ocorrido em Pão de Açúcar.

Conforme a reportagem apurou, a “guerra” na região que já estaria com mais de oito mortes, teria começado logo após o assassinato de um homem identificado como “Fia”, que seria irmão do traficante Sóstenes Alves.

Delegada especial
Na quinta-feira passada, a delegada Daniela Andrade, da Distrital de Batalha, foi nomeada especialmente para investigar este caso. “Essa investigação corria sob a responsabilidade da delegacia de Pão de Açúcar até quinta da semana passada. Desde quinta, houve uma designação pra mim como delegada especial deste inquérito. Essa semana serão ouvidas algumas testemunhas”, disse a delegada.

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