Defensoria Pública pede liberdade do padrasto de Danilo

José Roberto está preso na DHPP onde sua mulher, Darcineia Almeida, disse ter sido torturada

Defensoria Pública pede liberdade do padrasto de Danilo

José Roberto está preso na DHPP onde sua mulher, Darcineia Almeida, disse ter sido torturada

Por | Edição do dia 11 de novembro de 2019
Categoria: Notícias, Polícia | Tags: ,,,,


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Foto: TV Pajuçara

O defensor público do Núcleo Criminal de Arapiraca, Marcos Antônio da Silva Freire, requereu nesta tarde a revogação da prisão de José Roberto Morais. Ele está preso em Maceió sob a acusação de estupro de vulnerável, cárcere privado, lesão corporal e tentativa de homicídio. Crimes que teriam ocorrido em 2009, quando ele morava em Arapiraca com a então esposa e uma enteada, que seriam as vítimas. As duas foram ouvidas pela polícia alagoana e teriam confirmado os crimes.

O defensor público estranhou o fato de os crimes terem ocorrido supostamente há quase dez anos e, somente agora, a Polícia Civil ter tomado conhecimento através de uma suposta denúncia anônima.

Na dinâmica que resultou na prisão de José Roberto consta que a Polícia Civil tentou cumprir um mandado de busca e apreensão nos endereços dele, mas não o teria encontrado. No último dia 6, o caso chegou às mãos da delegada Daniela Alves, de Crimes Contra a Mulher, em Arapiraca.

As vítimas teriam confirmado as acusações feitas “anonimamente” à Polícia Civil, em interrogatório ocorrido em Aracaju/SE. O depoimento foi tomado pelo delegado Bruno Emílio. O delegado foi à casa das supostas vítimas para que elas prestassem o depoimento.

No entanto, não havia nenhum inquérito policial instaurado pela Polícia Civil nem denúncia formalizada pelas vítimas contra José Roberto. No dia 6, a delegada Daniela Alves, de Crimes Contra a Mulher em Arapiraca, pediu a prisão preventiva do acusado. Neste caso, a delegada não ouviu o acusado.

No dia 7, o juiz Alexandre Machado, de Violência Doméstica Contra Mulher de Arapiraca, acatou o pedido e decretou a prisão às 15h36. Menos de meia hora depois, às 15h6, José Roberto já tinha sido localizado pela Polícia Civil e dava entrada no xadrez da DHPP, em Bebedouro.

“Requeri a revogação da prisão do acusado e, caso seja negado, ingressarei com habeas corpus no Tribunal de Justiça de Alagoas”, disse o defensor público.

Até as pedras se encontram

José Roberto é padrasto do menino Danilo Almeida, de 7 anos, que foi morto em circunstâncias ainda não esclarecidas pela Polícia Civil alagoana. O mecânico é marido de Darcineia Almeida, mãe do pequeno Danilo. Foi ela quem denunciou à Defensoria Pública do Estado ter sido presa e torturada pelo delegado Fábio Costa, chefe da Divisão Especial de Investigações e Captura (Deic), mas que teria “interrogado” a mulher na sede da DHPP, mesmo sem fazer parte formalmente das investigações. Conforme o próprio delegado disse em coletiva de imprensa, a partir do momento em que a mulher denunciou “um delegado” é que a Deic entraria no caso, cuja portaria seria publicada no dia posterior à coletiva. Ou seja, o Caso Danilo era apenas do delegado Bruno Emílio, que integra a DHPP.

Conforme relatos de Darcineia, a tortura teria ocorrido no interior da DHPP. Esta delegacia também já era conhecida por José Roberto porque, no dia em que a esposa dele foi “interrogada” pelo delegado, ele também esteve lá e foi “ouvido” na condição de suspeito na morte de Danilo, seu enteado.

Também foi na DHPP que, em coletiva de imprensa, o delegado Fábio Costa disse que Darcineia tinha problemas psicológicos, tomava remédio controlado, falava sozinha e com animais. O delegado Bruno Emílio não participou desta coletiva de imprensa.

Até então, Darcineia falava apenas em “um delegado” e, como Bruno Emílio era o presidente do inquérito, parte da imprensa atribuiu a tortura a ele. Mas, na sequência do caso, a mulher esteve na Defensoria Pública do Estado e apontou Fábio Costa como sendo o “tal delegado” que lhe torturou.

Antes disso, na coletiva de imprensa, o delegado Fábio Costa não tocou neste assunto. Apenas tratou de defender e dizer que confiava no trabalho do colega Bruno Emílio. Quando surgiu a informação de que ele seria o responsável pela suposta tortura, Fábio Costa se defendeu dizendo que não tinha nenhuma relação com tortura contra Darcineia nem outra pessoa, em sua carreira na Polícia Civil.

A reportagem ouviu o delegado-geral da Polícia Civil, Paulo Cerqueira, sobre o fato de o caso não ter sido todo conduzido pela delegada Daniela Alves, de Crimes Contra a Mulher. Ele respondeu que, até onde sabia, as investigações tinham sido todas conduzidas pela delegada. O que foi desmentido pelo defensor público. Paulo Cerqueira disse que iria verificar a “situação”.

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