Em áudio inédito, ex-namorada de Dr. Jairinho cita agressões à filha e diz: ‘Nunca procurei nada por medo’

Vereador nega qualquer conduta agressiva. Polícia ainda investiga a morte de Henry Borel e abriu um outro inquérito para apurar a suposta agressão denunciada por ela

Em áudio inédito, ex-namorada de Dr. Jairinho cita agressões à filha e diz: ‘Nunca procurei nada por medo’

Vereador nega qualquer conduta agressiva. Polícia ainda investiga a morte de Henry Borel e abriu um outro inquérito para apurar a suposta agressão denunciada por ela

Por G1 | Edição do dia 29 de março de 2021
Categoria: Brasil, Notícias | Tags: ,,


Henry Borel (Foto: Redes sociais)

Uma ex-namorada do vereador Dr. Jairinho, que é padrasto de Henry Borel, procurou o pai da criança e relatou que a filha dela teria sido agredida pelo parlamentar. O Fantástico deste domingo (28) obteve, com exclusividade, áudios enviados por ela para Leniel Borel.

Henry Borel morreu, aos 4 anos de idade, no último dia 8. A Polícia investiga a causa. Por conta das acusações feitas pela ex-namorada de Jairinho, uma nova investigação foi aberta.

O advogado dele e da mãe de Henry, Monique, nega qualquer tipo de “conduta violenta”. No áudio ao pai de Henry Borel, a ex-namorada do parlamentar diz ter medo.

“Hoje já se passaram quase… quase não, oito anos de tudo que aconteceu comigo. E eu nunca fiz nada, nem nunca procurei nada por medo. A verdade é essa. E esse medo, eu vou ser bem sincera, eu tenho até hoje. Hoje, nessa data de hoje, eu tenho medo de alguma coisa acontecer, por ele saber as coisas que eu sei, em relação a mim, que aconteceram comigo e com ele”.

Em entrevista ao Fantástico, o advogado de Dr. Jairinho rebateu.

“Jamais, jamais aconteceram (agressões). Esses episódios teriam acontecido há mais de uma década atrás e sem qualquer testemunha. O que a gente está tentando desmonstrar é, subjetivamente: o Jairinho não tem qualquer conduta violenta de agressão”, afirma André França Barreto.

Segundo a ex-namorada de Jairinho, a filha, que hoje é uma adolescente, foi agredida pelo vereador quando tinha 4 anos. A mulher afirmou que a filha ficava nervosa, chorava e vomitava ao ver Jairinho.

O relato é parecido com o depoimento dos pais de Henry. Eles contaram que o filho também vomitava e chorava ao voltar para casa da mãe, que morava desde o início do ano com Jairinho.

No áudio enviado ao pai de Henry Borel, a ex-namorada de Jairinho o aconselha.

“Mas, assim, o que mais eu posso te falar é questão de você não desistir, sabe? De não se culpar, não se martirizar porque eu passo por isso todos os dias da minha vida, todos os dias, e por mais que a minha filha olhe no meu olho, como ela já olhou e disse pra mim: ‘Você não teve culpa’, eu sei, não adianta, é muito ruim”.

Mãe a padrasto de Henry Borel (Foto: Reprodução/Record)

O advogado de Jairinho afirma que, por tudo o que é investigado, não há nenhum indício contra Jairinho e Monique Medeiros, mãe de Henry.

“De tudo o que tem sido apurado até agora, tudo que a gente teve acesso, família ou conhecidos, da natação, do futebol, a gente categoricamente afirma que existem elementos concretos a demonstrar que o Jairinho e a Monique não têm qualquer condição, probabilidade, possibilidade de terem feito dolosamente ou ainda que culposamente qualquer ato de agressão ao Henry”, reafirmou André França Barreto.

Relatos de agressão

Em depoimento à polícia, a ex-namorada do vereador relatou episódios de agressão. As suspeitas foram registradas assim no registro de ocorrência:

  • “afirma que chegou a rasgar sua roupa na rua, especificamente quando a viu chegando em casa vindo de uma ‘balada'”.
  • “uma vez, quando queria conversar com a declarante e esta se recusou, Jairinho a puxou pela grade do portão da casa da mãe da declarante, o que fez com que batesse seus seios contra a grade”
  • “algumas vezes em que (a filha) estava sozinha com Jairinho este a levava até o carro e dizia coisas como ‘você atrapalha a vida da sua mãe’ , ‘a vida da sua mãe ia ser mais fácil sem você'”
  • “dava ‘mocas’ em sua cabeça e torcia suas pernas e braços (em relação à filha)”
  • em uma das vezes Jairinho a levou (a filha) a uma piscina e que neste lugar afundava sua cabeça embaixo d’água”

Nova conversa descoberta

A Polícia descobriu que, na madrugada em que Henry Borel morreu, Jairinho conversou com outra mulher. Em depoimento, ela disse à polícia que mandou uma mensagem para o vereador às 15h47 daquele domingo e que ele respondeu às 01h47 da manhã de segunda-feira. O diálogo foi:

  • “Estou cansada de você”
  • “Pelo amor de Deus”

De acordo com o depoimento de Monique, foi por volta deste horário que eles resolveram sair da sala e continuar vendo uma série no quarto de hóspedes.

A mulher que trocou mensagens com Jairinho no dia da morte do menino Henry disse que terminou relacionamento com ele em outubro do ano passado. Em janeiro, ainda segundo ela, o encontrou três vezes.

Eles se falavam com frequência, de acordo com a versão dela, e chegou a ficar com o vereador há cerca de um mês. Ela admite que já houve brigas e os dois se xingaram, mas que não houve agressão física.

As conversas de madrugada, ainda conforme essa versão, eram comuns.

Uma imagem obtida pelo Fantástico mostra Jairinho deixando o apartamento onde Henrry morreu às 9h08. Na delegacia, ele explicou que tinha saído do hospital, onde o menino chegou morto, para trocar o chinelo pelo tênis.

No seu depoimento à polícia, a mulher afirmou que, na manhã do dia 8, ela e Jairinho continuaram a conversa da véspera sem mencionar a morte do menino. Ela teria descoberto pela imprensa e por amigos.

Novo emprego da mãe de Henry

No começo do ano, Monique e o filho Henry foram morar com Jairinho em um condomínio de classe média alta. Na época, em conversas com o ex-marido Leniel, ela falou sobre a situação financeira.

“Estava sem dinheiro para nada. Agora estou tendo a oportunidade de dar uma vida melhor a ele, de matricular ele numa escola boa e cara”.

Em janeiro, a professora foi cedida para o Tribunal de Contas do Município. O salário de R$ 4 mil passou para R$ 16 mil.

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