Crise na Valedourado leva caos ao setor em Palmeira

Crise na Valedourado leva caos ao setor em Palmeira

Por | Edição do dia 29 de agosto de 2016
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Aquela que já foi motivo de orgulho para Palmeira dos Índios agora enfrenta o ocaso da forma mais gritante possível: sem nem cumprir acordos trabalhistas de seus ex-funcionários. Advogados da Valedourado revelaram em reunião na Vara do Trabalho de Palmeira, na quarta (24), que a empresa mantenedora da fábrica não tem como cumprir os acordos judiciais firmados com seus empregados, uma vez que não conseguiu os recursos necessários no mercado financeiro.

A situação já se arrasta há um tempo e voltou à tona, de certa forma, em 1º de agosto, quando ex-funcionários fizeram um protesto na porta da fábrica exigindo o pagamento dos acordos. Eles alegavam que um ou dois pagamentos foram cumpridos, porém mais nada além disso. Outro caso identificado foi o de trabalhadores que saíram da Valedourado em termos amigáveis, apenas para descobrir que após anos de dedicação, a empresa não havia pago um centavo de Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), apesar dos descontos nos salários ao longo dos anos. E ainda teve mais.

“Após a empresa não pagar o acordo e basicamente se recusar a pagar meus direitos, fui a um protesto pacífico, eu e cerca de 30 a 40 funcionários. Pois bem, hoje, recebo uma intimação da empresa me pedindo para manter distância de um raio de 1km, isso pelo fato de cobrar o que é meu por lei e por direito!”, contou o ex-funcionário Arthur Correia Prado em um desabafo no seu perfil no Facebook, datado de 17 de agosto, e amplamente compartilhado na rede social e grupos de Whatsapp.

Arthur Correia ainda conta que, a princípio, a medida de restrição era de 30 km – e acompanhada de uma multa de R$ 50 mil –, o que, morando em Palmeira dos Índios, o impediria de andar livremente pela cidade, até a alteração. Mesmo assim, ele não pretende parar. “A luta pelos nossos direitos continua, não só aqui, esse problema também ocorre na Bahia, onde há uma filial”.

O que diz a justiça

A reunião na Vara do Trabalho foi conduzida pela juíza Carolina Bertrand, que comentou a situação através da assessoria. “O que houve foi que a empresa de fato celebrou vários acordos na Justiça do Trabalho, porém após o pagamento das primeiras parcelas, começou a descumpri-los, razão porque foi dado despacho no sentido de que se iniciasse a execução”.

“A empresa está disponibilizando mensalmente o valor de R$ 100.000,00 para que seja rateado pelos optantes do novo acordo, pagando a primeira parcela no mesmo dia em que o reclamante optar por uma segunda negociação”, completou Carolina Bertrand.

No entanto, a magistrada reconheceu que a situação da Valedourado e de seus ex-funcionários não é fácil ou promissora. “A situação é extremamente delicada, uma vez que o patrimônio da reclamada e de seus sócios estão indisponíveis no processo de recuperação judicial que tramita na Justiça Comum. E, pela legislação, a competência é da justiça estadual, para gerir todo o patrimônio de empresas em processo de recuperação, até porque aquelas que não conseguirem cumprir o cronograma pré-estabelecido pelo juiz de direito, devem caminhar para o processo falimentar”.

O Dia Palmeira entrou em contato com o Ministério Público do Trabalho (MPT), que, através da assessoria de comunicação, informou não ter conhecimento das reivindicações dos trabalhadores da Valedourado, porém vai levantar informações – até mesmo as divulgadas na imprensa – e acompanhar o caso. O MPT pede que funcionários formalizem denúncias no órgão através de seu site www.prt19.mpt.gov.br ou do telefone 3482-2900, da Procuradoria de Arapiraca, para denúncia coletiva (é preciso reunir um grupo de trabalhadores).

 

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