, Sexta-Feira - 6 de Dezembro de 2019

 

Defensoria Pública pede liberdade do padrasto de Danilo

Deraldo Francisco- Repórter / 4:57 - 11/11/2019

José Roberto está preso na DHPP onde sua mulher, Darcineia Almeida, disse ter sido torturada


padrasto danilo

Foto: TV Pajuçara

O defensor público do Núcleo Criminal de Arapiraca, Marcos Antônio da Silva Freire, requereu nesta tarde a revogação da prisão de José Roberto Morais. Ele está preso em Maceió sob a acusação de estupro de vulnerável, cárcere privado, lesão corporal e tentativa de homicídio. Crimes que teriam ocorrido em 2009, quando ele morava em Arapiraca com a então esposa e uma enteada, que seriam as vítimas. As duas foram ouvidas pela polícia alagoana e teriam confirmado os crimes.

O defensor público estranhou o fato de os crimes terem ocorrido supostamente há quase dez anos e, somente agora, a Polícia Civil ter tomado conhecimento através de uma suposta denúncia anônima.

Na dinâmica que resultou na prisão de José Roberto consta que a Polícia Civil tentou cumprir um mandado de busca e apreensão nos endereços dele, mas não o teria encontrado. No último dia 6, o caso chegou às mãos da delegada Daniela Alves, de Crimes Contra a Mulher, em Arapiraca.

As vítimas teriam confirmado as acusações feitas “anonimamente” à Polícia Civil, em interrogatório ocorrido em Aracaju/SE. O depoimento foi tomado pelo delegado Bruno Emílio. O delegado foi à casa das supostas vítimas para que elas prestassem o depoimento.

No entanto, não havia nenhum inquérito policial instaurado pela Polícia Civil nem denúncia formalizada pelas vítimas contra José Roberto. No dia 6, a delegada Daniela Alves, de Crimes Contra a Mulher em Arapiraca, pediu a prisão preventiva do acusado. Neste caso, a delegada não ouviu o acusado.

No dia 7, o juiz Alexandre Machado, de Violência Doméstica Contra Mulher de Arapiraca, acatou o pedido e decretou a prisão às 15h36. Menos de meia hora depois, às 15h6, José Roberto já tinha sido localizado pela Polícia Civil e dava entrada no xadrez da DHPP, em Bebedouro.

“Requeri a revogação da prisão do acusado e, caso seja negado, ingressarei com habeas corpus no Tribunal de Justiça de Alagoas”, disse o defensor público.

Até as pedras se encontram

José Roberto é padrasto do menino Danilo Almeida, de 7 anos, que foi morto em circunstâncias ainda não esclarecidas pela Polícia Civil alagoana. O mecânico é marido de Darcineia Almeida, mãe do pequeno Danilo. Foi ela quem denunciou à Defensoria Pública do Estado ter sido presa e torturada pelo delegado Fábio Costa, chefe da Divisão Especial de Investigações e Captura (Deic), mas que teria “interrogado” a mulher na sede da DHPP, mesmo sem fazer parte formalmente das investigações. Conforme o próprio delegado disse em coletiva de imprensa, a partir do momento em que a mulher denunciou “um delegado” é que a Deic entraria no caso, cuja portaria seria publicada no dia posterior à coletiva. Ou seja, o Caso Danilo era apenas do delegado Bruno Emílio, que integra a DHPP.

Conforme relatos de Darcineia, a tortura teria ocorrido no interior da DHPP. Esta delegacia também já era conhecida por José Roberto porque, no dia em que a esposa dele foi “interrogada” pelo delegado, ele também esteve lá e foi “ouvido” na condição de suspeito na morte de Danilo, seu enteado.

Também foi na DHPP que, em coletiva de imprensa, o delegado Fábio Costa disse que Darcineia tinha problemas psicológicos, tomava remédio controlado, falava sozinha e com animais. O delegado Bruno Emílio não participou desta coletiva de imprensa.

Até então, Darcineia falava apenas em “um delegado” e, como Bruno Emílio era o presidente do inquérito, parte da imprensa atribuiu a tortura a ele. Mas, na sequência do caso, a mulher esteve na Defensoria Pública do Estado e apontou Fábio Costa como sendo o “tal delegado” que lhe torturou.

Antes disso, na coletiva de imprensa, o delegado Fábio Costa não tocou neste assunto. Apenas tratou de defender e dizer que confiava no trabalho do colega Bruno Emílio. Quando surgiu a informação de que ele seria o responsável pela suposta tortura, Fábio Costa se defendeu dizendo que não tinha nenhuma relação com tortura contra Darcineia nem outra pessoa, em sua carreira na Polícia Civil.

A reportagem ouviu o delegado-geral da Polícia Civil, Paulo Cerqueira, sobre o fato de o caso não ter sido todo conduzido pela delegada Daniela Alves, de Crimes Contra a Mulher. Ele respondeu que, até onde sabia, as investigações tinham sido todas conduzidas pela delegada. O que foi desmentido pelo defensor público. Paulo Cerqueira disse que iria verificar a “situação”.


Comentar usando