Eleição de apenas 8 deputados federais para prefeituras reflete desgaste

Número é quase a metade do registrado nas eleições municipais de 2012, mas está longe de representar diversificação na política

Eleição de apenas 8 deputados federais para prefeituras reflete desgaste

Número é quase a metade do registrado nas eleições municipais de 2012, mas está longe de representar diversificação na política

Por | Edição do dia 3 de outubro de 2016
Categoria: Notícias, Política | Tags: ,


A eleição, em primeiro turno, de apenas oito dos 71 deputados federais que se candidataram a prefeituras em todo o país reforça os sinais de desgaste do cenário político, segundo especialistas ouvidos pela Agência Brasil. O número é quase a metade do registrado nas eleições municipais de 2012, quando 15 deputados federais foram eleitos prefeitos já no primeiro turno e 18 disputaram o segundo turno.

Este ano, em todo o país, apenas quatro deputados candidatos vão para a segunda etapa do pleito: Cícero Almeida (PMDB-AL), na disputa em Maceió; Nelson Marchezan Junior (PSDB-RS), candidato em Porto Alegre; Edmilson Rodrigues (PSOL-PA), em Belém; e Valadares Filho (PSB-SE), que concorre à prefeitura de Aracaju.

Em Alagoas, os derrotados estiveram em todas as regiões do estado. Em Delmiro Gouveia, o deputado federal Givaldo Carimbão (PHS) perdeu para Padre Eraldo, mesmo contando com o apoio do autla prefeito Lula Cabeleira (PMDB) e do governador Renan Filho (PMDB).

Em Maceió, os deputados federais JHC (PSB) e Paulão (PT) também foram derrotados, embora a disputa fosse mais acirrada e esteja hoje no segundo turno com a presença de Cícero Almeida.

Os deputados estaduais alagoanos também não tiveram muita sorte. Inácio Loiola (PSB) perdeu em Piranhas, enquanto Ricardo Nezinho (PMDB) e Tarcizo Freire (PP) perderam a eleição em Arapiraca, vencida por Rogério Teófilo – que já foi deputado federal e estadual, mas hoje não possui mandato. Vale destacar que Nezinho também tinha o apoio da atual prefeita de Arapiraca, Célia Rocha (PTB) e de Renan Filho.

Desgaste da atividade política

“A eleição, de fato, se deu num clima de desgaste generalizado da política, mas não tem porque isto se refletir apenas nos deputados. Tem reflexo sobre os partidos”, ponderou o cientista político Carlos Ranulfo, coordenador do Centro de Estudos Legislativos da Universidade Federal de Minas Gerais. Entre os sinais deste desgaste, segundo o analista, estão discursos de candidatos vitoriosos como o prefeito eleito de São Pauli, João Doria (PSDB), que destacou ao longo de sua campanha o fato de “não ser político, mas gestor” como estratégia para atrair votos.

Analista do cenário legislativo do país, Ranulfo disse que as eleições deste domingo não mostraram uma tendência de renovação clara. Segundo ele, ao mesmo tempo que novos nomes emergiram, “octogenários foram eleitos”. Ele aposta em uma mudança na composição da Câmara dos Deputados a partir de 2018, com maior pulverização partidária, reflexo do crescimento de diferentes legendas por todo o país.

“Se não houver uma reforma política, pode ter um aumento do número de partidos, porque os prefeitos são a base de deputados. Está aumentando a dispersão [de legendas assumindo os Executivos locais], isto tende a tornar a Câmara mais fragmentada”, calculou, projetando um aumento dos atuais 28 partidos representados na Casa para 33.

Outra consequência, segundo Ranulfo, é o fim da polarização entre PT e PSDB, que, segundo ele, não deve se repetir nas eleições de 2018. “Resta saber quem vai enfrentar o PSDB, que pode enfrentar Marina [na disputa presidencial], mas a Rede  [partido de Marina] se saiu muito mal”, disse. Outra probabilidade é o surgimento de um nome de uma frente mobilizada pela esquerda para enfrentar os tucanos.

 

Senado

Entre os senadores, apenas Marta Suplicy (PMDB-SP) e Marcelo Crivella (PRB-RJ) concorreram a prefeituras nessa eleição.

Marta ficou em quarto lugar na corrida pela prefeitura de São Paulo, com 10,14% dos votos válidos, atrás de Celso Russsomano (PRB), Fernando Haddad (PT) e do prefeito eleito, Joao Doria (PSDB).

No Rio, Crivella liderou a votação, com 27,78% dos votos válidos, e vai disputar o segundo turno com o candidato do PSOL, Marcelo Freixo, que recebeu 18,26% dos votos válidos.

Deputados federais eleitos prefeitos em primeiro turno:

Arnon Bezerra (PTB-CE) –  Juazeiro do Norte
Dr. João (PR-RJ) –  São João de Meriti
Edinho Araújo (PMDB-SP) – São José do Rio Preto
Fabiano Horta (PT-RJ) – Maricá
Fernando Jordão (PMDB-RJ) – Angra dos Reis
Marcelo Belinati (PP-PR) – Londrina
Moema Gramacho (PT-BA) – Lauro de Freitas
Odelmo Leão (PP-MG) – Uberlândia

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