Covid-19: suspensão de campeonato atinge do vendedor ambulante ao clube mais poderoso

Covid-19: suspensão de campeonato atinge do vendedor ambulante ao clube mais poderoso

Por Thiago Luiz | Edição do dia 26 de abril de 2020
Categoria: Esportes, Futebol Alagoano


A pandemia causada pelo novo coronavírus tem causado impactos diretos e indiretos em diversas áreas de trabalho. É preciso se reinventar. Professores e alunos adotaram o sistema home office. Mas e quem não tem a opção de trabalhar em casa? Com a crise causada pela Covid-19, as entidades de futebol e de outros esportes ficaram impossibilitadas de dar prosseguimento às suas atividades. A ausência de jogos afeta o que, para muitas pessoas, é o a única forma de garantir o sustento da família.

Vendedores ambulantes que comercializam seus produtos antes das partidas, no entorno do Rei Pelé, e até dentro do estádio. Sem a realização das competições e com o decreto de isolamento social, muitos trabalhadores que atuam com esse tipo de comércio veem seus empregos indo embora.
E quem pensa que esse momento afetou financeiramente apenas os trabalhadores e clubes de menor expressão, se engana. Em entrevista a O Dia Mais, o presidente da Federação Alagoana de Futebol (FAF), Felipe Feijó, falou das dificuldades enfrentadas pela entidade durante a pandemia do novo coronavírus.

Sem receita, FAF busca alternativas para manter o planejamento. Foto: Assessoria

De acordo com Feijó, a FAF está com todas as receitas zeradas. A única fonte de renda que ainda existe é a do recurso que a entidade estadual recebe da CBF. E essa falta de recursos deve refletir no restante da temporada. “A previsão orçamentária feita no começo do ano não existe mais, mas não conseguimos calcular o tamanho da perda” disse o presidente.

Mas, mesmo com as dificuldades enfrentadas pela federação, a entidade tem procurado assistir às pessoas que dependem da realização de jogos. O presidente disse ainda que corre para tentar manter os fluxos de pagamentos das pessoas, árbitros, clubes e funcionários, mas isso depende da entrada de recursos.
Ambulantes e prestadores de serviços foram beneficiados com cestas básicas, com o objetivo de evitar pessoas em situação de fome, numa ação da FAF em parceria com a Secretaria de Esporte e Lazer da Juventude (Selaj). “A missão é tentar ajudar primeiro os que estão ao nosso redor. Abolimos a cobrança de taxas de registro, no intuito de auxiliar”, afirmou Feijó.

E mesmo com bola parada, a FAF continua trabalhando no sentido de criar formas de rentabilizar os jogos, sejam com portões fechados ou abertos, além de adotar medidas de segurança para saúde de todos. O novo titular da Selaj, Charles Hebert, disse que os prejuízos para a secretaria também são incalculáveis, mas a prioridade número um é a saúde da população. Todos os calendários estão suspensos até que a situação apresente melhoras. “Estamos mantendo contato frequente com as entidades esportivas e esperamos que em breve, possamos discutir novamente o calendário e dentro da nossa realidade, auxiliar a classe esportiva”, explicou o secretário.

Clubes

Em Alagoas, duas equipes se preparavam para representar o estado na Série D do Campeonato Brasileiro: Coruripe e Jaciobá. Os times do interior, que já têm dificuldades no que se refere à receita, viram a situação se complicar ainda mais.
Com uma tentativa de auxiliar, a CBF, entidade máxima do futebol nacional, designou R$ 19 milhões para todos os clubes que participariam da terceira e quarta divisão do Brasileirão. O dinheiro já foi recebido em Coruripe e em Pão de Açúcar. Cada equipe ficou com a quantia de R$ 120 mil.

No Coruripe, o aporte financeiro dado pela CBF ajudou, mas não foi o suficiente. O clube já tinha contas atrasadas. Os contratos, por conta da série D, foram programados para o fim da primeira fase da competição nacional. As negociações foram feitas de maneira individual com cada funcionário do time, para evitar problemas trabalhistas com a Justiça.

Diretoria do Coruripe quer esquecer 2020. Foto: Agapito Santana

Para a diretoria do Hulk, continuar o Campeonato Alagoano não está dentro da realidade no atual cenário da pandemia. “A dificuldade é eminente. A gente não tem expectativa. Por mim esse 2020 não existiria, repetiria a indicação de 2019 para 2021 e a gente esquecia esse campeonato”, opinou o vice-presidente de futebol do Coruripe, Franciney Joaquim.

Já em Pão de Açúcar, o Jaciobá não tem nenhuma dívida trabalhista. Todos os trâmites contratuais foram resolvidos com os jogadores e demais funcionários. O dinheiro doado pela CBF foi dividido em três “fatias”. A primeira foi destinada para quitar a folha salarial de alguns funcionários. A segunda parte ficou para algumas reformas no Estádio Elísio da Silva Maia e para a aquisição de um terreno nos fundos do campo. E o último “lote” dos R$ 120 mil.

“Assim como centenas ou milhares de clubes brasileiros e de todo o mundo foram prejudicados, os times menores como o nosso, que sobrevivem praticamente do campeonato estadual, perdem muita renda, muitos patrocinadores. Perdemos até na venda de camisas, mas é para preservar vidas. Ficou uma situação difícil para todo mundo, não só pro Jaciobá”, disse o assessor de imprensa do clube, Fagno Pinto.

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