Dados do BNDES mostram indícios de saída da recessão

Embora não diga que recessão acabou, aumento de 32% nas aprovações da Finame são bom sinal para presidente do banco

Dados do BNDES mostram indícios de saída da recessão

Embora não diga que recessão acabou, aumento de 32% nas aprovações da Finame são bom sinal para presidente do banco

Por | Edição do dia 24 de abril de 2017
Categoria: Economia, Notícias | Tags: ,,


Os dados do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) sobre o primeiro trimestre mostram indícios de saída da recessão econômica. Embora tenha dito que não seria tão otimista em dizer que a recessão acabou, a presidente do banco de fomento Maria Silvia Bastos Marques, afirmou nesta segunda-feira, 24, que as aprovações da Finame, a linha de crédito automática para o financiamento de máquinas e equipamentos, subiram 32% no primeiro trimestre ante igual período de 2016.
“A Finame é muito mais dinâmica”, disse Maria Silvia, ao adiantar os dados em palestra durante seminário promovido pela Fundação Getulio Vargas (FGV) na sede da Federação das Indústria do Rio (Firjan).
Como os contratos da Finame são mais curtos e distribuídos por bancos repassadores, seus indicadores reagem mais rapidamente aos ciclos da economia. Na terça-feira, 25, o BNDES divulgará os dados de seu desempenho em março, encerrando o primeiro trimestre.
Maria Silvia adiantou ainda que as consultas (primeira fase do processo de pedido de crédito no BNDES) para projetos de infraestrutura subiram 25% no primeiro trimestre, na comparação com os três primeiros meses do ano passado. Além disso, após o BNDES melhorar as condições do crédito para capital de giro em janeiro, houve crescimento de 345% nos desembolsos para essa linha (Progeren) no primeiro trimestre, também em relação ao ano passado.
Críticas
Maria Silvia criticou as políticas adotadas pelo governo anterior para a instituição de fomento. Após pedir cautela na afirmação de que a recessão já acabou e defender reformas estruturais, como a previdenciária e a trabalhista, para garantir a recuperação econômica, Maria Silvia disse que encontrou um cenário “desastroso” ao chegar ao comando do BNDES, em junho do ano passado.
“Este último ano foi de muito trabalho. É impressionante como se conseguiu reverter um cenário tão desastroso”, afirmou Maria Silvia. Ela destacou que, entre 2009 e 2014, o BNDES recebeu quase R$ 500 bilhões em aportes do Tesouro Nacional, com custos fiscais para o governo. Apesar disso, segundo a executiva, a formação bruta de capital fixo (FBCF) permaneceu “flat”. “Esses recursos impactaram o fiscal e vamos pagar por muito tempo por eles. Eles não geraram aumento dos investimentos na economia”, afirmou Maria Silvia.
Segundo a presidente do BNDES, “subsídio não é resposta para tudo”. A executiva classificou o congelamento dos projetos de infraestrutura concedidos na segunda fase do Programa de Investimentos em Logística (PIL), também no governo anterior, de “caso grave”.
Maria Silvia criticou também o Programa de Sustentação dos Investimentos (PSI), lançado em 2009 como resposta à crise econômica global de 2008, canalizando boa parte dos aportes com crédito oferecido a juros negativos (abaixo da inflação). “O PSI não foi capaz sequer de manter a atividade econômica”, afirmou Maria Silvia.
Por outro lado, com os aportes e o PSI, o lucro do BNDES subiu, lembrou Maria Silvia. Com isso, o banco de fomento pagou “elevados dividendos” à União, contribuindo para a receita do governo.
Segundo Maria Silvia, isso já começou a mudar. Ano passado, o BNDES aprovou em seu Conselho de Administração uma política de dividendos, que garante que pelo menos 40% do lucro do banco fique na instituição. Além disso, a nova política operacional, lançada em janeiro, procura oferecer incentivos “horizontais”, com foco nos projetos e não nos setores, disse Maria Silvia.
Com as mudanças, agora sim o BNDES passou a ter uma política de “campeões nacionais”, disse Maria Silvia, numa referência à política da gestão anterior, de financiar, com crédito e participação acionária, a formação de multinacionais brasileiras. “Na minha visão, agora temos uma política de campeões nacionais. Estamos dando condições iguais a todos. Esperamos que surjam muitos campeões, mas não estamos escolhendo os campeões”, disse Maria Silvia.
Odebrecht
Maria Silvia também evitou comentar os trabalhos da comissão de apuração interna, criada após executivos da Odebrecht citarem ex-diretores do BNDES em depoimentos em delação premiada, em operações de financiamento à exportação de serviços. Segundo a executiva, o banco só se pronunciará sobre resultados das apurações no encerramento dos trabalhos, daqui a 45 dias.

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